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Pecado e punição para Jesus: será que Deus castiga?

Enviado por on 19/02/2013 – 07:30 6 Comentários
CC/Leszek Leszczynski

Muito embora tudo o que Jesus ensinou seja de fundamental importância para nós, o capítulo 13 do livro “Boa Nova”, de Humberto de Campos (Espírito) é muito especial, pois o Mestre aqui ensina não só os fundamentos de Lei de Causa e Efeito, mas principalmente o Deus Consolador, que foi tão deturpado pelas igrejas Cristãs.

Certo dia, quando nosso Mestre Amigo pregava em uma praça, eis que lhe trazem uma mulher adúltera, pedindo o seu apedrejamento, conforme determinava a Lei de Moisés. Porém essa mesma lei também condenava os que prestassem falso testemunho.

Sabedor de tudo isso, diz Jesus: “Aquele que estiver sem pecado atire a primeira pedra!”

E ficou calmamente aguardando.

Com receio da condenação, todos se afastaram, pois também tinham os seus pecados.

“Mulher, onde estão os teus juízes? Ninguém te condenou? Também eu não te condeno. Vai e não peques mais.”

Retirou-se ela, banhada pelas novas claridades do amor ensinado por Jesus.

 

  1. Quer dizer que Deus não nos condena por nossos erros?
  2. a) Eis uma das essências do amor de Deus: a Lei de Causa e Efeito;

    b) Sempre que erramos, temos que corrigir nossos erros;

    c) Mas aqui o Messias mostra que a compreensão, e não a condenação, é que nos levará a corrigir nosso comportamento pelo amor;

    d) Ao optar por nos corrigir pelo amor, abandonamos também a necessidade do sofrimento;

    e) E esta é uma atitude que podemos e devemos esperar de Deus —a compreensão de um Pai;

    f) Vamos entender que quando Jesus diz “nem eu te condeno”, dá um exemplo para todos nós —se nem Jesus condena, nós jamais devemos condenar;

    g) E se Jesus não condena, Deus, que é superior a ele, também jamais condena quem quer que seja.

     

  3. João então pergunta por que Jesus não condenou a meretriz, ao que responde o Mestre: “Quais as razões que aduzes em favor dessa condenação? Sabes o motivo por que essa pobre mulher se prostituiu? Terás sofrido alguma vez a dureza das vicissitudes que ela atravessou em sua vida? Ignoras o vulto das necessidades e das tentações que a fizeram sucumbir ao meio do caminho. Não sabes quantas vezes tem sido ela objeto do escárnio dos pais, dos filhos e dos irmãos das mulheres mais felizes. Não seria justo agravar-lhe os padecimentos infernais da consciência pesarosa e sem rumo.”
  4. a) Aqui Jesus esclarece que a Justiça de Deus faz-se através de nossa própria consciência;

    b) É ela que, com perfeição, julga nossos atos, e nunca Deus;

    c) E a consciência avalia nossas atitudes pela Lei de Causa e Efeito, que é uma lei perfeita, como todas as leis de Deus;

    d) Nossa consciência reage com perfeição criando a felicidade para os acertos e os remédios morais que precisamos para nos curar, dentro de um perfeito automatismo;

    e) Com exceção, é claro, dos juízes, que fazem o papel de consciência coletiva da sociedade, ninguém tem o direito de julgar ninguém;

    f) Estamos ainda longe da perfeição para poder levar em consideração todos os acontecimentos;

    g) Só a consciência de cada um é capaz de fazê-lo.

     

  5. E como agem em conjunto a Consciência e a Lei de Causa e Efeito?
  6. a) A Lei de Causa e Efeito é o roteiro perfeito que Deus coloca em nossa mente, para orientar nossa consciência;

    b) Qualquer ato nosso que contrarie esse roteiro choca-se com tal lei, criando desarmonia em nossa consciência;

    c) Eis o remédio pronto para agir e nos curar;

    d) Se insistirmos no erro, a desarmonia cresce, causando-nos maior desconforto;

    e) Por isso, a única maneira de nos corrigirmos será pelo amor, pois só ele é capaz de rearmonizar nossa consciência com a Lei de Causa e Efeito;

    f) Esse também é o mecanismo pelo qual nossas ações no bem trazem felicidade.

    g) Por esta interação entre a Lei de Causa e Efeito e a consciência, Deus criou um mecanismo que elimina a necessidade de sermos julgados por ele ou pelos Espíritos superiores;

    h) É preciso compreender também que existe diferença entre julgar e avaliar;

    i) Nunca devemos ser julgados, mas somente avaliados, devido à nossa imperfeição, para podermos determinar qual o melhor método educativo a ser aplicado.

     

  7. Pergunta João: “Não está escrito que os homens pagarão ceitil por ceitil os seus próprios erros?”
  8. a) Precisamos entender que na época de Moisés, era impossível mostrar que Deus nunca castiga;

    b) Mais impossível ainda falar sobre o mecanismo da consciência;

    c) O que Jesus começou a mostrar nessa passagem foi, realmente, que não existe o olho por olho, dente por dente;

    d) Mas que pelo esclarecimento e pela compreensão, tudo se resolve pelo amor.

     

  9. Após falar sobre a hipocrisia, o Mestre diz: “Não é para ensinar outra coisa que está escrito na lei—vós sois deuses! Porventura, não sabes que a herança de um pai se divide entre os filhos em partes iguais? As criaturas transviadas são as que não souberam entrar na posse de seu quinhão divino, permutando-o pela satisfação de seus caprichos no desregramento ou no abuso, na egolatria ou no crime, pagando alto preço por suas decisões voluntárias.”
  10. a) Aqui Jesus mostra de forma clara que ninguém se perderá, pois como filhos do mesmo Pai, somos também deuses;

    b) E que em sua perfeita justiça, nosso Pai Celestial dará a nós todos a mesma perfeita felicidade, quando atingirmos a perfeição;

    c) Essa é a nossa ainda inimaginável herança.

     

  11. Depois, reafirmando a necessidade de nos corrigirmos, diz nosso Mestre: “Examinada a situação por esse prisma, temos de reconhecer no mundo uma vasta escola de regeneração, onde todas as criaturas se reabilitam da traição aos seus próprios deveres.”
  12. a) Aqui Jesus deixa também claro, a inexistência de demônios, infernos e que tais, a não ser os que criamos com nosso comportamento;

    b) Se o mundo é uma vasta escola de regeneração, fica implícita a reencarnação, pois é muito raro alguém se reabilitar em uma única existência.

     

  13. Eis agora o surgimento do Mundo de Regeneração, com o fim do ciclo de Expiação e Provas, que felizmente já deixamos em abril de 2010: “A Terra, portanto, pode ser tida como um grande hospital, onde o pecado (o erro) é a doença de todos; o Evangelho, no entanto, traz ao homem enfermo o remédio eficaz, para que todas as estradas se transformem em suaves caminhos de redenção.”
  14. a) Eis uma importante afirmação de Jesus: o Evangelho é “o suave caminho de redenção”;

    b) Muito embora pareça que isto não aconteceu, milhões e milhões de Espíritos souberam entender e seguir o caminho do Evangelho;

    c) Pela prática da Caridade tornaram sua redenção rápida e suave;

    d) Tendo ido para “outras moradas da casa do Pai”, sejam elas planetas mais adiantados ou mesmo planos espirituais elevados aqui da própria Terra;

    e) É esta mudança de visão que fará surgir entre nós, definitivamente, o Mundo de Regeneração —aceitar as dificuldades da vida como “caminho de redenção”, sem revolta;

    f) Isso porque é impossível deturpar o conceito de Caridade e de amor ao próximo;

    g) Basta ter olhos de ver, e muitos tiveram, como ainda têm;

    h) Mas é preciso lembrar que, para continuar aqui neste novo ciclo, temos que aceitar com sinceridade e colocar em prática o suave caminho do Evangelho.

     

  15. Na sequência Tiago pergunta: “Mestre, sendo Deus tão misericordioso, por que pune seus filhos com defeitos e moléstias tão horríveis?”

a) Tiago era um dos apóstolos mais envolvidos com a lei de Moisés;

b) Era difícil para ele entender coisas tão novas sobre Deus;

c) Mesmo que as novas fossem tão boas;

d) Mas ainda hoje não existem tantos Tiagos, fazendo a mesma pergunta?

e) Vamos sorver a explicação, conversando com Jesus:

 

“Acreditas Tiago, que Deus desça de sua sabedoria e de seu amor para punir seus filhos? O Pai tem seu plano determinado com respeito à criação inteira; mas dentro desse plano, a cada criatura cabe uma parte na edificação pela qual terá de responder. Abandonando o trabalho divino para viver ao sabor dos caprichos próprios, a alma cria para si situação correspondente, trabalhando para reintegrar-se no plano divino, depois de haver se deixado levar pelas sugestões funestas, contrárias à sua própria paz.”

 

f) O que Jesus diz aqui já foi explicado pela ação da Lei de Causa e Efeito e da nossa consciência;

g) Como vimos, Deus não precisa julgar ou castigar ninguém;

h) Vamos prestar ainda muita atenção na afirmação de Jesus, ao dizer que Deus punir seus filhos, seria descer de seu amor e sabedoria;

i) Esta afirmação do Mestre mostra com total clareza quem é Deus —o Supremo Amor e o Supremo Consolador;

j) Deus visto como Pai, e não como tirano, capaz de julgar, condenar, vingar-se, criar infernos ou seres infinitamente destinados ao sofrimento;

k) O deus-terror, tão ao gosto das míticas pagãs abraçadas pela Igreja de Roma e difundido pelas igrejas cristãs modernas, serviu até agora apenas como freio do medo, para impedir erros maiores;

l) Por isso, e por respeito ao nosso livre-arbítrio é que Jesus e os Espíritos superiores que auxiliam a evolução da Terra deixaram que essa visão do deus-terror prosperasse até agora;

m) Mas esta visão mitológica e errada de Deus precisará ser alterada no Mundo de Regeneração, e isto será feito nas fases finais da Revelação Espírita, como veremos em breve.

6 Comentários »

  • Lincoln Faria Junior disse:

    Realmente, fui um sofredor de 1ª classe com essa invenção de “castigo” das religiões diversas onde busquei mais Verdade no que diziam e concebiam sobre a Vida Espiritual.
    Depois que conheci o Racionalismo Cristão, que uma extensão do Espiritismo, encontrei a PAZ que tanto buscava sob Verdades Reais explicadas e sem as culpabilidades atribuídas aos seres humanos com suas faltas e enganos.
    No livro do Racionalismo Cristão: “Espiritualismo Científico – A Vida Fora da Matéria” nome composto do volume que me livrou de toda carga até então carregada.
    Lincoln

    • Caro Lincoln,
      Obrigado pelo comentário.
      Respeitamos as linhas do Racionalismo Cristão, apesar de seguirmos a direção deixada por Kardec e Chico Xavier nas suas contribuições à Revelação Espírita. Inclusive estamos preparando algumas publicações que objetivam rever alguns pontos da Codificação que poderão lhe interessar ao estudo.
      Mais uma vez agradecemos, e continue conosco.
      Abraços fraternos,
      Francisco e Equipe do Blog

  • Laura Behmer disse:

    Blog lindíssimo! Parabéns.

    • Obrigado pela participação, Laura.
      Suas palavras nos estimulam a continuar o trabalho, pensando principalmente nos efeitos lindíssimos que ele possa causar!
      Abraços fraternos,
      Equipe do Blog

  • Marina disse:

    Gostaria tanto de encontrar a paz, sinto tanta angustia, tristeza e arrependimento…Sou movida pela culpa…As vezes penso que me livraria de tudo isso se morresse…Não encontro paz em lugar nenhum…Tenho procurado em varias igrejas e doutrinas…Sera que tenho chance de ser feliz????

    • Cara Marina

      Muito embora não seja escopo de nosso blog interferir em problemas particulares, pois não somos especialistas na área de Psicologia, podemos, apenas como sugestão, dizer a você que uma das maiores causas de sofrimento e até depressão, é exatamente o sentimento de culpa. E veja que quanto mais pretendemos ser perfeitos, mais culpa sentimos, pois NÃO SOMOS PERFEITOS. E como tal é preciso entender que erramos sim, pois o erro é consequência de nossa imperfeição. E, se Deus nos fez assim, ainda imperfeitos, dando-nos como caminho para evoluirmos exatamente o trabalho de aprendermos a ser perfeitos, só podemos entender que jamais haverá motivos para nos sentirmos culpados, já que o erro faz parte de nosso aprendizado.

      Perceba ainda que: SE CONTINUAMOS ERRANDO NA MESMA COISA, SÓ PODE SER PORQUE AINDA NÃO APRENDEMOS REALMENTE A FAZER O CERTO. Por isso deus jamais pode nos julgar ou culpar… E se ele, que é “O” cara, não pode, como é que nós podemos?

      A mudança de tal sentimento de culpa passa longe de religião, mas sim de uma melhor compreensão de nossa realidade e de Deus.

      Pare de se julgar, tendo sempre boa vontade naquilo que faz, e aceite as coisas como são, sem se preocupar com o juízo dos outros, já que se Deus não nos julga e nem culpa de nada, que direito temos de fazer isso conosco, ou ainda, os outros? Deixe de procurar religiões ou doutrinas, preocupando-se apenas com o amor de Deus, que jamais nos castiga, mas sempre quer que de acordo com nossas condições trabalhemos para nos corrigir pelo bom trabalho.

      Marina, a partir do momento em que passamos a buscar com calma oportunidades de fazer o bem, sempre as encontraremos.

      Existe um livro escrito pela Madre Tereza (Espírito), “Pelas Ruas de Calcutá”, onde você poderá obter conselhos muito bons. Não importa nunca os erros que cometemos, por mais sérios que achemos que sejam. Nada de culpa. Apenas, com calma procurar caminhos para o bem, já que como diz Jesus, “o AMOR cobre a multidão dos pecados”. E Jesus sabe das coisas.

      Por que ficar esperando raios do Deus Terror das religiões, e esquecermos tão consolador ensino de Jesus?

      Fé em você, confiança em você e Deus e, bola pra frente, pois só com o amor ao próximo aprendemos o caminho da perfeição.

      Um carinhoso beijo de amor em seu coração, dos seus

      Irmãos do Blog

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