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Mediunidade: é preciso ser “santo” para comunicar um Espírito superior?

Enviado por on 14/02/2012 – 22:24 3 Comentários
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  1. A situação moral do médium impede a possibilidade de comunicação de um Espírito superior? Em outras palavras: eu preciso ser “santo” para comunicar um mentor espiritual?
  2. Os próprios Espíritos superiores dizem a Kardec que não. O “Livro dos Médiuns” nos ensina, então, que a chave para ser assistido pelos Espíritos superiores é a boa vontade.

    Vejamos no capítulo XX de “O Livro dos Médiuns”, item 226, pergunta 1:

    “O desenvolvimento da mediunidade se processa na razão do desenvolvimento moral do médium?
    Resposta: Não. A faculdade propriamente dita é orgânica e, portanto, independente da moral (…)”

    Ainda no meio da resposta da pergunta 5 deste mesmo item, eis o que dizem a Kardec: “Um médium é um instrumento que, como indivíduo, importa muito pouco.” Na sequência, na pergunta 8, questiona Kardec:

    “É absolutamente impossível receber boas comunicações por um médium imperfeito?
    Resposta: Um médium imperfeito pode às vezes obter boas coisas, porque, se tem uma boa faculdade, os bons Espíritos podem servir-se dele (…)”

    Vamos entender alguma coisa desta resposta:

    a)   Esse “imperfeito” só pode referir-se às nossas condições de imperfeição moral, e não ao fato de não podermos atingir a perfeição pela evolução, capacidade de que todos somos dotados;

    b)   Se assim não fosse, o contato mediúnico só seria possível com os Espíritos inferiores —e, assim mesmo, inferiores a cada médium que fosse receber a comunicação.

    c)    Mas a própria Codificação é uma prova de que a mediunidade é amplamente possível com os Espíritos superiores, mesmo com nossas muitas imperfeições morais, inclusive com Espíritos puros como Jesus e o Espírito da Verdade, que se comunicaram com Kardec pelos médiuns que trabalhavam com ele.

     

    Voltando ao capítulo XX de “O Livro dos Médiuns”, item 226, na pergunta 11 Kardec questiona:

    “Quais as condições necessárias para que a palavra dos Espíritos superiores nos chegue sem qualquer alteração?
    “Resposta: Desejar o bem e repelir o egoísmo e o orgulho: ambos são necessários.”

    “Desejar o bem” confirma a necessidade da boa vontade. E que maior sinal de boa vontade pode existir que “repelir o orgulho e o egoísmo”? Note que os Espíritos não dizem “ser isento de orgulho e egoísmo”.

     

    Preste agora atenção na resposta da pergunta 12:

    “Se a palavra dos Espíritos superiores só nos chega pura em condições difíceis, isso não é um obstáculo à propagação da verdade?
    Resposta: -Não, porque a luz sempre chega ao que a deseja receber.”

    Aquele “que a deseja receber” não é aquele que tem a sincera boa vontade de se melhorar?

    Fica explícito nesta resposta que os Espíritos elevados, seja qual for a sua categoria, jamais encontrariam qualquer dificuldade em trazer a luz a quem realmente deseja —”a luz sempre chega”.

     

  3. Mas, como fica o problema da sintonia?
  4. Não há nenhum problema. Basta não confundir afinidade com sintonia.

     

  5. E são coisas diferentes?
  6. a)   Muito. Vejamos primeiro o que é afinidade:

    b)   De maneira bem simples, são afins todas pessoas que têm semelhantes tendências e gostos;

    c)    Semelhantes, porque é impossível termos atitudes iguais;

    d)   Duas pessoas que gostam de música são afins porque gostam de música;

    e)    Mas se uma gosta de música clássica e outra de rock, elas não estão em sintonia.

     

  7. Explique então a sintonia!
  8. a)   Para haver sintonia, é preciso, primeiro, que haja afinidade em alguma coisa;

    b)   E também que se goste da mesma coisa;

    c)    Duas pessoas que gostam de música clássica têm afinidade por música;

    d)   E estão em sintonia, porque as duas gostam de música clássica.

     

  9. Então para ter afinidade não é preciso ser igual?
  10. a)   Claro que não. Basta apenas gostar de coisas semelhantes;

    b)   A afinidade em tudo só existe na perfeição;

    c)    Você pode ter afinidade em música, e não ter pelo time de futebol;

    d)   Pode-se ter afinidade e sintonia, em se torcer pelo mesmo time de futebol, e nada em relação à música;

    e)    Esse é o grande erro que se comete: achar que para ter afinidade é preciso ser semelhante em tudo;

    f)     Se assim fosse, ninguém poderia ajudar a ninguém, e na perfeição todos os Espíritos seriam iguais;

    g)   Para Jesus vir até nós e nos orientar, seria preciso que fôssemos todos afins com o Mestre;

    h)   Não haveria nenhum sentido em orar, pois seria necessário que tivéssemos completa afinidade com Deus para podermos ser ajudados por ele. Isso é impossível. Já pensou?

     

  11. E com a sintonia?
  12. É a mesma coisa, com a agravante que além da afinidade, seria preciso gostar da mesma coisa.

     

  13. E o que a boa vontade tem a ver com tudo isso?
  14. Tudo, desde que ela seja totalmente sincera e destituída de qualquer forma de orgulho e egoísmo.

     

  15. Como…?
  16. Ora, pense comigo:

    a)   Se o Espírito é realmente superior, ele quer somente fazer o bem? Certamente;

    b)   E para fazer o bem, é preciso ter boa vontade? É óbvio que sim;

    c)    Se o bem que, como desencarnado, ele deseja fazer, é para nós encarnados, ele precisará de um encarnado para fazer uma mensagem ou benefício chegar até nós? A nós, parece que sim.

     

  17. Mas, se ele for muito, muito evoluído, ele encontrará alguma dificuldade em conseguir um médium, é claro considerando que existam médiuns disponíveis?
  18. De acordo com as respostas dadas pelos Espíritos superiores a Kardec em “O Livro dos Médiuns”, poderiam até encontrar alguma dificuldade, mas nada insuperável.

     

  19. Eu pergunto como?
  20. Basta encontrar alguém com boa vontade e segurança em recebê-lo.

     

  21. E se ele não encontrar?
  22. Ele superaria o problema, usando um nome desconhecido e também, sua ascendência moral.

     

  23. Mas isso não seria mentir?
  24. a)   Claro que não. Ele faz isso por ser necessário esclarecer;

    b)   Para evitar mentir, ele pode inclusive omitir seu nome na comunicação;

    c)    Como a atitude mítica dos médiuns impede de que ele seja aceito com seu nome conhecido, ele cumpre com sua obrigação dessa maneira;

    d)   Onde está a mentira, se o que importa é o conteúdo moral e evangélico da orientação?

    e)    É preciso lembrar sempre que o que importa não é o nome, e sim o conteúdo.

     

  25. E se, apesar da boa vontade, o médium for pouco esclarecido moralmente?
  26. a)   É aí que está toda a beleza da verdadeira mediunidade com Jesus:

    b)   Independente de sua condição, com sua boa vontade humilde e sincera, o médium cria instantaneamente uma afinidade e também sintonia com o Espírito superior;

    c)    Isso porque, ainda que pelo pequeno instante da preparação e da comunicação, ambos têm a afinidade e a sintonia do desejo sincero de fazer o bem.

     

  27. Só isso é suficiente?
  28. Se a boa vontade do médium for humilde e caridosa, sim.

     

  29. A afinidade fica fácil compreender, por causa da boa vontade. Mas a sintonia, não.
  30. Vamos entender com um exemplo:

    a)   Todo equipamento de rádio tem uma peça chamada “dial” (sintonizador);

    b)   É por meio desta peça que sintonizamos a rádio que queremos ouvir;

    c)    Se você prestar atenção, verá que o sinal vem sempre da estação de rádio para o aparelho, e nunca ao contrário;

    d)   Se não fosse assim, todos os defeitos dos aparelhos de rádios interfeririam na estação transmissora;

    e)    Os Espíritos superiores são como estações de rádio —eles têm um “dial” moral tão bem regulado que conseguem sempre sintonizar qualquer médium que tenha a necessária boa vontade, independente da condição moral deste médium;

    f)     Por sua ascendência moral, os Espíritos superiores também conseguem impedir que qualquer desequilíbrio do médium os atinjam, da mesma forma que um problema em um aparelho de rádio não interfere na qualidade do sinal da estação;

    g)   Mostrando que a única coisa que um médium precisa é da humilde, caridosa e honesta boa vontade.

     

  31. E os Espíritos superiores fazem isso?
  32. a)   Muito mais do que pensamos;

    b)   Mas por causa dos mitos que criamos em torno deles, acabam dando nomes desconhecidos, ou às vezes nem nomes dão;

    c)    Só assim conseguem ser recebidos sem passar por mistificadores, pois sem os nomes que mitificamos (criamos mitos), são aceitos pelo conteúdo do que passam;

    d)   Isso confirma o que o nosso Chico dizia: “o telefone sempre toca de lá (mundo espiritual) para cá”.

     

  33. Mas se o sinal não volta, como eles nos ouvem?
  34. a)   Simples: quem precisa de intermediários para ouvi-los somos nós: daí a necessidade dos médiuns;

    b)   Eles, ao contrário, não precisam de intermediários, pois podem nos ouvir diretamente;

    c)    Assim o sinal, via médium, só vem de lá para cá, afetando somente o médium;

    d)   Como o Espírito é superior, a interferência sobre o médium será sempre agradável;

    e)    E esta é uma maneira segura de saber que tipo de Espírito está se comunicando: treinar a sensibilidade vibratória para sentir que tipo de vibração está nos envolvendo, pois um Espírito inferior pode mistificar tudo, menos a vibração;

    f)     Daí também a conveniência de trabalhar com outro (ou outros) médiuns com tal treinamento, para também fazer tal verificação;

    g)   Lembrando também que todo bom trabalho espiritual deve sempre ter os principais médiuns: os médiuns de sustentação, que também podem treinar tal sensibilidade.

     

  35. Será que eu poderia fazer uma pergunta um tanto…?
  36. Olha o mito! Qualquer pergunta, desde que feita com respeito e educação, pode ser feita, dando sempre a oportunidade de esclarecimento.

     

  37. E os Espíritos perfeitos? Do jeito que você falou, nada impede que eles se comuniquem também… mas isso está me parecendo improvável.
  38. a)   Veja o que a mania de “santificarmos” as coisas faz conosco: perdemos a capacidade de raciocinar e analisá-las como são;

    b)   Se os Espíritos superiores conseguem facilmente se isolar de qualquer desequilíbrio de um médium, por maior motivo ainda os Espíritos perfeitos o fariam;

    c)    E isso com perfeição, pois obviamente, eles são perfeitos;

    d)   Eles têm a capacidade perfeita de se irradiar e interagir com a Criação;

    e)    Fazem o bem com perfeição, podendo receber somente o retorno do bem;

    f)     Seu “dial moral” é perfeito, portanto, capaz de realizar qualquer sintonia, da mais elevada até a mais inferior;

    g)   Sua vibração é tal que torna impossível qualquer retorno infeliz;

    h)   Imagine como seria com Deus se assim não fosse, já que ele envolve em seu oceano de amor toda a sua criação, desde os mais primários, até os mais sublimes;

    i) E vale lembrar que a própria Codificação Espírita possui ao menos uma mensagem de autoria de Jesus de Nazaré. Está em “O Livro dos Médiuns”, capítulo 31 (Dissertações Espíritas), Sobre o Espiritismo, item 9.

     

  39. Então Espíritos puros podem se comunicar mediunicamente?
  40. a)   Com muito mais facilidade que os não perfeitos;

    b)   Basta que não os tratemos como mitos;

    c)    É claro que também só o fazem para coisas muito úteis.

     

  41. Mas você não acha que isso poderia criar uma “cascata” de mistificações?

a)   Se, como se diz, “liberar geral”, sim;

b)   Porém se entendermos que de Espíritos perfeitos só podem vir coisas sublimes e de interesse geral;

c)    Se tivermos todo o cuidado de analisar tudo com a maior critério, deixando de lado qualquer resquício de vaidade e egoísmo;

d)   Se nunca pedirmos para que eles venham até nós, mas lembrarmos que o telefone toca de lá para cá;

e)    Se procurarmos ainda com muita seriedade treinar nossa percepção vibratória;

f)     E, em caso de dúvidas, usarmos os Atributos de Deus na análise;

g)   Se lembrarmos sempre que a maior importância é o conteúdo da comunicação, e não o nome dado, buscando, se possível, a ajuda de pessoas mais experientes;

h)   Teremos sim a chance de receber comunicações de Espíritos perfeitos, porém, sempre com todos os cuidados mencionados.

3 Comentários »

  • Isabel Garcia disse:

    Olá,

    Sou portuguesa, residente numa cidade do centro do país, Leiria, e tenho um pedido de esclarecimento a lhe fazer …

    A mediunidade é uma faculdade orgânica, portanto, inerente ao corpo físico, certo? Li num livro espírita que espíritos, no plano espiritual, têm mediunidade, fiquei confusa. Será que me pode esclarecer este ponto , pois no Livro dos Médiuns, mediunidade é uma capacidade/faculdade humana que permite uma comunicação entre homens e espíritos, no plano espiritual somos todos espíritos, então como ficamos ?

    A minha pergunta vem na sequência desta frase lida num livro de “cunho espírita”.

    “Quando silenciou, completara-se a materialização do visitante especial no tubo de luz, graças à contribuição das médiuns que lhe ofereceram a substância própria para o acontecimento …”.

    Este acontecimento decorre no plano espiritual entre espíritos. Como pode um espírito desencarnado ser médium de outro, também ele desencarnado?

    Muito obrigada,

    Isabel

    • Olá Isabel,

      Sua dúvida é muito interessante!

      A mediunidade como você a definiu é como consta sim da Codificação e de algumas obras Espíritas, a maioria delas escritas por médiuns, assim como nós, imperfeitos. Acreditamos, desta forma, que é um conceito passível de aperfeiçoamento e ampliação de compreensão.

      Aqui no Brasil consideramos muito, além da Codificação, a obra de Francisco Cândido Xavier, grande médium que psicografou mais de 400 livros em português do Brasil. Talvez você o conheça —e aproveito até para lhe perguntar se as obras do Chico Xavier são bastante divulgadas aí em Portugal.

      Em uma de suas obras, “Nosso Lar”, do Espírito André Luiz, relata o autor espiritual um sonho que tem certa noite, já desencarnado, com sua mãe, que habitava um plano superior ao dele. Ora, se o sonho é um desdobramento do Espírito, como alguém desencarnado pode sonhar?

      Ora, como você disse, no plano espiritual somos todos Espíritos sim, mas em diferentes estágios de evolução —e, portanto, em diferentes planos.

      Aí compreendemos que, que quando desencarnamos, permanece o Espírito envolto pelo períspirito, envoltório mais leve que o corpo físico e o duplo etérico (“cola” que imanta o físico ao períspirito), porém ainda material. O perispírito, portanto, ainda é um corpo.

      Se a mediunidade é uma faculdade orgânica, poderíamos então compreender que ela está não só no corpo físico, mas também em nossos corpos espirituais. É como se a cada plano a que nos elevamos fossemos nos despindo de corpos mais densos, até chegar à perfeição (Kardec usa o termo “Espírito puro”).

      É por isso então que um Espírito desencarnado pode sonhar. É como se ele se desdobrasse do plano em que está para um plano superior. Além do sonho, viemos a descobrir em outras obras de André Luiz outros exemplos de mediunidade no plano espiritual, entre elas: materialização astral de Espíritos de planos superiores ao da comunicação (similar ao exemplo que você citou), voz direta, entre outros.

      Nossos guias espirituais têm nos instruído a respeito dos diversos planos acima do físico. Temos notícia de pelo menos três planos astrais (básico, intermediário e superior), o plano mental e, depois dele, a perfeição, em que o Espírito propriamente dito, ou Ego, atua sob a matéria sem precisar de um corpo. Nesse estágio, o Ego pode materializar-se no plano que quiser, e também criar para si um perispírito, como foi o caso de Cristo, quando reencarnou entre nós.

      Assim, podemos compreender a mediunidade sim, como faculdade orgânica, mas também uma faculdade do Espírito em se comunicar com outros planos de existência.

      Esperamos ter ajudado Isabel! Muito obrigado por escrever, e fique à vontade para comentar, sugerir ou tirar dúvidas, está bem?

      Abraços fraternos aqui de São Paulo, Brasil!

      Equipe do Blog

  • Bruno Botelho disse:

    Parabéns…à Isabel Garcia, pela excelente pergunta, que é útil à todos nós que buscamos nos instruir, e à equipe do blog, pela resposta, dada com muito discernimento e bom-senso! O espiritismo tem que ser bem compreendido, e o será, também, através de esclarecimentos como esse!

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