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Simplicidade e trabalho nos colocam a caminho de Deus

Enviado por on 09/12/2009 – 02:56
Karl Ludwig Poggemann/CC

— A não ser por Mateus, que era coletor de impostos e tinha alguma cultura, Jesus cercou-se somente de pessoas simples. E por quê? Ele não foi à Roma, conquistar o Império Romano. Ele ficou na Judéia, em meio às pessoas carentes e necessitadas.

— Nunca lhe passou pela cabeça a razão dessa opção do Mestre?

— Há quem fale que Jesus escolheu essas pessoas para que elas não lhe questionassem. Mas o mestre nunca evitou o confronto.

— Ele procurou os simples e humildes porque ele sabia muito bem que quando as pessoas estão em dificuldade, elas ficam muito mais acessíveis ao amor.

— Olhe ao seu redor: as pessoas que estão muito bem de vida estão dispostas, em geral, a abrir mão de suas comodidades, de seu poder social? Colocam Deus, o amor, em segundo plano. Elas não amam? A maioria delas não entende bem o que é amor, entende o que é paixão. Não vêem o amor por sua verdadeira face.

— Portanto, se as pessoas estão vivendo assim, o que adianta falar de Deus para elas? Se elas, em seu momento de orgulho e vaidade, estão se achando mais poderosas do que Deus?

— Ora, então preciso de uma encarnação inteira de dificuldades para compreender a Deus?

— Depende do meu comportamento. Bartolomeu, discípulo de Jesus que vivia angustiado, já não era uma criança, mas ele só obteve a felicidade real quando ele compreendeu o que Jesus ensinava.

— Para alcançar o Reino de Deus não preciso ser Jesus —comparado a ele, quem somos nós? Mas todos nós podemos. A gente erra querendo ser Jesus. Porque seremos, mas daqui a muito tempo.

— Mas o fato de estarmos distantes dele evolutivamente não significa que não podemos fazer o que ele fazia. Ele foi claro —poderemos fazer tudo o que ele fez, e até mais. Ele ensinou um caminho para Deus —não o único, como dizem os cristãos, mas certamente o melhor.

— Não precisamos de poder, de dinheiro, de status, de palácios —nada disso. Para caminharmos para Deus, precisamos apenas de boa vontade. E na maioria das vezes, só vamos adquirir a boa vontade quando estivermos sofrendo.

Segredo da felicidade

— E por que eu sofro e tenho dificuldades? Porque eu não busco o que preciso, mas busco o que eu quero. Há muita diferença entre as duas coisas.

— O segredo da felicidade, então, é buscar o que eu preciso, não o que quero. Em nossa fase evolutiva, costumamos ser gananciosos, e então caímos em problemas. Jesus alertou para a ganância, não para a riqueza em si.

— Claro que a riqueza pode ser um grande obstáculo à evolução moral. Veja alguém em uma favela —que por exemplo veste uma calça de grife. Quanto ela gastou de seu salário para ter aquela calça? Ela precisa disso?

— A grife mais valiosa do mundo é a do trabalho. Ela nos permite conquistar o que precisamos, com honestidade e dignidade. E ela não acaba no plano físico, e vamos levá-la para o resto de nossas existências.

— Imagine um casal que planejou receber três filhos. Têm o primeiro, depois têm o segundo e depois decidem parar. “Vamos dar o melhor”. Só que este “melhor” certamente é o material –e a matéria não é o melhor. E o terceiro filho? Onde vai encarnar? Como? Em que condições? Por causa de dinheiro, então, eu jogo fora o tesouro de um filho.

— Precisamos, pois, ser ricos em espírito e pobres em ganância. Se soubermos fazer isso, podemos ter certeza de que seremos felizes. Vamos precisar trabalhar, claro —a conquista do necessário exige esforço. Mas com esse pensamento, o trabalho nos dará sempre alegria.

Palestra conferida por André Luiz (Espírito) em São Paulo no dia 9/12/2009, comentando o capítulo 8 (Bom Ânimo) do livro “Boa Nova”, de Humberto de Campos.

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