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Jesus e a luta contra o mal: o diabo nunca existiu

Enviado por on 12/12/2012 – 20:00
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No início do capítulo 7 do livro “Boa Nova”, Humberto de Campos (Espírito) explica o significado de “diabo” na época de Jesus: “A palavra ‘diabo’ era então compreendida na sua justa acepção. Segundo o sentido exato da expressão, era ele o adversário do bem, simbolizando o termo, dessa forma, todos os maus sentimentos que dificultavam o acesso das almas à aceitação da Boa Nova e todos os homens de vida perversa, que contrariavam os propósitos da existência pura que deveriam caracterizar as atividades dos adeptos do Evangelho.

 

  1. Quer dizer que essa história de diabo não existe?
  2. a) Essa explicação é muito importante: na época de Jesus, diabo, demônio, satanás etc. eram todos os seres humanos encarnados ou desencarnados que gostavam de praticar o mal;

    b) A própria Mitologia não ensinava as penas eternas —você pode ver isso melhor na primeira parte do livro “O Céu e o Inferno”, de Allan Kardec;

    c) Sem dúvida, quem começou com esses ensinos que contrariam todos os atributos de Deus —sobre alguém tão poderoso quanto Deus e dedicado eternamente ao mal— foi a Igreja.

     

  3. O livro “Boa Nova” conta sobre como os encontros do Mestre com os endemoninhados constituíam os fatos que mais impressionavam os apóstolos:
  4. a) O termo “endemoninhado” nada tinha a ver com estar envolvido pelo demônio;

    b) Mas, como ele diz, por espíritos malfazejos, que nada mais são que os obsessores de hoje;

    c) O apóstolo Tadeu ficava sempre muito impressionado com a forma que Jesus os afastava, com amorosa determinação e com a rapidez que o seu amor permitia;

    d) O que nos mostra a melhor maneira de operar uma desobsessão.

     

  5. Em seguida, Humberto de Campos (Espírito) descreve como Tadeu não conseguiu livrar uma mulher de seu envolvimento por Espíritos perturbadores.
  6. a) Tadeu ficou chateado por não ter conseguido ajudar a mulher;

    b) Pensava o discípulo: por que Jesus não lhes transmitia automaticamente esse poder?

    c) Afinal, com isso poderiam estes trabalhadores do bem dominar com facilidade os inimigos do Evangelho;

    d) Por que não se juntava, de uma só vez, todos os espíritos voltados para o mal e Jesus, com sua autoridade, resolvia em definitivo o problema?

    e) Não seria bem mais fácil?

     

  7. Pois é! Por que Jesus não converteu a todos ao Reino dos Céus, pela sua autoridade?
  8. a) Isso só não acontece porque Deus não pode ser um tirano;

    b) Senão Jesus nem precisaria fazer tal coisa —Deus mesmo já nos teria criado perfeitos;

    c) E assim não passaríamos de belos robôs, sem vontade própria;

    d) Pela Lei do Livre-Arbítrio, Deus nos dá plena responsabilidade por nossa evolução;

    e) Isso inclui a felicidade por nossas conquistas, e também a felicidade do trabalho para superar nossas dificuldades.

     

  9. Jesus pergunta a Tadeu: “Qual o principal objetivo de sua vida?” e Tadeu responde: “realizar o reino de Deus no coração”. Em seguida o Mestre explica:
  10. a) Se ainda temos a necessidade de realizar o reino de Deus em nossos corações significa que ainda não fizemos, ou seja, que precisamos aprender a amar o próximo;

    b) Como exigir de alguém aquilo que não temos?

    c) Como querer ensinar a alguém a corrigir seu comportamento, se não sabemos fazer aquilo que queremos ensinar?

    d) É por isso que atualmente os trabalhadores da espiritualidade sempre nos dizem que antes de querermos ensinar, é preciso aprender como fazer;

    e) Porque, afinal, nosso exemplo ensina muito mais que as palavras.

     

  11. Em seguida Jesus faz uma afirmação muito importante: “Se buscamos atingir o infinito da sabedoria e do amor em Nosso Pai, indispensável se faz reconheçamos que todos somos irmãos no mesmo caminho”.
  12. a) Somos todos irmãos a caminho do infinito da sabedoria e do amor em Deus;

    b) Todos estamos a caminho da perfeição, e chegaremos lá;

    c) Jesus, em sua reaparição aos discípulos após sua morte, deixou para nós a certeza de que todos chegaremos lá, no infinito da sabedoria e do amor de Deus;

    d) Independente de nossa situação, todos nos corrigiremos e chegaremos lá;

    e) Não há deserdados do amor de Nosso Pai;

    f) Não existem, portanto, demônios e penas eternas, infernos e castigos; apenas ensinamentos, aprendizados e a evolução para a perfeição.

     

  13. Mas só isso que você disse não prova que não existe o diabo e os demônios.
  14. a) Mais do que eu disse, o bom senso, a lógica e a razão provam;

    b) Não há como entender Deus, a não ser como o SER SUPREMO;

    c) Assim ele está acima de tudo o que possamos imaginar e também nem sequer imaginar;

    d) Mas Deus só estará acima do que podemos imaginar se ele tiver a SUPREMA INTELIGÊNCIA e também a SUPREMA MORAL,

    e) Como inteligência e moral são as duas asas da sabedoria, podemos dizer que o pai tem a SUPREMA SABEDORIA;

    f) Sabedoria é usar bem o conhecimento e o poder que se tem;

    g) Se Deus fizesse qualquer coisa de errado, um pequenino mal que fosse, ele já não seria mais o ser supremo, pois não teria a sabedoria suprema;

    h) Se tudo no Universo é criação do Pai, que pensar de alguém que criasse um ser ou vários seres eternamente condenados à infelicidade?

     

  15. De onde surgiram essas ideias de satanás, demônios e inferno?
  16. a) De Jesus certamente não foi;

    b) Jesus, sendo um Espírito perfeito, não poderia ensinar nada de errado;

    c) Se Jesus não pode errar, Deus menos ainda;

    d) E nós erramos, e muito —alguns de nós ainda fazemos grandes maldades;

    e) Essa história de dizer que Deus é um ser humano como nós nada tem a ver com a realidade. É pura mitologia;

    f) Nossa semelhança com Deus nunca pode estar em nossas formas materiais, que são sempre transitórias, mas em nossa realidade eterna, que é a espiritual;

    g) E como Jesus só poderia ensinar o certo, quem erra é quem ensina o contrário de tudo isso —ou seja, quem ensina a existência de inferno, demônios, penas eternas, um Deus humano etc.

     

    É por isso que, por intermédio de Humberto de Campos (Espírito), Jesus, o Espírito da Verdade e toda sua falange nos mandaram, através da segura mediunidade de Chico Xavier, “Boa Nova”, este livro ímpar, que esclarece o que Jesus realmente ensinou.

     

    Não só para nós espíritas, mas para todos os que estão em busca da verdade cristã, da verdade sobre Deus, e como ele nos trata, independente de crença ou descrença, este é o melhor roteiro de que dispomos.

     

    “Boa Nova” completa, desta forma, o caminho iniciado com “O Evangelho segundo o Espiritismo”, ao remover do Evangelho a Mitologia das Igrejas e mostrar o que Jesus realmente ensinou.

  17. Em seguida, quando Tadeu pergunta a Jesus se os Espíritos do mal são também nossos irmãos, eis a resposta do Mestre: “Toda a criação é de Deus. Os que vestem a túnica do mal envergarão um dia a da redenção pelo bem. Acaso, poderias duvidar disso?”
  18. a) Aqui Jesus deixa claro que ninguém será mal para sempre;

    b) Isso está totalmente de acordo com os atributos (as qualidades) de Deus;

    c) Para deixar claro, o Mestre ainda diz com firmeza: “Acaso, poderias duvidar disso?”

    d) Jesus nos deixa a racional e lógica certeza de que nós, através da evolução, é que buscamos a Deus, e que fatalmente chegaremos lá;

    e) Independente de nossa situação, sempre seremos irmãos.

     

  19. Continuando a esclarecer o apóstolo Tadeu sobre os Espíritos que praticam o mal, diz Jesus:
  20. a) Irmãos nunca devem se combater;

    b) O mal é apenas uma questão de ignorância de como fazer o certo;

    c) Diz Jesus que devemos agir “(…) como o Pai trabalha incessantemente pela vitória do seu amor, junto à humanidade inteira”;

    d) Deus olha sempre por toda a humanidade, e nunca privilegia ninguém;

    e) E o seu amor sempre vencerá;

    f) Nós nunca devemos julgar nossos irmãos, mas antes ajudá-los;

    g) Se for para avaliar o comportamento de alguém, que seja para nos esclarecer, e também, pelo uso da Caridade, mostrar com o exemplo como ele deve agir.

     

  21. Insistindo Tadeu em perguntar por que não esclarecer a todos logo de uma vez, Jesus diz:
  22. a) “Acaso poderia nosso amor ser maior que o de Deus?”

    b) Ou seja, poderíamos nós amar mais que ele?

    c) Não seria vaidade de nossa parte querer adiantar a hora dos outros, quando nós mesmos precisamos de nosso tempo?

    d) Diz ainda Jesus que nunca devemos fugir da boa luta, pela vitória do bem, por maior que seja a dificuldade;

    e) E por maior que seja a nossa necessidade de esforço, nunca devemos esquecer de nossos deveres e obrigações;

    f) Lutar pela vitória do bem é sempre esclarecer a verdade;

    g) Quem quer estar com Jesus jamais deve compactuar com o erro;

    h) Compactuar com o erro é fugir à boa luta através de atitudes de hipocrisia;

    i) E é uma grande falta de Caridade, pois ao negar esclarecimento, permitimos que nosso irmão continue agindo errado.

     

  23. Em seguida, o Mestre faz importantes esclarecimentos para todos nós, exemplificando como devemos trabalhar pela vitória da luz, mantendo-nos atentos aos nossos próprios deveres:
  24. a) “Os inimigos do reino se empenham em batalhas sangrentas? Não olvides o teu próprio trabalho”, ou seja, continue trabalhando pela vitória do bem;

    b) “Padecem no inferno das ambições desmedidas? Caminha para Deus”: continue trabalhando pela vitória do bem, pois pelo teu exemplo mostrará como fazer;

    c) “Lançam a perseguição contra a verdade? Tens contigo a verdade divina que o mundo não te poderá roubar, nunca”: a verdadeira felicidade está na consciência tranquila do dever da Caridade cumprido;

    d) Isso porque a verdade divina é o trabalho pela vitória do bem, ou seja, a prática da Caridade em todas as ocasiões;

    e) Por mais que se insista, a verdade não mudará nunca;

    f) E não vamos esquecer que não existem meias verdades, mas compreensões parciais dela. Por isso é que as opiniões mundanas jamais poderão mudá-las;

    g) Por maiores que sejam os bens materiais que se tenha, todos teremos que nos dobrar perante a morte;

    h) Dando-nos um carinhoso “puxão de orelha”, Jesus deixa claro que quando desencarnarmos, nossa consciência não nos pedirá contas das obrigações que são de Deus —mas de nossas próprias;

    i) Veja a total incoerência de querermos saber ou poder mais do que Deus

    j) É nosso orgulho que nos leva a ter este “complexo de Deus” —deixemos este complexo de lado!

     

  25. Na sequencia, pergunta o Mestre: “Que diríamos de um rei justo e sábio que perguntasse a um só de seus súditos pela justiça e pela sabedoria do reino inteiro?”
  26. a) Fica evidente que Deus nos respeita muito, pedindo-nos apenas aquilo que formos capazes de fazer, jamais ultrapassando nossa capacidade;

    b) A Parábola dos Talentos mostra bem isso;

    c) A ele, com sua supremacia, cabe tais trabalhos;

    d) Portanto, se nos sentimos sobrecarregados, nunca é por causa do que Deus nos pede, mas sempre porque tentamos tomar o lugar dele;

    e) Eis ainda porque é importante entendermos que a vontade de Deus é a melhor para nós;

    f) Com ela, com certeza, não nos sobrecarregaremos.

     

  27. Quando esclarece que “a cada dia basta o seu trabalho”, o Messias está dizendo que, por causa de nossas limitações, devemos nos preocupar em fazer aquilo que sabemos.
  28. a) Ao cumprir com a Caridade que o dia me propõe, estarei seguindo a lição que Deus preparou para mim naquele dia;

    b) Com humildade, reconhecerei que cada dia trará o exato trabalho que preciso para completar uma lição;

    c) E a cada lição cumprida, terei um pouco mais de capacidade;

    d) Com muitas lições humildemente cumpridas, vou conquistar mais capacidade, sem mesmo perceber —eis aí nossa Evolução Espiritual;

    e) Só após cumprir com as pequenas lições do dia vamos adquirir condições de aprender coisas maiores;

    f) Dessa forma, nunca vamos nos sobrecarregar —e receberemos sempre mais lições do Pai. Novamente a Parábola dos Talentos.

     

  29. Jesus explica a Tadeu que “o adversário é sempre um necessitado que comparece ao banquete de nossas alegrias”.
  30. a) Devemos sempre olhar nossos adversários como nossos grandes professores;

    b) Eles nos ensinam aquilo que não devemos fazer, quando estamos certos;

    c) E o que devemos mudar, quando estamos errados;

    d) Portanto não existem inimigos —mas amigos descontrolados;

    e) E que estão prestando muita atenção no que fazemos;

    f) Por isso insistir no certo e corrigir o errado —assim estaremos também sendo seus professores e ganhando excelentes amigos no futuro.

     

  31. Retornando à inquietação inicial de Tadeu sobre o que ele precisaria fazer para conseguir, como o Mestre, afastar as entidades da sombra, diz Jesus: “Só a luz do amor divino é bastante forte para converter a alma à verdade”.
  32. a) Devemos colocar amor em nossos corações, para que ele seja o altar de Deus;

    b) Quando temos tal amor, sempre vibraremos esse mesmo amor para nossos irmãos;

    c) Isso vai fazendo com que eles se sintam bem e queiram continuar se sentindo;

    d) Como a nossa verdade real é querermos ser felizes —e aprendemos que só pelo amor ao semelhante é que conquistaremos essa felicidade— nosso coração vibrará Caridade pura: veremos a qualquer irmão como um filho ou amigo querido;

    e) Eis mais uma vez o exemplo, falando muito mais que as palavras;

    f) Por isso, “ninguém pode dar a outrem aquilo que não possua no coração”.

     

  33. Desejando destacar a necessidade de cada qual se atirar ao esforço silencioso pela própria edificação evangélica, diz Jesus, conforme se encontra dentro da narrativa de Lucas: “Quando o Espírito ‘imundo’ sai do homem, anda por lugares áridos, procurando, e não o achando diz: – Voltarei para a casa donde saí; e ao chegar, acha-a varrida e adornada. Depois, vai e leva mais sete espíritos piores que ele, que ali entram e habitam; e o último estado daquele homem fica sendo pior do que o primeiro”.

a) Eis a necessidade do que hoje chamaríamos reforma íntima;

b) Jesus deixa claro neste trecho como não adianta ao adepto da religião frequentar um culto e, depois disso, voltar para casa sem transformar seu coração e sua atitude;

c) A casa varrida e adornada é o ambiente livre de influências espirituais nocivas que o obsessor encontra após ser afastado;

d) Porém, se eu não mudo o comportamento que atraiu o obsessor, certamente vou atraí-lo de volta —ou ele, ou Espíritos ainda mais necessitados que ele;

e) Perceba —a responsabilidade pela obsessão é mais nossa que do obsessor!

f) Daí construir o Reino de Deus em nossos corações, aprendendo a amar o próximo pela prática da Caridade, daí a reforma íntima.

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