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O testemunho de Tomé e a visão materialista do mundo

Enviado por on 11/06/2013 – 00:10
CC/JuX

Continuamos o estudo do livro “Boa Nova”, de Humberto de Campos (Espírito) com o capítulo 16, em que Tomé pede a Jesus que promova um sinal dos céus para demonstrar aos poderosos da época o seu poder.

 

  1. Jesus responde a Tomé com outra pergunta: “Por que pede esta geração um sinal dos céus?”
  2. a) Como sabemos a verdadeira fé não é apenas uma crença —é a total confiança. É a força que movimenta nossa vontade;

    b) Mas, como em tudo, é uma conquista de nosso trabalho, e uma aceitação de nosso livre-arbítrio;

    c) Sendo o livre-arbítrio o livre exercício da nossa vontade, ele nunca pode ser imposto;

    d) Devemos livremente entender e aceitar;

    e) E quem quer de verdade entender que Deus existe, basta olhar a natureza;

    f) Em sua ação perfeita, ela nos fornece, por si só, tudo o que é básico para nossa existência;

    g) E a maravilha de nossa máquina corporal?

    h) Mesmo assim, há os que, vendo, não creem.

     

  3. Humberto de Campos conta que “alguns dos fariseus até queriam crer [em Jesus]; mas de acordo com suas exigências”.
  4. a) É necessário atentar para os Espíritas que estão se transformando em “Tomés”;

    b) Tais “Tomés” estão tendo uma atitude de egoísmo e orgulho, como explica Jesus;

    c) Não percebem que, com isso, estão reintroduzindo a mitologia em nossa Doutrina;

    d) Só que inverteram a situação —fizeram de certos médiuns mitos infalíveis;

    e) Tudo o que dizem estes médiuns mitificados é lei; não pode ser contestado;

    f) O primeiro a ser transformado em mito foi o próprio codificador, Allan Kardec;

    g) A palavra de Kardec se tornou irretocável, e tudo o que está contido na Codificação é imutável para estes Espíritas “Tomés”;

    h) O mesmo foi feito com Chico Xavier, que com sua verdadeira humildade sempre nos alertou que não era perfeito e podia sim cometer erros;

    i) Estão esquecendo o mais importante ensino contido na Doutrina, após o “Fora de Caridade não há Salvação”: a Fé Racional e os Atributos de Deus.

    Obs: Tendo a palavra “Salvação” uma conotação mística e religiosa, achamos mais de acordo com a excelência do postulado da Caridade, que é válido em todas as situações da vida, trocá-la por solução: “Fora da Caridade não há Solução”.

     

  5. Aconteceu então de Tomé insistir para que Jesus atendesse às exigências dos fariseus bem aquinhoados de autoridade e riquezas.
  6. a) Os que se deixam levar pelo egoísmo e orgulho assim procedem para tentar, de forma disfarçada, impor suas ideias;

    b) Fazem de conta que dialogam, mas se negam a ter a humildade de se reconhecerem em erro;

    c) Esquecem-se que compactuar com inverdades é distorcer a verdade e gerar confusão;

    d) Se Jesus fizesse os “milagres” que queriam, seria o mesmo que o Mestre se colocar na posição de Deus;

    e) Se Jesus fizesse isso, seria um ato de extrema vaidade —já que ele mesmo dizia que bom, só o Pai;

    f) A única maneira de chegarmos à verdade é com nosso esforço e uso do livre arbítrio;

    g) E o roteiro dado por Kardec, já vimos: Fé Racional e Atributos de Deus.

     

  7. Após Tomé reiterar o pedido, o Divino Mestre responde: “Tomé, Deus não exige que os homens o conheçam senão no santuário do perfeito conhecimento de si mesmos. Eu venho de meu Pai e tenho de ensinar as suas verdades divinas. Nunca reclamei de meus discípulos as suas homenagens pessoais, apenas tenho recomendado a todos que se amem reciprocamente através da vida”.
  8. a) O Evangelho é um perfeito roteiro da Caridade e da Humildade;

    b) Jamais devemos querer agradecimento ou retorno do bem que praticamos;

    c) Fazer o bem é nossa obrigação;

    d) O que devemos é agradecer a oportunidade de poder praticá-lo;

    e) A oportunidade de praticar o bem é o único e real benefício que temos;

    f) Tudo o mais que vier, é apenas acessório.

    g) Notemos ainda que só o perfeito conhecimento de nós mesmo, nos fará conhecer Deus.

     

  9. E para encerrar o assunto diz Jesus: “Julgas então, que o Evangelho do reino seja uma causa dos homens perecíveis? Se assim fosse, as nossas verdades seriam tão mesquinhas como as edificações precárias do mundo, destinadas à renovação pela morte, nos eternos caminhos do tempo. Os patrícios romanos e os doutores de Jerusalém não terão de entregar a alma a Deus, algum dia? Quem será desse modo, o mais forte e poderoso: Deus, que é o Pai de sabedoria infinita, na eternidade de sua glória, ou um César romano, que terá de rolar de seu trono revestido de púrpura, para o pó tenebroso da sepultura?”
  10. a) O Evangelho é a causa de Deus;

    b) É por isso que Jesus, um Espírito perfeito, veio trazê-lo;

    c) Não podia haver erros no Evangelho —e devemos considerar que tudo o que houver de errado nas escrituras não foi ensinado por Jesus;

    d) Os erros dos Evangelhos foram enxertias dos homens, ainda imperfeitos;

    e) Jesus mesmo previu que seus ensinamentos seriam distorcidos, e que pediria ao Pai que enviasse outro Consolador, que “ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que eu vos disse” (João, 14:26);

    f) Este Consolador é o Espírito da Verdade, que conduz toda a Revelação Espírita, desde a época de Kardec, passando por Chico Xavier e até nossos dias;

    g) Agora, que já estamos no Mundo de Regeneração, toda a verdade será restabelecida;

    h) A mitologia será removida das palavras do Cristo, firmando a verdade sobre o Deus Amor, o Deus Consolador;

    i) Jesus ainda deixa bastante claro que temos muito a aprender, pelo ciclo morte e renascimento, para chegarmos à perfeição;

    j) Para só então podermos desfrutar, com Deus, da eterna felicidade na perfeição;

    k) Porém, para isso, nosso foco tem que ser a conquista das virtudes espirituais, imperecíveis.

     

  11. Tomé ainda insiste: “Mestre, compreendo as vossas observações divinas; no entanto, esses forasteiros desejam apenas um sinal de Deus nos céus”. Ao que responde Jesus: “Mas se são incapazes de perceber a presença de Nosso Pai, como poderão reconhecê-lo num simples sinal?”
  12. a) Nosso Pai: Pai dele Jesus e nosso. Portanto não há Santíssima Trindade;

    b) Nosso Pai: Pai de todos nós. Portanto somos todos iguais. Ninguém é melhor que ninguém perante Deus —eis a verdade.

     

  13. “Uma só lágrima que console e esclareça um coração atormentado, vale mais do que um sinal imenso do céu, destinado tão somente a impressionar os sentidos da criatura.”
  14. a) Eis uma frase que demonstra de forma completa o que é o Evangelho —a Caridade;

    b) Importante para os médiuns, para que meditem por que têm pedido e usado os dons espirituais?

    c) Jesus deixa claro que a Caridade vale mais que qualquer magia ou fenomenologia;

    d) Daí a atitude genial de Kardec, em buscar o lado moral da Doutrina, ao invés de se preocupar com os fenômenos, como fizeram os Espiritualistas;

    e) Na mesma época, os espiritualistas seguidores da linha inglesa pesquisavam apenas fenômenos, que apesar de ser importante em provar os fatos Espíritas, pouco acrescentam ao aspecto moral do comportamento humano;

    f) Se o Consolador, segundo Jesus, é aquele que deve restaurar seus ensinos, não há dúvida que só a Revelação Espírita fará isso, ao buscar dar toda ênfase ao aspecto moral da vida e à Caridade.

     

  15. Depois de explicar sobre o que é redenção, diz nosso Divino Mestre: “O nosso sinal é o do amor que eleva e santifica, porque só ele tem a luz que atravessa os grandes abismos. Vai e não descreias, porque não triunfaremos no mundo somente pelo que fizermos, mas também pelo que deixarmos de fazer, no âmbito de suas falsas grandezas”.

a) Tanto na vida quanto nos trabalhos espirituais podemos ver a força do amor;

b) Não há dúvida de que só com amor podemos desfazer nossos erros;

c) Mas a Caridade nos ensina também que amar é também evitar as falsas grandezas do mundo;

d) Falsa grandeza é tudo aquilo que nos dá uma falsa sensação de poder;

e) Quando sou pobre e gasto todo meu salário na compra de uma roupa de grife, estou tendo a falsa ideia de que tal roupa me fará parecer melhor do que sou;

f) Sendo rico, gasto meu dinheiro em coisas supérfluas e caras, negando-me a ajudar quem precisa, iludo-me com a falsa ideia de um poder que não tenho;

g) Evitando tais atitudes, não corro o risco de me sentir superior aos outros, deixando-me levar por meros preconceitos;

h) Se busco ser superior, torno-me egoísta e orgulhoso;

i) E o orgulho e o egoísmo são males causadores de todo o sofrimento que existe na humanidade;

j) Após a crucificação, ao voltar a se encontrar com os discípulos, nosso querido Mestre, sabendo da ainda frágil fé de Tomé, manda-o colocar as mãos em suas chagas;

k) Aí Tomé compreende quando Jesus lhe disse, da cruz, que no Evangelho, o sinal do céu tem de ser o completo sacrifício de nós mesmos;

l) Então ele entende a imensa força que o martírio de um coração que ama produz;

m) É preciso entender, porém, que sacrificar a nós mesmos é deixar de lado nossa auto-adoração, que praticamos pelo orgulho e pelo egoísmo;

n) Na época de Jesus, o sacrifício do martírio era necessário —hoje basta sacrificarmos nossa auto-adoração, agindo com Humildade e Caridade, sempre.

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