Home » Boa Nova, Espiritualismo, Estudos

Jesus falou da reencarnação a Nicodemus na “Boa Nova”

Enviado por on 25/02/2013 – 23:56
CC/Doug Weterman

Embora outras obras espíritas já expliquem o encontro de Jesus com Nicodemus —relatado no capítulo 3 do Evangelho de João, na Bíblia—, o livro “Boa Nova”, de Humberto de Campos, traz em detalhes a conversa que o Cristo teve com o mestre judeu para explicar, já naquela época, a necessidade da reencarnação, a que ele chamou “nascer de novo”.

  1. Diz Humberto de Campos (Espírito): “O Mestre nunca perdeu ensejo de esclarecer as situações mais difíceis com a luz da verdade que a sua palavra divina trazia ao pensamento do mundo. (…) “Jamais temperava a sua palavra de verdade com as conveniências do comodismo da época.”
  2. a) Aqui começa a explicação da necessidade de sempre estarmos com a verdade;

    b) Por mais que ela vá contra “senso comum” de época, se a conhecemos, temos que estar com ela;

    c) Por exemplo: concordar com o aborto é um “senso comum” hoje em dia; porém, à luz da Doutrina Espírita, sabemos tratar-se de um erro;

    d) O aborto, a não ser que seja para salvar a vida da mãe, é equivalente a um homicídio;

    e) Outro “senso comum” atualmente é achar o homossexualismo algo natural —sem condenar ou ter preconceito, a verdade também esclarece que a relação homossexual é antinatural e, portanto, incorreta;

    f) É preciso entender que tais atitudes apenas agravam um estado de sofrimento, que por si só, já é muito grande;

    g) Mas, acima de tudo, é preciso excluir Hollywood de nossa cultura, para podermos enxergar a verdade longe dos princípios do deus-sucesso, que foi implantado no mundo todo;

    h) Tudo na Natureza mostra que sempre o mais vai para o menos, para promover o equilíbrio;

    i) E isso está de acordo com os Atributos de Deus, que, pela ação da própria Natureza, mostra a força de sua suprema Caridade;

    j) Sob o ponto de vista de comportamento, também é assim: quem sabe mais, tem que ensinar o que sabe menos;

    k) Os mais saudáveis devem de alguma forma ajudar os que estão doentes;

    l) Quem tem melhor condição social deve sempre, de alguma forma, auxiliar os que estão em piores condições sociais.

     

  3. Isso tudo explica bem o comportamento do Cristo. Segundo Humberto, em todos os momentos “…continuavam as ações generosas de Jesus beneficiando os aflitos e sofredores.”
  4. a) Desde seu nascimento, até sua morte, o Mestre vivenciou a plena Caridade;

    b) Mais que ensinar, ele exemplificou;

    c) Deixou claro que só através de sua prática poderemos encontrar o tão almejado equilíbrio social;

    d) É por isso, que sendo o “construtor” da Terra, nada teve de material;

    e) Tendo aqui em nosso planeta o maior poder que um ser humano já demonstrou, usou-o somente para fazer o bem, aliviando os mais necessitados;

    f) Disse-nos com isso claramente que todos os bens que Deus promove são de todos, e nunca propriedade de alguém;

    g) Se todos os bens procedem de Deus e ele os distribui a seus filhos, então o próprio Pai nos mostra que os bens procedem dele, mas não permanecem com ele;

    h) Logo, se Deus e Jesus desfrutam da perfeita felicidade, fica evidente que só seremos felizes com o desapego e com a Caridade;

    i) Se Deus é o supremo administrador, sejamos nós os pequenos administradores;

    j) Definitivamente é preciso aprender que só podemos ser mordomos de coisas maiores quando aprendermos com a Caridade estas verdades;

    k) Quanto mais temos, mais devemos distribuir, assim como nosso Pai, que distribui tudo o que deveria ser seu, para o nosso bem.

     

  5. Mesmo diante de tantos benefícios que Jesus espalhava, na sequência Humberto conta de “…sacerdotes que o combatiam abertamente, convencionalistas que não o toleravam…”
  6. a) A verdade sempre encontrará quem a combata;

    b) Normalmente são as pessoas que tiram algum proveito da situação cômoda, embora errônea, em que se encontram;

    c) Por isso é importante estar com a verdade, apesar das convenções de época;

    d) E para tanto o próprio Kardec deu a receita, quando falou na Fé Racional e na importância de guiar nossos valores pelos Atributos de Deus.

     

  7. Após explicar quem era Nicodemos, Humberto relata o questionamento do sacerdote a Jesus quanto o que fazer para conhecer o Reino de Deus. Ao que Jesus responde: “Primeiro que tudo, Nicodemos, não basta que tenhas vivido a interpretar a lei. Antes de raciocinar sobre suas disposições, deverias ter-lhe sentido os textos. Mas, em verdade devo dizer-lhe que ninguém conhecerá o Reino do Céu, sem nascer de novo.”
  8. a) Fica difícil entender como uma passagem tão clara sobre “nascer de novo”, algo hoje conhecido como reencarnação, possa ter sido tão distorcida;

    b) Jesus é muito claro, não deixando nenhuma margem a interpretação;

    c) Além de deixar clara a reencarnação, o Mestre deixa também muito clara a evolução espiritual, quando diz: “Mas, em verdade devo dizer-lhe que ninguém conhecerá o Reino do Céu, se não nascer de novo.” (Perceba: conhecerá e não entrará)

    d) Fica claro que o nosso conhecimento sobre a realidade da criação, que é o Reino do Céu, é muito pequeno, e que precisamos aprender muito para conhecê-la;

    e) E Jesus reafirma a reencarnação quando diz: “Em verdade, reafirmo-te ser indispensável que o homem nasça e renasça, para conhecer plenamente a luz do reino.”

    f) Mais claro que isso sobre a reencarnação e evolução espiritual, impossível;

    g) Mas esta passagem nos faz perguntar —por que tal deturpação?

    h) O Politeísmo Romano desconhecia a mecânica da evolução espiritual —e como a Igreja estava mais preocupada em misturar conceitos do Cristo aos da Mitologia para oficializar-se no Império, acabou deixando muitas verdades de lado para ater-se às convenções de época;

    i) Por isso também a criação da Santíssima Trindade, conceito mitológico que tornou Jesus um deus e também fez as pessoas passarem a acreditar que o Mestre ressuscitou em corpo físico;

    j) Jesus estruturou sua doutrina em bases da mais pura verdade; as igrejas que se denominaram Cristãs, no entanto, não o fizeram;

    k) Assentaram suas bases em falsas verdades, o que gerou o caos religioso e social em que vivemos;

    l) Felizmente porém, já aprendemos a ver a verdade, para deixarmos de nos iludir;

    m) Não seria por isso que Jesus chamou de “Espírito da Verdade” o Consolador que pediria a Deus para reestabelecer todas as coisas?

     

  9. Após as explicações que Jesus dá sobre a reencarnação, no final diz, mostrando a finalidade da evolução: “A morte do corpo é a mudança indispensável, porque a alma caminhará sempre, através de outras experiências, até que consiga a imprescindível provisão de luz para a entrada[1] definitiva no Reino de Deus, com toda a perfeição conquistada ao longo dos caminhos.”
  10. a) Se o Reino de Deus é toda sua criação, todos independente de nossa condição vivemos nele;

    b) Conhecê-lo no entanto por completo, só na perfeição;

    c) Poderiam perguntar: se isso não está na Bíblia, quem garante que Jesus realmente disse isso?

    d) Ao provar que todos os fenômenos Espíritas são reais, a Ciência Espírita provou e existência do Espírito, a reencarnação e tudo o mais;

    e) Provando que a reencarnação é uma realidade, provou também a evolução;

    f) E como contra fatos não há argumentos, negar a reencarnação seria o mesmo que querer, hoje em dia, insistir no argumento de que a Terra é quadrada;

    g) Assim, só pode estar falando a verdade quem está com os fatos comprovados;

    h) Logo, quem não está com a verdade são os que querem nos fazer crer em falsas verdades, que são pregadas por séculos.

     

  11. Então o discípulo André pergunta: “Mestre, já que o corpo é como uma roupa material das almas, por que não somos todos iguais no mundo? Vejo belos jovens, junto de aleijados e paralíticos…”
  12. a) Jesus explica então, de forma simples e didática, como age a Lei de Causa e Efeito, e como resgatamos nossos débitos de encarnação em encarnação;

    b) Não entendendo bem a explicação, o discípulo Tiago pergunta: “Desse modo, o mundo precisará sempre do clima de escândalo e do sofrimento, desde que o devedor, para saldar seu débito, não poderá fazê-lo sem que outro lhe tome o lugar com a mesma dívida.”

     

  13. Após explicar que, ao contrário do “olho por olho e dente por dente”, a suprema lei de Deus é a Lei de Amor, diz o Mestre: “Investigando as revelações do céu com o egoísmo que lhes é próprio, organizaram a justiça como o edifício mais alto do idealismo humano. E, no entanto, coloco o amor acima da justiça do mundo e tenho ensinado que só ele cobre a multidão dos pecados.”
  14. a) Eis um ensinamento que ainda não aprendemos a praticar: O amor acima da justiça;

    b) E o paradoxal é que, sem amor, não se faz realmente justiça;

    c) Como já dissemos, somente as leis sociais podem julgar seus membros, para manter a ordem;

    d) Porém basta olhar a realidade para vermos o quanto somos ainda justiceiros, juízes de todos, menos de nós mesmos;

    e) Ora, se a suprema lei de Deus é a do amor, nada mais lógico que as rearmonizações entre nós só possam ser feitas pelo amor, como já dito;

    f) Deus não vai mudar suas leis, para satisfazer nossos desejos de vingança;

    g) É por nos negarmos a entender que o amor está acima da justiça que sofremos, até entender que só o amor cobre a multidão dos pecados;

    h) Pedimos humildemente ao Mestre licença para dizer também que só o amor evita a multidão de escândalos;

    i) É por tudo isso que o amor está acima da justiça do mundo.

     

  15. Jesus diz mais: “Se nos prendermos à lei de Talião (olho por olho, dente por dente), somos obrigados a reconhecer que onde existe um assassino haverá, mais tarde, um homem que necessita ser assassinado; com a lei do amor, porém, compreendemos que o verdugo e a vítima são dois irmãos, filhos de um mesmo Pai. Basta que ambos sintam isso para que a fraternidade divina afaste os fantasmas do escândalo e do sofrimento.”

a) Eis porque Jesus insistiu tanto na necessidade do perdão;

b) Só esquecendo as ofensas vamos criar um ambiente de fraternidade;

c) Diferente da justiça do mundo, a de Deus sempre nos leva a corrigir nossos erros pela fraternidade;

d) Por ser perfeita, a Justiça Divina nunca permite que passemos por situações que não sejam necessárias ao nosso aprendizado, por mais difíceis que sejam;

e) E aí entra a reencarnação, com o esquecimento do passado, unindo antigos desafetos para facilitar nosso reajuste pelo amor;

f) Eis o porquê da força da cosanguinidade e do instinto de preservação —eles superam nossa “teimosia” em não perdoar e, com o esquecimento, promovem o reajuste pelo amor;

g) Como podemos ver, o escândalo só acontece em nossas vidas se insistirmos muito em sermos egoístas e orgulhosos;

h) Notemos ainda que “sentir” deve ser compreendido como entender as coisas e praticá-las.


[1] “Entrar” contradiz a afirmação anterior de Jesus, que foi “conhecer”, já que toda a criação divina é o Reino dos Céus. Sendo assim, independente de nossa condição evolutiva, todos fazemos parte dele. Em outras passagens evangélicas Jesus surpreende os ouvintes dizendo: “O Reino dos Céus está aqui, agora”, em situações cotidianas. Por isso, o mais adequado seria usar, realmente, “conhecer o Reino dos Céus”, ou “viver o Reino dos Céus”. Sugerimos que o leitor reflita, inclusive, no fato de que sendo Jesus um Espírito perfeito já antes de encarnar entre nós, ele viveu no Reino dos Céus aqui, encarnado entre nós, durante toda sua existência. É esta lógica, inclusive, que nos leva a acreditar que, apesar da dor que possivelmente sentiu na cruz, Jesus não sofreu nada durante o Calvário, pois estava certo de que sua atitude seria o caminho a guiar a humanidade inteira pelos séculos do porvir.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: