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Amor e Renúncia: por que o Cristo não sofreu na cruz?

Enviado por on 11/02/2013 – 23:09
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O capítulo 12 do livro “Boa Nova”, de Humberto de Campos (Espírito), fala sobre a essência do verdadeiro amor, que Cristo fundou na fraternidade. A psicografia de Chico Xavier começa mostrando o apóstolo Pedro confuso com as explicações de Jesus, fazendo-o a seguinte pergunta: “Senhor, em face de vossos ensinamentos, como deveremos interpretar a vossa primeira manifestação, transformando a água em vinho, nas bodas de Caná? Não se tratava de uma festa mundana? O vinho não iria cooperar para o desenvolvimento da embriaguez e da gula?” Ao que responde Jesus:

 

  1. “As bodas de Caná foram um símbolo da nossa união na Terra. O vinho, ali, foi bem o da alegria com que desejo selar a existência do Reino de Deus nos corações.”
  2. a) Aqui o Mestre deixa antever que qualquer ato de renúncia, se feito por amor, por mais doloroso que possa parecer, nunca nos trará sofrimento;

    b) “Selar a existência do Reino de Deus nos corações”—como Jesus certamente antevia sua passagem pelo Calvário, aqui ele deixa claro que, para ele, até isso foi um momento de alegria;

    c) E isso faz todo sentido, pois sendo um Espírito perfeito, Jesus é também dotado da perfeita alegria, não podendo nunca sofrer;

    d) Com seu exemplo do Calvário, o Divino Mestre nos mostra que nós podemos transformar ou não em sofrimento nossas dores;

    e) Ninguém em estado normal poderá achar sofrimento tomar o remédio que o curará de uma grave doença —e nossas doenças morais são as mais graves;

    f) Quando nos recusamos a nos curar pelo amor, a dor passa a ser necessária para nos alertar que estamos no caminho errado;

    g) Sofrer ou não depende apenas de nós;

    h) E Jesus provou isso, pois fala claramente aqui de sua alegria, quando selou com sua renúncia por amor a nós —o caminho para o Reino de Deus— no Calvário;

    i) Ele sentiu sim muita dor, mas não sofreu nada;

    j) É isso que nós temos que definitivamente entender: sempre que renunciamos pelo bem de alguém, se o fazemos por amor, nunca sofreremos;

    k) Jamais seremos praticantes da Caridade, se não aprendermos a fazer isso.

     

    Em seguida Jesus completa seu ensino, que transcreveremos com rápidos comentários:

  3. “Estou com os meus amigos e amo-os a todos.”
  4. Por seus amigos Jesus quer dizer toda a humanidade.

  5. “Os afetos da alma, Simão, são laços misteriosos que nos conduzem a Deus.”
  6. Se ainda não somos capazes de amar a humanidade, façamos isso com aqueles que nos estão próximos. Aí seguramente, estaremos caminhando para Deus.

     

  7. “Saibamos santificar a nossa afeição, proporcionando aos nossos amigos o máximo da alegria; seja o nosso coração uma sala iluminada onde eles se sintam tranquilos e ditosos.”
  8. Trabalhar pela felicidade dos que nos estão próximos, eis o grande caminho.

     

  9. “Tenhamos sempre júbilos novos que os reconfortem, nunca contaminemos a fonte de sua simpatia com a sombra dos pesares.”
  10. a) Ter sempre júbilos novos significa fazer com alegria o bem que os reconfortem;

    b) Pesares, ou seja: tristeza ou desânimo, só contaminam a fonte do bem, afastando a simpatia com que nos possam ver.

     

  11. “As mais belas horas da vida são as que empregamos em amá-los, enriquecendo-lhes as satisfações íntimas.”
  12. a) Belas horas são as mais felizes e de melhor proveito;

    b) Ao empregarmo-las em amá-los, trabalhamos pelo bem dos que nos estão próximos, ou seja, pela verdadeira felicidade deles.

     

  13. Quando Pedro pergunta com agir com os ingratos, eis a resposta do Mestre: “Pedro, o amor verdadeiro e sincero nunca espera recompensas. A renúncia é o seu ponto de apoio, como o ato de dar é a essência de sua vida. A capacidade de sentir grandes afeições já é em si mesma um tesouro.”
  14. a) Aqui podemos entender bem o que seja renúncia;

    b) Renunciar não é procurar a dor e o sofrimento;

    c) Jesus no Calvário nos mostrou que mesmo sendo grande a dor, quando estamos amando aos que nos estão próximos, nos sentiremos felizes;

    d) E quem nos ensina a amar de verdade é a renúncia;

    e) A renúncia ensina que a verdadeira felicidade está em trabalharmos pela felicidade dos que nos estão próximos;

    f) E não ficarmos egoisticamente buscando somente a nossa felicidade;

    g) Pois se o egoísmo traz a rápida satisfação do prazer, exatamente por isso nunca nos fará felizes.

     

  15. Mas você poderia perguntar: “Não seria masoquismo nunca procurar ser feliz?”
  16. a) Masoquismo seria buscar conscientemente o sofrimento;

    b) O egoísmo nos faz ficar orgulhosos, dando-nos um sentimento de superioridade que não é real;

    c) Confundimos privilégios como direitos;

    d) E perante Deus não existem privilégios, mas somente conquistas que adquirimos pela prática da Caridade;

    e) Se queremos ser felizes de verdade é preciso, com a renúncia, deixar nossos desejos de lado, pois eles são sempre atos de egoísmo;

    f) E também entender que renunciar é também, e acima de tudo, controlar nossos desejos, com o consequente controle do egoísmo;

    g) Só assim, com Jesus, vamos conseguir alcançar a felicidade real, amando e trabalhando pelos que nos estão próximos.

     

  17. E isso o Mestre confirma, quando diz: “Ainda que todos os nossos amigos do mundo se convertessem, um dia, em nossos adversários, ou mesmo em nossos algozes, jamais nos poderemos privar da alegria infinita de lhes haver dado alguma coisa.”
  18.  

    a) Mais claro impossível: SER FELIZ NÃO É SER AMADO. SER FELIZ É AMAR. E QUEM NOS ENSINA ISSO É A RENÚNCIA.

    b) Vale pensar o quão egoísta e possessivo não é a forma com que, muitas vezes, ainda amamos nossos familiares;

    c) Esse apego sempre nos traz mais infelicidade do que felicidade;

    d) Perante Deus, todos eles são nossos irmãos;

    e) E não temos nenhum direito de senti-los como nossa posse.

     

  19. “O Evangelho não pode condenar os laços de família, mas coloca acima deles o laço indestrutível da paternidade de Deus”, diz Jesus.

a) O instinto de preservação se fez necessário para a preservação de nossa espécie;

b) Mas, ao contrário do que se pensava em sua época, Jesus vem nos ensinar a universal paternidade de Deus;

c) Jesus mostrou que a paternidade de Deus está acima da transitória paternidade da família;

d) A paternidade de Deus é eterna, a nossa é transitória;

e) Nós, os pais, somos os mordomos dos filhos carnais, que o verdadeiro Pai, para nos ensinar a amar, transitoriamente nos concede;

f) Sem dúvida eles são os incalculáveis tesouros que Deus coloca, ainda que transitoriamente, em nossas mãos;

g) E são, sem dúvida, os maiores deveres que nos são dados por Deus;

h) Mas daí a senti-los como nossa posse vai enorme distância;

i) Muito ao contrário do que se possa pensar, ao mostrar a universal paternidade de Deus, o Mestre só reforça os laços familiares;

j) Pois quando disse a Nicodemos que era preciso “nascer de novo”, ou seja, confirmou a reencarnação, ele também mostrou a vida eterna do Espírito;

k) E com isso deixou claro que a verdadeira família é a espiritual, por ser eterna;

l) Sendo também constituída pelos laços da fraternidade, e não pelos perecíveis laços de sangue;

m) Muito embora não possamos negar que podem começar por aí, bem como, o que é tão comum, reequilibrar relações de ódio do passado, pelo amor;

n) Por isso o Evangelho não poder condenar os laços de família;

o) Mas seguramente conseguirá equilibrá-los;

p) O Mestre Amigo termina a grande lição quando diz: “Todos os homens sabem conservar, são raros os que sabem privar-se”.

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