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Jesus e a Caridade acima das vaidades das religiões

Enviado por on 04/02/2013 – 22:30
CC/DotComPals

Muito embora consideremos todos os capítulos do livro “Boa Nova” de grande importância para nosso aprendizado evangélico, o capítulo 11 merece especial atenção, pelas sublimes explicações dadas por Jesus, nestes que foram, sem dúvida, seus mais consoladores ensinos.

  1. Humberto de Campos (Espírito) narra uma ocorrência entre pessoas que já tinham recebido as primeiras claridades da Boa Nova e Mateus, discípulo de Jesus: “Aos primeiros dias do apostolado, um pequeno grupo de infelizes procurou Levi em sua confortável residência. Desejavam explicações sobre o Evangelho do Reino, de modo a trabalharem com mais acerto na observância dos ensinamentos do Cristo. O coletor da cidade manifestou certa estranheza”.
  2. Após rápidas explicações Levi diz: “Mas, que podeis fazer na situação em que vos encontrais?”

    E, em seguida, enumera as dificuldades de cada um, fazendo com que as dores que Jesus havia aliviado os atingissem novamente. Por que isso?
    a) O Messias havia ensinado que o Pai justo e bom amava muito os filhos mais infelizes, o que lhes havia restituído as forças e as esperanças;
    b) A lição de Jesus lhes trouxera consolo às almas desamparadas;
    c) E bastou a negativa de Levi para que se sentissem novamente desamparados;
    d) A essência dos ensinos do Sermão do Monte é que só sofremos para aprendermos a nos tornar acessíveis à felicidade que o bem nos traz;
    e) Ninguém sofre por castigo —mas para aprender a deixar de fazer o que não deve, e começar a fazer o que deve;
    f) Como Levi tinha uma vida abastada materialmente, pois era coletor de impostos, não conseguia entender a necessidade de consolação;
    g) Coisa que aqueles que o procuraram entenderam muito bem: as situações de sofrimento e dificuldades criaram neles a necessidade de alívio;
    h) Essa necessidade de consolação os levou a procurá-lo em Jesus, e então eles encontraram o alívio em seus ensinos;
    i) Vamos deixar claro que em todas as classes sociais há o sofrimento;
    j) Todos nós precisamos sempre de algum consolo;
    k) Porém, a grande armadilha é quando vamos procurá-lo nos prazeres materiais;
    l) Os vícios só virão nos causar ainda mais sofrimentos, pela falsa ilusão de felicidade que nos proporcionam;
    m) Seja por dependência química, ou emocional, será sempre uma ilusão perversa.
     

    Permitimo-nos perguntar se não há, atualmente, os “Levis do conforto” dentro do movimento espírita. É preciso cuidado para não esquecer das necessidades de consolo dos mais humildes. Se Espíritas pudessem ser apenas os doutores, inclusive doutores em Espiritismo, como ficariam os analfabetos, os analfabetos funcionais, esses muitos que não dispõem de recursos financeiros para aquisição de livros?

    E os que sofrem na extrema pobreza, sentindo a falta de tudo? Segundo nosso Mestre, não são esses os que mais precisam de consolo? Não é deles que Deus está mais próximo?

    O que os Espíritas têm feito para levar consolação a estes irmãos? Como fazer a compreensão do Espiritismo chegar até eles, da mesma forma que outras religiões tão bem conseguem chegar?

    Não nos esqueçamos que Levi, como veremos, se manteve fiel a Jesus.

     

  3. Isso que você disse é verdade. Existe até estudos que dizem ser as famílias espíritas as mais abastadas do Brasil[1]. Isso está errado?
  4. a) Será que não é justamente pelo carinhoso e humilde comportamento dos Pretos Velhos e das Avozinhas, além da humilde atenção do Caboclos, que muita gente procura as casas de Umbanda?
    b) Quando vamos deixar a nossa petulância de lado e entender o maravilhoso trabalho que a maioria desses Espíritos fazem, imitando de verdade a Jesus, sendo merecedores de nosso maior respeito?
    c) Nosso trabalho, que segue rigorosamente a orientação kardecista, tem a inestimável colaboração desses irmãos;
    d) Com sua humildade, os pretos velhos conseguem ajudar muito no esclarecimento de nossos irmãos infelizes;
    e) E o curioso é que, quando se manifestam para nós, muitas vezes o fazem com uma linguagem igual a nossa;
    f) Durante toda nossa experiência como Espíritas, os pretos velhos sempre mostram grande sabedoria (bem maior que a nossa), como nosso querido Pai João de Aruanda.
     

  5. Mais uma vez é Jesus que vem nos esclarecer. Referindo-se aos desafortunados que o procuraram, Levi pergunta ao Mestre: “O que conseguiria o Evangelho do Reino, com esses aleijados e mendigos?” E eis o que o ele responde ao discípulo: “Levi, precisamos amar e aceitar a preciosa colaboração dos vencidos do mundo”.
  6. a) Jesus deixa clara “a preciosa colaboração“;
    b) Como vimos, muitas vezes sofremos porque nos deixamos iludir pelas facilidades do mundo;
    c) E só vamos entender isso quando elas nos faltam, causando-nos sofrimento;
    d) Com a consequente necessidade do consolo que traz o nosso alívio;
    e) Então aprendemos que a “porta larga” só nos traz dores, e passamos a entender que a porta que nos abre o caminho da felicidade é a “porta estreita”, sem as facilidades do mundo;
    f) Pois é a “porta estreita” que nos abre a entrada para o infinito caminho do Reino dos Céus;
    g) Ensinando ainda quem não aprendeu a aprender sem sofrer, pelo nosso exemplo;
    h) Aprendendo e ensinando, ao mesmo tempo, a viver de acordo com as Bem-Aventuranças que Jesus ensinou no Sermão do Monte;
    i) É ou não uma preciosa colaboração?
     

  7. Quando Levi tenta explicar seu desejo de apressar a supremacia do Evangelho entre os que governam o mundo, o Messias responde: “Quem governa o mundo é Deus, e o amor não age com inquietação.”
  8. a) Ou seja, por ser sempre a melhor, a vontade de Deus invariavelmente se fará;
    b) E é por isso, que o amor não pode ter pressa, pois pelo respeito que Deus tem pelo livre-arbítrio de seus filhos, sua vontade nunca se impõe;
    c) O Pai sempre aguarda nossa aceitação.
     

  9. Continuando sua reposta a Levi —que demonstrou querer apressar a aceitação do Evangelho entre os governantes—, Jesus faz um quadro profético de como seria a causa do Evangelho, se ele buscasse a ajuda dos poderosos do mundo: “A pretexto de lutarem em nome do céu, espalhariam possivelmente incêndios e devastações em toda a Terra. E seria justo, Levi, trabalhássemos por cumprir a vontade de nosso Pai, aniquilando seus filhos, nossos irmãos?”
  10. a) Esta profecia se cumpriu inteiramente, quando os Cristãos se uniram à política de Roma;
    b) Passaram a querer impor o Evangelho, que desfiguraram por completo, pela força;
    c) Provas disso são as Cruzadas e a Inquisição, entre tantas outras barbáries.
     

  11. Explicando a Levi por que não impor o Evangelho através dos governantes terrestres, diz o Mestre: “Até que a esponja do tempo absorva as imperfeições terrestres, através dos séculos de experiência necessária, os triunfadores do mundo são pobres seres que caminham por entre tenebrosos abismos.”
  12. a) Vamos analisar nosso comportamento como Cristãos, e como Espíritas Cristãos;
    b) As Igrejas Cristãs mostraram e mostram que continuam por entre tenebrosos caminhos;
    c) Pelo que nos consta, Jesus foi um só e pregou um único Evangelho;
    d) Então por que tantas Igrejas Cristãs?
    e) Kardec foi um só, e codificou uma única Doutrina Espírita;
    f) Por que tantas Federações?
    g) Afinal quantos Espiritismos existem?
    h) Ou será que estamos querendo ser triunfadores do mundo, desfigurando novamente os ensinos do nosso Mestre?
    i) Será que existe algum sentido, nós que queremos ser os restauradores das verdades evangélicas, deixarmos nos levar por nossa vaidade, traindo tanto a Jesus quanto ao Espírito da Verdade?
    j) Como sermos “um só rebanho e um só pastor” se nem nos unir conseguimos?
    k) Não seria prudente termos bom senso e pensarmos a respeito?
     

  13. Jesus fala sobre os humildes, repetindo a necessidade da dor, quando insistimos no erro, para entendermos a verdade do amor, e voltarmos para Deus. Encerra sua resposta a Levi, dizendo: “É também sobre os vencidos da sorte, sobre os que suspiram por um ideal mais santo e mais puro do que as vitórias fáceis da Terra, que o Evangelho assentará suas bases divinas”.
  14. a) O caos que vivemos no mundo de hoje nos mostra o quanto precisamos aprender sobre a prática da Caridade;
    b) A soma de nossos erros tem causado tão intensas aflições que estamos saturados com tudo, querendo a mudança do mundo;
    c) Só que quando a nossa mudança se faz necessária, geralmente encontramos variadas desculpas e não queremos mudar;
    d) Não nos enganemos, porém —precisaremos de boa vontade e respeito pelos direitos de nosso próximo para criar as condições para que o Reino de Deus possa se estabelecer no coração de todos neste novo Mundo de Regeneração.

    [1] Estudo divulgado pelo IBGE em 2007 mostra que o maior rendimento médio mensal é encontrado em famílias com pessoa de referência espírita (R$ 3.796,00), e o menor em evangélicos pentecostais (R$ 1.271,00), segundo a Folha de S.Paulo (http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u324070.shtml). O Censo de 2000, também realizado pelo instituto, revelou que a população espírita é a que tem maior nível de escolaridade entre as de outras religiões (http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u65175.shtml).

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