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Causa e efeito: os deveres à frente dos direitos

Enviado por on 19/08/2011 – 17:15
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— Moisés não ensinou o olho por olho, dente por dente, como normalmente se diz. Este é o código de Hamurabi, um dos primeiros códigos civis da humanidade. Com a invasão da mitologia nos ensinos de Moisés, assim como nos de Jesus, houve esta confusão.

— O que Moisés disse à respeito deste assunto? Ele inseriu a lei de causa e efeito, mas de forma diferente em relação ao Espiritismo. É a lei da colheita —o que planto, colho. Se você fizer o mal, você está sujeito ao mal. Se você fizer o bem, estará sujeito ao bem.

— Moisés foi o precursor de Jesus. Por isso ele não poderia pregar que fizéssemos o bem só a quem nos faz o bem, e o mal a quem nos faz o mal.

— O que houve é que, naquela época, a oralidade dominava a cultura. Com isso, houve distorções nos ensinos de Moisés. Não por maldade, mas pelo velho: “quem conta um conto, pode aumentar um ponto”.

— Os ensinos de Moisés foram novidade, e como o povo tinha arraigada a cultura mitológica, natural foi que ela permeasse a transmissão dos ensinos do antecessor de Jesus.

A revolução de Jesus

— O Cristo, no entanto, foi radical. Ele derrubou por completo dois conceitos que existiam na sociedade judaica da época. Primeiro, amar e orar pelos inimigos —e isso era revolucionário.

— Outra coisa que Jesus ensinava era que somos todos filhos do mesmo Pai, e portanto somos todos iguais. E isso foi mais revolucionário ainda.

— Imagine alguém poderoso olhar para um escravo e entender que ali estava um igual seu?

— Pense em um rico com grandes propriedades, que cedia comida a muitas pessoas que, sem poder pagar, tornavam-se escravas. Imagine então Jesus trazendo paz a estes escravos, dizendo que eles deveriam suportar com paciência sua situação, pois estavam quitando seus débitos para então serem livres. “Jesus está querendo acabar com nossa sociedade”, deviam pensar os poderosos da época.

Então não deve haver ricos ou poderosos?

— Perceba como os interesses particulares podem causar o mal —hoje chamaríamos esses grupos que se formam em torno de um interesse comum de “lobby”. E isso já existia na época de Jesus.

— É necessário que haja diferenças, não é possível nivelar por baixo. Nem todo mundo pode ser rico, nem todo mundo pode ser pobre.

— Porém, Jesus deixou claro que é pela lei da Caridade que chegaremos ao ponto de equilíbrio.

— A lei da Caridade implanta a lei dos deveres, não dos direitos. Se você tem consciência de que deve cumprir com seus deveres, automaticamente os direitos de todos serão respeitados. E isso é muito mais simples do que é feito hoje.

— Não haverá os multimilionários, nem os miseráveis. E ninguém passará necessidade —é assim que as coisas serão uma vez que o Ciclo de Regeneração estiver instaurado por completo.

— O bom da Caridade é isso. Há muita gente que não tem condição, atitude ou mesmo vontade de conseguir riqueza material. Em uma sociedade baseada na Caridade, essa pessoa não passará necessidade. Porque quem tem não terá nenhum problema em dividir.

— “Então vamos criar vagabundos?”, você poderia pensar. Mas isso não existe. Dividir é uma obrigação. Se a pessoa usa mal, ela cria um débito para ela. Nós, pelo contrário, estamos fazendo a própria parte.

Palestra conferida por André Luiz (Espírito) em São Paulo no dia 24/02/2010 durante comentário do capítulo 10 (O Perdão) do livro “Boa Nova”, de Humberto de Campos (Espírito)

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