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A realidade espiritual de Maria de Nazaré

Enviado por on 20/10/2013 – 22:00 Um comentário
David Preston/CC

O último capítulo do livro “Boa Nova”, de Humberto de Campos (Espírito), retrata a verdadeira realidade espiritual de Maria de Nazaré, mãe de Jesus, que lhe conhecia a missão e teve um papel importante na comunidade da doutrina Cristã que nascia.

Acompanhe conosco o estudo do livro Boa Nova capítulo a capítulo
    1. Diante de Jesus na cruz, ao relembrar sua infância, Maria sentiu a dor de uma mãe que perde o filho sem compreender que fizera seu filho para merecer aquilo.

a)   Maria, desde esse instante, dá para todos nós um grande exemplo de humildade;

b)   Sente-se ansiosa e triste, porém recorda a assistência de Deus em todos os momentos de sua vida;

c)    A dor de Maria surgia da condição de mãe que o mundo lhe exigia;

d)   Porém, sua humildade abria-lhe o coração à verdade do Deus amor que seu filho exemplificara, o que lhe deu a força moral para conseguir passar pela situação.

 

    1. Com a chegada de João Evangelista, que abraça Maria na hora extrema de Jesus, o Mestre nos deixa uma linda lição sobre o verdadeiro parentesco e a vida após a morte.

a)   Ao apontar João e dizer à própria mãe “eis aí teu filho”, Jesus dá a Maria uma chave para libertar o próprio coração pela perda de um ente querido: o DESAPEGO;

b)   Se amar o próximo é fazer todo o bem que você pode a quem está a seu lado, não faz sentido chorar por aqueles que já passaram ao lado espiritual da vida;

c)    Jesus e a Doutrina Espírita comprovaram que a vida continua no plano espiritual;

d)   Ao mesmo tempo, Jesus nos ensinou a realidade do Deus Amor e também a Caridade como maior dos mandamentos;

e)    Assim, o Mestre quis mostrar que, ao perder um filho, uma mãe ganha a humanidade inteira de “próximos” por quem pode fazer o bem;

f)     Um pai, uma mãe, os filhos ou parentes próximos são sempre obras de amor inadiáveis, a primeira escola da Caridade;

g)   Mas o lar será sempre o início do trabalho para que o Espírito chegue ao amor universal;

h)   Eis o sentido de enxergarmos a todos como “irmãos”, nosso verdadeiro parentesco espiritual.

 

    1. Nos anos seguintes à morte de Jesus, a vida de Maria seguiu emoldurada pela saudade e pelas desavenças entre os seguidores. Até que muda-se com João para Éfeso, onde as ideias de Jesus começavam a ganhar espaço entre pessoas simples e sinceras.

a)   Deixando as discussões estéreis para trás, Maria e João buscam um lugar simples em que pudessem levar a mensagem consoladora de Jesus;

b)   Reúnem cada vez mais pessoas em busca das boas notícias do Evangelho de Jesus;

c)    Enquanto João pregava na cidade, Maria atendia em seu próprio lar os desventurados e espalhava esperança entre os sofredores;

d)   Certa vez, quando um miserável leproso beijou-lhe as mãos depois de ter suas úlceras aliviadas, disse, reconhecido, que a mãe do mestre era “nossa Mãe Santíssima”;

e)    Maria se esquivava dos elogios, mas quem não buscava em suas memórias e em sua doçura uma palavra de mãe que acalmasse o coração?

f)     E aos desventurados e sofredores, Maria ensinava a paciência: “Isso passa. Só o reino de Deus é bastante forte para nunca passar de nossas almas, como eterna realização do amor celestial.”

g)   Enquanto o núcleo cristão de Éfeso crescia, exigindo do tempo de João, Maria vivia quase sempre só, depois que a multidão de necessitados voltava a seus lares.

 

    1. Os anos passaram e, no serviço ao próximo, as lembranças de Maria foram se atenuando. Com a prática da Caridade, Maria não sentia os incômodos da velhice —nem cansaços, nem amarguras. A certeza da proteção de Deus lhe dava consolo constante. Quando chegam as notícias das perseguições aos seguidores do Cristo em Roma, eis que certa noite chega-lhe um visitante:

 

“Minha mãe”, exclamou o recém-chegado, como tantos outros que recorriam ao seu carinho, “venho fazer-te companhia e receber a tua bênção”.

Maternalmente, ela o convidou a entrar, impressionada com aquela voz que lhe inspirava profunda simpatia. O peregrino lhe falou do céu, confortando-a delicadamente. Comentou as bem-aventuranças divinas que aguardam a todos os devotados e sinceros filhos de Deus, dando a entender que lhe compreendia as mais ternas saudades do coração. Maria sentiu-se empolgada por tocante surpresa. Que mendigo seria aquele que lhe acalmava as dores secretas da alma saudosa, com bálsamos tão dulçorosos? Nenhum lhe surgira até então para dar; era sempre para pedir alguma coisa. No entanto, aquele viandante desconhecido lhe derramava no íntimo as mais santas consolações. Onde ouvira noutros tempos aquela voz meiga e carinhosa?! Que emoções eram aquelas que lhe faziam pulsar o coração de tanta carícia? Seus olhos se umedeceram de ventura, sem que conseguisse explicar a razão de sua terna emotividade.

Foi quando o hóspede anônimo lhe estendeu as mãos generosas e lhe falou com profundo acento de amor:

“Minha mãe, vem aos meus braços!”

Nesse instante, fitou as mãos nobres que se lhe ofereciam, num gesto da mais bela ternura. Tomada de comoção profunda, viu nelas duas chagas, como as que seu filho revelava na cruz e, instintivamente, dirigindo o olhar ansioso para os pés do peregrino amigo, divisou também aí as úlceras causadas pelos cravos do suplício. Não pôde mais. Compreendendo a visita amorosa que Deus lhe enviava ao coração, bradou com infinita alegria:

“Meu filho! meu filho! as úlceras que te fizeram!…”

E precipitando-se para ele, como mãe carinhosa e desvelada, quis certificar-se, tocando a ferida que lhe fora produzida pelo último lançasso, perto do coração. Suas mãos ternas e solícitas o abraçaram na sombra visitada pelo luar, procurando sofregamente a úlcera que tantas lágrimas lhe provocaram ao carinho maternal. A chaga lateral também lá estava, sob a carícia de suas mãos. Não conseguiu dominar o seu intenso júbilo. Num ímpeto de amor, fez um movimento para se ajoelhar. Queria abraçar-se aos pés do seu Jesus e osculá-los com ternura. Ele, porém, levantando-a, cercado de um halo de luz celestial, se lhe ajoelhou aos pés e, beijando-lhe as mãos, disse em carinhoso transporte:

“Sim, minha mãe, sou eu!… Venho buscar-te, pois meu Pai quer que sejas no meu reino a Rainha dos Anjos.”

Maria cambaleou, tomada de inexprimível ventura. Queria dizer da sua felicidade, manifestar seu agradecimento a Deus; mas o corpo como que se lhe paralisara, enquanto aos seus ouvidos chegavam os ecos suaves da saudação do Anjo, qual se a entoassem mil vozes cariciosas, por entre as harmonias do céu.

No outro dia, dois portadores humildes desciam a Éfeso, de onde regressaram com João, para assistir aos últimos instantes daquela que lhes era a devotada Mãe Santíssima.”

 

  1. Antes de partir em definitivo para seus novos aprendizados espirituais, Maria desejou, já em Espírito, rever os cristãos que estavam presos sob o martírio dos romanos. É então conduzida pela caravana espiritual que lhe assistia até lá, onde nos deixa maravilhosa lição.

a)   Maria não enxerga o desenlace do corpo físico como uma libertação de um “vale de sombras”;

b)   Nem se afasta da dificuldade do próximo ao partir;

c)    Tendo alcançado a sublime felicidade com a Caridade e o retorno do próprio filho, quer dividir sua felicidade com os que mais sofriam naquele instante;

d)   Sua simples aproximação espiritual banhou os cárceres de Roma num consolo desconhecido;

e)    Sentindo-se verdadeira mãe dos sofredores do mundo, Maria compartilhou das angústias de todos, reforçando em cada um as preces e a confiança em Deus;

f)     Desejou dar a eles uma lembrança perene, mas pensou: que possuía ela para lhes dar?

g)   Decidiu então deixar entre eles a força da alegria, e convidando uma jovem encarcerada a cantar, deixa-nos sua mensagem eterna como aquela por quem nasceu nosso Amigo e Mestre:

“Canta, minha filha! Tenhamos bom ânimo!… Convertamos as nossas dores da Terra em alegrias para o Céu!”

Eis o exemplo e a mensagem de Nossa Mãe Espiritual, que desde então auxilia Jesus e o Pai a reconduzir todos aqueles que sofrem e se enganam ao verdadeiro Caminho da Luz e da Caridade.

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