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Envelhecer é construir amor e sabedoria

Enviado por on 19/05/2011 – 03:06
Phillip Le Conte/CC

Às vezes vemos crianças falarem coisas e terem atitudes de fraternidade e de amor muito elevadas. Jovens com responsabilidade, que às vezes assumem a própria família. Como explicar isso?

— É que eles já atingiram um grau de evolução muito maior do que o nosso, e quando encarnam fazem muito melhor do que a maioria.

— Este jovem maduro foi o velho experiente da outra encarnação. Nenhum jovem atinge essa maturidade sem ter sido este velho experiente.

— Muitas pessoas, quando passam dos 60 anos, dizem que não gostam de envelhecer. Mas quem não aproveitar a melhor fase da encarnação, que é a velhice, não será este jovem na próxima encarnação.

— Mais provável que volte uma criança ranheta, um jovem que não sabe o que quer da vida, e um adulto infantilizado.

— Então não deixe de valorizar a melhor fase da vida, que é a velhice.

Você pode me dar um exemplo?

— Claro! Veja Jesus. Ele não frequentou escolas. Não existiam escolas em seu tempo. Existiam os escribas, os que sabiam ler e escrever. Eles eram dados como muito especiais, porque eram raros.

— Mas então onde Jesus aprendeu tudo aquilo? Com 11 anos ele foi ao templo de Jerusalém e deu uma aula aos doutores. Eles ficaram pasmos com a sabedoria que Jesus mostrou.

Será então que Jesus é mais velho que nós?

— Ele está na nossa frente, com toda a segurança, por mais de quatro bilhões e meio de anos. Podemos afirmar isso porque ele construiu nosso planeta, que tem essa idade.

— Essa velhice trouxe a Jesus uma enorme, uma gigantesca experiência.

— Prova disso é esta imensa paciência que ele tem em nos “aguentar”. Ele nos “atura”, ele nos pega no colo quando nos sentimos mal, passa a mão em nossa cabeça, com o maior carinho, com o maior amor.

Poxa, quer dizer então que é bom envelhecer?

— Guardadas todas as diferenças entre nós e Jesus, é um erro grave que o ser humano comete ao querer fugir da velhice.

— Nesta fase, não é preciso escola. Nós podemos aprender as coisas com a escola da vida. Ela não dá diploma para ninguém, mas pode acreditar que esta é a melhor de todas as escolas.

— Então nada de sentir inveja dos jovens: “Ah, se eu pudesse voltar àquele tempo”. Nada disso.

— Cada um, na idade certa, vive seu melhor tempo.

— O jovem vive seu melhor tempo. Mas ele passa. E passa rápido —principalmente agora, que estamos vivendo bastante. A juventude não chega aos 40, nem forçando. Com lipoaspiração, plástica e tudo. Esta é a lição que temos de aprender com Jesus.

E o que devemos querer da velhice?

— Queremos a velhice que constrói o amor e a sabedoria. E este caminho somos nós que construímos. Não vai cair do céu.

O que Jesus falou sobre a velhice?

— Jesus compara a velhice ao fruto da árvore. Lembremos então que a velhice dá os frutos, que contêm o sabor do mel e a beleza da flor.

— O velho que é esperto, que aceita sua velhice com naturalidade e busca edificar em si próprio o amor e a sabedoria, adquire a beleza transcendental. Ela vai além do corpo.

— O velho não precisa da beleza física, porque ele tem uma beleza muito mais importante, que se reflete no corpo espiritual, no perispírito.

— É por isso que há belezas que exalam da pessoa, porque elas vão além do corpo físico.

— A beleza física, ao contrário, está presa ao corpo. É superficial, literalmente, porque está presa à pele.

Então por que as pessoas acham que é bonito ser jovem?

— Deus, já sabendo como iríamos nos comportar, já trouxe a beleza física de forma transitória. Sem ela, inclusive, a humanidade não existiria mais.

— O vigor físico da juventude estimula a própria procriação e, se prestarmos atenção, não é a beleza superficial que atrai, mas os hormônios. Onde está então a razão racional e lógica a dar tanta importância a esta beleza física?

— A velhice, pois, é a melhor idade. É a idade do fruto. Não tente fugir dela, muito menos tente fazer com que ela não atinja você. Busque, sim, a beleza transcendente.

É errado então cuidar do próprio corpo?

— Cuidar do corpo é necessário. Porém, sem exageros.

— Quando só me preocupo muito com meu corpo físico, em manter minha jovialidade, não adianta. Posso prorrogar alguns processos por cinco, dez anos. Mas vou envelhecer.

— E como exagerei muito quando jovem, quando chegar ao fim da velhice vou envelhecer rápido. Veja os atletas como costumam envelhecer rápido —e não é por vaidade, mas por necessidade da profissão. E não porque tiveram uma juventude desregrada, mas fizeram muito esforço.

É verdade que quando a gente desencarna e volta para o plano espiritual a gente fica mais jovem de novo?

— Quando você desencarna, você mantém a forma física que possuía quando desencarnou. Em raros casos, quando o espírito é muito evoluído, ele consegue sair do “casulo” do corpo físico e assumir outra forma.

— Quem é muito vaidoso não consegue se desfazer desse “casulo”.

— Mas aquele que buscou a velhice transcendente, passa um tempo relativamente curto para tirar seu “casulo”, e em pouco tempo percebe: “Como rejuvenesci!” Porque não importa a aparência, mas sim o vigor que o espírito sente.

— Uma parcela já grande dos encarnados, quando desencarna, perde seu “casulo” com uma certa rapidez —um ou dois anos. A partir daí ele passa a se ligar inteiramente ao plano espiritual.

— Isso, claro, depende da beleza transcendental. Ao contrário do que acontece do plano físico, no plano espiritual não se envelhece, ficamos mais jovens.

Será que o Espírito tem idade? Deus então será o mais velho entre todos?

— Simão Pedro, discípulo de Jesus, quando questionado por Tiago sobre sua idade dá um exemplo que vale pela eternidade.

— Vítima de uma chacota do companheiro, silencia e busca-o a sós mais tarde, dizendo: “Tiago, meu irmão, será que o espírito tem idade? Se Deus contasse o tempo como nós, não seria ele o mais velho de toda a Criação? E que homem do mundo guardará a presunção de se igualar ao Todo-Poderoso? Um rapaz não conseguiria realizar a sua tarefa na Terra, se não tivesse a precedê-lo as experiências de seus pais. Não nos detenhamos na idade, esqueçamos as circunstâncias, para lembrar somente o fim sagrado de nossa vida, que deve ser a edificação do Reino no íntimo das almas”.

— Primeiro, quando foi vítima de uma chacota, Pedro não fica nervoso ou chateado. Ele desculpou, entendeu o que Jesus havia explicado para ele e imediatamente colocou o ensino de Jesus em prática.

— Em vez de se achar inútil pelo que Tiago disse, ele perdoou e esclareceu a seu irmão. O jovem não levou a mal também, porque mais do que falar, Simão colocou amor nas palavras.

— Nada, portanto, de irritação ou depressão. Se você é idoso, compreenda: jovens são mais atirados. Se você é jovem, compreenda também, e respeite, acima de tudo.

A idade sempre nos traz mais sabedoria?

— Depende da forma como enxergo as experiências por que passei e passo. Simão, por exemplo, tirou proveito de sua maturidade e colocou amor nas palavras.

— Mas o efeito dessa forma de enxergar pode ser bom ou ruim —depende do que a gente esteja sentindo na hora que se manifesta, fala com as pessoas e age com elas.

— Se estou com calma, buscando esclarecer com carinho, ponho amor em minhas palavras, e a vibração que vai com a palavra tem um efeito maior que a própria palavra, fazendo a pessoa que está ouvindo se sentir bem.

— Se Simão, em vez de ficar calmo, tivesse explodido, ele iria arrumar uma briga. A vibração enviada geraria um antagonismo, algo que separaria os dois, e não os uniria.

Palestra conferida por Rogério (Espírito amigo) em São Paulo no dia 13/1/2010 durante comentário do capítulo 9 (Velhos e Moços) do livro “Boa Nova”, de Humberto de Campos.

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