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Jesus e o perdão, setenta vezes sete vezes

Enviado por on 30/01/2013 – 19:23
Mckay Savage/CC

No capítulo 10 do livro “Boa Nova”, de Humberto de Campos, o autor começa relatando os problemas que Jesus teve quando foi pregar o Evangelho em Nazaré, a cidade onde viveu.

Nessa época, Jesus já estava conhecido, bem como o que ele pregava. E isso chamou a atenção dos judeus ortodoxos da época, pois eles receavam o conceito de igualdade pregado pelo Mestre. Com isso criaram uma série de tumultos durante as pregações de Jesus, impedindo que ele as continuasse.

Pregando a mansidão, Jesus nunca poderia entrar em conflito com quem quer que fosse. Seus discípulos ainda não entendiam isso, e se irritavam com a calma do Mestre, chegando a discutir entre si. Exatamente como fazem algumas religiões hoje, quando criticam o trabalho de outros sem a devida análise.

 

  1. Evitando maiores problemas, Jesus mandou que todos seus discípulos se retirassem de Nazaré. Mesmo assim, eles continuaram irritados, por não entenderem a reação do Mestre e, alguns dias depois, procuraram Jesus e explicaram o motivo dos revides dados aos ofensores, ao que Jesus respondeu: “Acaso poderemos colher uvas em espinheiros?”
  2.  
    a) Aqui nosso Mestre mostra que nunca devemos forçar o aprendizado de ninguém;
    b) É preciso sempre respeitar a velocidade de todos em seu aprendizado;
    c) Com nosso livre-arbítrio, só aprenderemos e nos modificaremos quando quisermos;
    d) Diz Jesus: “De modo algum me empenharia em Nazaré numa contradita estéril com meus opositores”;
    e) Contradita estéril, ou seja, que não daria nenhum resultado;
    f) Tentar forçar a vontade de alguém sempre será desperdício de tempo e de trabalho.
     

  3. Jesus explica como deve ser a resposta aos opositores: “Procurei ensinar que a melhor réplica é sempre a do nosso próprio trabalho, do esforço útil que nos seja possível”.
  4. a) Esforço útil possível é aquilo que esteja ao nosso alcance, feito sempre em busca do bem, respeitando a velocidade do próximo, como queremos a nossa respeitada;
    b) Mostrar pelo exemplo de nosso esforço no bem, ao invés de discutir, será sempre a melhor tática.
     

  5. Ao dizer que “não deixou de operar em sua esfera de ação”, fazendo o melhor possível, o Mestre deixa claro que a única coisa possível é o exemplo do não-conflito.
  6. a) Quando não há o que fazer, o melhor é o silêncio e a oração;
    b) Visto que, com certeza, Deus sempre ajudará a resolver os problemas da melhor maneira para todos.
     

  7. Reafirmando a inutilidade das discussões com os opositores, diz Jesus: “De que serviriam as longas discussões públicas, inçadas de doestos e zombarias?”
  8. a) Quando todo mundo quer ter razão, todo mundo está errado;
    b) Daí a necessidade da busca da verdade, pois que ela não pode ser imposta, mas aceita.
     

  9. O Mestre explica que atitudes de discussão entre opositores reduzem a oportunidade do esclarecimento pelo amor, aumentando a separatividade com o consequente ódio.
  10. a) Quanto mais nossa vaidade nos força a impor nosso ponto de vista, mais a vaidade alheia se reforça, gerando intermináveis conflitos;
    b) Só o comportamento humilde, do não-conflito, encaminhará a situação para a solução mais apropriada;
    c) É preciso dizer apenas o que nosso comportamento possa comprovar, na ação do bem;
    d) Senão, como diz Paulo de Tarso, seremos como um sino que só faz barulho.
     

  11. Após as orientações do Mestre sobre evitar discussões infrutíferas com opositores , Felipe exclama, quase com mágoa, que falavam mal de Jesus. E o Mestre lhe dá uma resposta muito importante: “Mas não será vaidade exigirmos que toda gente faça de nossa personalidade elevado conceito?”
  12. a) Se nosso Mestre deixou claro que não satisfaria todo mundo, quem somos nós para fazê-lo?
    b) Mais grave ainda que achar que deveríamos ser admirados por todos é tentar impor nossa opinião. Seria o máximo da vaidade.
     

  13. Fortificando a lição de que não devemos ser vaidosos exigindo que todos compreendam nosso ponto de vista e explicando que “nem sempre constitui bom atestado da nossa conduta o falarem todos bem de nós”, diz Jesus: “Agradar a todos é marchar pelo caminho largo, onde estão as mentiras da convenção“.
  14. a) Eis onde nossa vaidade pode nos levar: quantos conflitos para nós e para os outros podemos criar?
    b) E o pior é entrarmos justamente pelo caminho do qual devemos fazer todo esforço para sair.
    c) Veja a importância da Humildade.
     

  15. Jesus explica que, mesmo ao custo do conceito que fazem de nós, “… antes dele necessitamos obter a aprovação da consciência, dentro de nossa lealdade para com Deus”.
  16. a) Tentar esclarecer ou alertar alguém é nossa obrigação;
    b) Aceitar ou não é parte da consciência do outro, não da nossa;
    c) Antes de tentar forçar alguém, vamos pensar: gostaríamos que ele estivesse nos forçando?
    d) A resposta é sempre não; logo, também não devemos fazer com os outros;
    e) A paciência e o trabalho silencioso são, em muitos destes casos, o remédio mais acertado para a situação.
     

  17. Como saber se estamos sendo leais a Deus ao respeitar o ponto de vista dos opositores?
  18. a) Em primeiro, lembrando que se fosse o melhor forçar a vontade de alguém, Deus o faria —e com infinitos meios, muito melhores que os nossos;
    b) Mas a maior prova de que Deus não acha que forçar a vontade é o melhor é a Lei do Livre-Arbítrio;
    c) Pela Lei do Livre-Arbítrio, Deus respeita integralmente a nossa vontade, e permite até que discordemos dele;
    d) Se ele não força ninguém, qual de nós teria o mínimo direito de fazê-lo?
     

  19. Quando Pedro pergunta se nunca deve usar palavras enérgicas e justas, Jesus diz: “Em toda circunstância, convém naturalmente que se diga o necessário, porém, é também imprescindível que não se perca tempo”.
  20. a) Ou seja, alertar é sempre necessário;
    b) Insistir, quando não querem ouvir, é perda de tempo.
     

  21. Quando Felipe pergunta sobre o destino do Evangelho, se os próprios discípulos entraram em discussão, Jesus pergunta: “Já edificaste o reino de Deus no íntimo do teu Espírito?”
  22. a) Novamente Jesus explica que só ensina quem já aprendeu;
    b) É por isso que nunca podemos ditar regras de moral a ninguém;
    c) Só poderemos fazê-lo pelo exemplo, pois aí significa que aprendemos;
    d) Note-se ainda a expressão enérgica de Jesus.
     

  23. O Mestre Amigo explica que em um colegiado qualquer, só não haverá quem cometa erros quando todos forem perfeitos. A presença de um único imperfeito, já tornaria o próprio colegiado imperfeito, pela possibilidade de haver esse único que erre.
  24. a) Sem dúvida, essa foi a maior razão pela qual Jesus não escreveu nada do que ensinou —era preciso respeitar nossa imperfeição;
    b) Pois tudo o que ele escrevesse seria perfeito, e não mais teríamos que nos esforçar para aprendermos e desenvolvermos nossa vontade própria;
    c) Mas se assim fosse, Deus nos teria criado perfeitos;
    d) Sem isso, Jesus não estaria sendo leal a Deus;
    e) Porém, através da Caridade, Jesus nos ensina a acertar, desde que livremente estejamos querendo praticá-la;
    f) E é por isso que o exemplo é sempre o melhor caminho para ensinarmos;
    g) Com ele nunca estaremos forçando ninguém, pois só nos imita quem quer;
    h) Caridade é, portanto, a solução perfeita que Deus colocou em nosso caminho;
    i) Com ela, mesmo sendo imperfeitos, nunca erramos.
     

  25. Jesus nos mostra a necessidade do perdão, dizendo que devemos perdoar e esquecer as ofensas de todos os que discordam de nós, pacificamente ou não. Mostra que se às vezes um companheiro nos parece insuportável, nós também poderemos sê-lo. Quando Pedro pergunta se devemos esperar que o inimigo se arrependa para perdoá-lo, eis o que Jesus diz: “O perdão não exclui a necessidade da vigilância, como o amor não prescinde da verdade”.
  26. a) Jesus não diz que é preciso ser manso como o cordeiro, mas astuto como a serpente?
    b) É claro que devemos nos resguardar contra o engodo e a hipocrisia, contra a má intenção dos outros;
    c) Mas sempre lembrando que estamos buscando a verdade dos fatos para nos protegermos, e nunca querendo retribuir o “mal”;
    d) Lembrando também que o “mal”, mais do que perdoado, deve ser esquecido;
    e) Pois enquanto estivermos nos lembrando do “mal” não teremos tempo para nos lembrarmos do bem e praticá-lo;
    f) Lembremos que para o amor não existe o inimigo, mas o irmão desequilibrado;
    g) E quem está desequilibrado está doente, passível de melhorar mais rápido com o bem, e não com o castigo;
    h) Daí também a explicação do porque Deus não castiga —quem ama esquece, e quem esquece não precisa perdoar;
    i) Somente precisamos perdoar quando temos dificuldade em amar.
     

  27. Concluindo a lição sobre a importância do perdão, diz Jesus: “…mas em nenhuma circunstância cogites de saber se o teu irmão está arrependido. Esquece o mal e trabalhe pelo bem (…) Ninguém pode ir a Deus com um sentimento de odiosidade no coração. Não podemos saber se o nosso adversário está disposto à conciliação; todavia, podemos garantir que nada se fará sem a nossa boa-vontade e pleno esquecimento dos males recebidos”.
  28. a) Esquecer o mal e trabalhar pelo bem, eis a receita de Jesus;
    b) Ir a Deus é o mesmo que senti-lo —e o ódio é uma bolha que nos isola do Pai;
    c) E se o esquecimento do mal nos livra do ódio, será sempre a Caridade que nos levará ao bem.

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