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O Espiritismo aperfeiçoado no amor

Enviado por on 30/04/2012 – 13:15 2 Comentários
Abhisek Sarda/CC

“No amor não há medo. Antes o perfeito amor lança fora o medo; porque o medo envolve castigo; e quem tem medo não está aperfeiçoado no amor.” (1 João 4:18)

É possível não ter medo de nada?

— Sim, é perfeitamente possível;

— O Espírito pode alcançar esse estágio ainda muito antes de atingir a perfeição;

— Basta, para isso, seguir o conselho do querido apóstolo de Jesus: aperfeiçoar-se no amor.

 

Quer dizer então que só sente medo aquele que ainda não sabe amar?

— Poderíamos dizer que a causa do medo é o desconhecido, o inexplorado, aquilo que foge ao entendimento racional ou emocional;

— Porém, a falta de conhecimento é um estado natural do Espírito, criado simples e ignorante;

— Admitir que a falta de conhecimento, portanto, fosse capaz de gerar um sentimento ruim seria negar a capacidade de Deus em criar a seus filhos um caminho evolutivo feliz.

 

Ora, então qual é a causa real do medo?

— Pense comigo: o homem terreno já caminhou consideravelmente nos trilhos da inteligência racional, alimentada pelo conhecimento;

— Em pouco mais de um século, dominou a eletricidade e já sonda os escaninhos do plano astral;

— Porém, nos últimos milênios pouco desenvolveu sua inteligência emocional, recorrendo raramente à moral cristã e à Caridade;

— Por um lado, sente-se dominando o mundo visível, e sua razão lhe diz que tem grande conhecimento;

— Por outro, sente-se à mercê das próprias emoções, vítima do orgulho e do egoísmo que lhe aguilhoam a alma;

— Seu desequilíbrio moral causa fomes e guerras, define contendas e sela destinos transitórios;

— Sua egolatria, dizendo-se maestro do mundo material, esconde vaidosamente as lacunas morais de que ainda é portador;

— Sua vaidade pode até abafar a voz da própria consciência, mas ao fugir de si mesmo, encontra-se imperfeito no espelho do próximo;

— Mas quanto mais julga, mais o homem está fugindo —e quem foge, senão quem é vítima do temor?

— Temor de si mesmo, considerando-se senhor do mundo, sem assenhorear-se de si mesmo;

— Eis aí a origem real de todo o medo: o orgulho e o egoísmo.

 

Quer dizer que todo medo tem origem no orgulho?

— Sim, e isso foi reforçado pela visão mitológica de Deus.

 

Como assim?

— A compreensão real sobre Deus liberta o homem da mitologia;

— Se Deus é dotado do Supremo Bem e do Supremo Amor, ele só pode estar associado com o que for bom;

— A mitologia sempre associou Deus à ideia de castigo, de punição, de purgação;

— As Igrejas retomaram o Deus Terror da mitologia, na tentativa de dar a César o que era de Deus e manter seu poder transitório;

— Abafaram a visão amorosa de Deus trazida por Jesus, e retomaram o Deus mitológico, ser infinitamente poderoso que pode me punir se eu falhar;

— Ora, é inevitável que eu tenha medo de alguém assim;

— Mas pense no Deus Amor que Jesus trouxe até nós: ele perdoa infinitas vezes mais que setenta vezes sete;

— É esta visão de Deus que o Espiritismo precisa recuperar;

— O Espiritismo começou a restabelecer o Cristianismo com Allan Kardec;

— O Espiritismo Cristão chegou ao Brasil tirando proveito do amor e da devoção dos adeptos do Catolicismo e da Umbanda;

— E o Espiritismo Consolador, que será trazido ao plano físico pelo Espírito da Verdade e sua falange, riscará de vez a mitologia e instaurará o Deus Consolador como a base fundamental da sociedade.

 

Mas o Espiritismo já não é o Consolador prometido por Jesus?

— O Consolador prometido por Jesus é o Espírito da Verdade;

— O Espiritismo é obra do Espírito da Verdade, e não o Consolador em si;

— E, como obra, ainda está inacabada —e sabe por quê?

 

Não.

— Porque ainda não está “aperfeiçoado no amor”, como recomendou João.

 

Agora você está desonrando a Doutrina… como assim, o Espiritismo não está aperfeiçoado no amor!?

— Ora, você já deve ter frequentado algum centro espírita;

— Você também já deve ter ouvido palestras ou tomado passes;

— Você já deve ter ouvido falar em obsessores, em Umbral, Trevas, trabalhos feitos, passes fortes…

— Seja sincero consigo mesmo: a forma como os espíritas falam destes temas inspira mais amor ou mais temor?

— Como os espíritas ensinam a tratar os obsessores: como alguém de quem tenho que me livrar, ou como alguém a quem tenho que ajudar? (Aliás, chamar um irmão de obsessor já demonstra imensa falta de Caridade)

— Quando os espíritas falam de Umbral ou de Trevas, você se sente capaz de ir até lá para socorrer alguém, ou preferiria passar longe?

— Foi esta a atitude de Jesus quando encarnado, ou ele buscou exatamente os que sofriam e choravam?

— Se um espírita encontra pelo caminho com um irmão de religião diferente da sua, entende que cada um tem um caminho rumo ao Pai, ou julga-se intimamente superior ou digno de uma doutrina mais evoluída?

— Se Jesus recomendou que, se quiséssemos falar com o Pai, buscássemos o aconchego de nosso quarto, por que tantos espíritas continuam acreditando que tomar passes é mais valioso que fazer um Evangelho no Lar e orar aos Espíritos amigos na própria casa?

 

Nossa! Você tem razão… às vezes acho que o Espiritismo não conseguiu tocar de jeito meu coração.

— É porque, além dos erros contidos na Codificação Espírita, muitos espíritas no Brasil tiveram formação católica;

— E o catolicismo, apesar de sua grande missão em perpetuar o exemplo de Jesus Cristo, perpetuou também a mitologia romana;

— É o caso da Santíssima Trindade, do mito do pecado e da punição, do julgamento após a morte, entre tantos outros mitos e distorções.

 

Como então o Espiritismo pode se aperfeiçoar no amor, como recomenda João? Como posso eu também me aperfeiçoar?

— O primeiro passo é buscar a compreensão real de Deus;

— Quem é nosso Paizão, de verdade?

— Ele está longe de mim, ou não pode haver alguém mais perto?

— Como ele é? Ele pode querer algo para mim que não seja o bem?

— Se o Pai está no controle de tudo, pode acontecer alguma coisa de errado comigo?

— Se então o mal não existe, o que são essas dificuldades por que passo em minha vida?

— Preciso ser perfeito para praticar o bem? Preciso ser perfeito para ser médium?

— Ou só vou conseguir ser perfeito começando a fazer o bem ou praticando a mediunidade?

— E Jesus? Quem é ele de verdade? Há gente que trabalha com ele? Quem são eles?

— Posso conversar com Jesus? Posso conversar com seus mensageiros? Ou eles vivem em outro mundo, distante e “santificado”, e “não se misturam” ou não têm tempo para gente imperfeita?

 

Todas essas perguntas devem palpitar na mente e no coração de todo irmão que tem buscado a verdade.

Allan Kardec ajudou a começar a compreendê-las, mas além de ter sido o pioneiro, ainda estava por demais imerso na cultura católica e francesa da época para atingir a compreensão completa de todas as consequências que a Doutrina Espírita teria.

Chico Xavier traduziu o Espiritismo para o Brasil, alinhando-o com o Deus Consolador, mas ainda com grande sotaque católico —que também hoje sofre influências das religiões afro-brasileiras que ajudaram a formar a cultura brasileira no cadinho dos últimos séculos.

Mas se os primeiros Espíritas respiraram a cultura católica dentro de casa, os Espíritos que ora reencarnam já podem nascer em berços Espíritas, trazendo do Plano Espiritual a perfeita intuição das influências culturais automatizadas por séculos e que devem começar a ser removidas da Doutrina.

Se já dotados de algum esclarecimento e Caridade, podem até compreender, mas não concordar com alguns comportamentos tomados pelo meio Espírita, que criou rituais de Caridade e institucionalizou a mediunidade —algo que o aproxima mais da Igreja que da simplicidade das irmãs Boudin ou das noites de atendimento fraterno em Pedro Leopoldo e Uberaba.

Muitos podem começar a ficar confusos, e é por isso que, ao chamado de Jesus e do Espírito da Verdade, estamos vindo ao socorro de seus entendimentos, para que renovem sua confiança na atuação do Pai e compreendam que têm um papel fundamental na renovação de significados que Doutrina Espírita será convidada a fazer nas próximas décadas.

Não temam, pois, filhos, porque as línguas de fogo estão sobre suas cabeças —elas são a metáfora da palavra iluminada que nós outros, Espíritos da Seara de Jesus e do Espírito da Verdade, voltamos a enviar ao plano físico para que se cumpra a Suprema Vontade daquele que nos criou. E esta vontade nos aponta para a felicidade pelo caminho da Caridade, que sabe silenciar nos momentos de testemunho e renúncia, mas é a primeira a fazer ouvir sua voz quando é preciso afiançar a Verdade.

Ao compreender o Deus Consolador e abraçar a Humildade, terão caminho livre para construir e reconstruir seus caminhos, sempre através da Caridade.

Que a palavra seja a enxada, e o exemplo as sementes. Eis um novo campo proposto pelo Pai ao labor daqueles que retornam à lide como trabalhadores das primeiras horas do Mundo de Regeneração. Vamos pregar e amar o Deus Consolador, que nos libertará de todo o medo, e conduzirá nossos passos à felicidade real.

Agostinho (Espírito)

O que teve início como uma conversa mental com o Espírito comunicante gerou esta mensagem, psicodigitada pelo médium Francisco Madureira em São Paulo no dia 15/3/2012.

2 Comentários »

  • Raquel disse:

    Concordo com tudo. Oque será dos espíritos que se perdem se não houver pessoas caridosas para aceitá-los e orar por eles.
    Já estive algumas vezes em centros espíritas e minha visão é que estão literalmente parados no tempo. Sempre as mesmas palestras e passes e quando dizemos que não estamos bem a ideia é afastar oque está nos fazendo mal.
    Porém, passei por uma experiência inusitada que associei a um despertar espiritual. E durante alguns dias, meu lar esteve carregado de energias negativas. Minha família que é evangélica logo associou a algo ruim. Porém, veio em minha mente, como inspirações, que eu encarnei para ajudar alguns amigos que se perderam, pois eu já havia passado por essa situação.
    Devemos parar de temer a nossos irmãos que se encontram numa situação difícil, pois sabemos que por trás de todo ser existe amor, mesmo que for uma pequena fagulha. Façamos por eles oque pudermos e oque gostaríamos que fizessem por nós nessa situação. Oremos e ajudemos a estes irmãos no caminho.
    Obrigada pelos esclarecimentos
    Grande abraço.

    • Caríssima Raquel,
      Nós é que agradecemos seu espírito de compreensão.
      A experiência de nosso grupo é muito grande nesse campo, pois há várias décadas nos dedicamos a esse tipo de trabalho. Com certeza, não é possível parar no tempo.
      Persistindo, pudemos entender a capital importância de nos dedicarmos aos nossos irmãos em processos dolorosos.
      Um grande abraço e continue conosco,
      Equipe do Blog

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