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Se Deus é todo-poderoso, por que permite o sofrimento?

Enviado por on 02/12/2013 – 10:28
CC/Doug Weterman

Uma pergunta que nunca quer calar é esta: sendo todo-poderoso e onisciente, por que Deus não arruma um jeito de evoluirmos sem dor e sem sofrimento, sem tirar nosso livre-arbítrio?

A resposta mais simples seria pensar: se Deus só faz o melhor, é porque esta não seria a melhor forma de fazer a Criação. E como a realidade nos mostra a necessidade da evolução para chegarmos à divinização[1], é isto, também com certeza, o melhor.

Mas quase sempre esta resposta não é aceita, principalmente por que acreditamos em milagre.

E o milagre seria sempre Deus fazer por nós aquilo devemos fazer por nós mesmos. Já que pequenos milagres as igrejas afirmam que o Pai faz, por que não o milagre de nos criar perfeitos?

A verdade é o contrário: ao nos criar simples e ignorantes e permitindo que provoquemos nosso sofrer, nosso Pai deixa claro que não faz milagres.

E que temos sim que trabalhar e nos esforçar pela nossa evolução, equilíbrio e felicidade.

No final das contas, fazer-nos evoluir sem dor seria o mesmo que nos criar perfeitos.

  1. Ora, e por que Deus não nos cria perfeitos?
  2. a)   Criando-nos perfeitos, seríamos tudo aquilo que o Pai quereria, e nunca teríamos vontade própria;

    b)   Seria a Suprema Ditadura.

     

  3. Mas tendo a onisciência ele não poderia nos criar perfeitos e com vontade própria?
  4. a)   Poder para isso ele tem. Mas poder fazer é diferente, já que não seria fazer o melhor, pois, como somos imortais, teríamos uma existência infinita. E o que iríamos fazer durante toda essa eternidade?

    b)   Sendo tudo perfeito, somente Deus criaria e nós não teríamos o que fazer. Imaginou o tédio?

    c)    Nós não teríamos o que fazer, pois não participaríamos com nosso Pai da eterna Criação. Seria o eterno ócio;

    d)   E mesmo Deus não poderia ser feliz, por que só criar filhos perfeitos seria fazer sempre a mesma coisa de toda eternidade;

    e)    Ainda, encher o infinito espaço da eterna Criação, nos criando perfeitos, seria o mesmo que criar infinitos preguiçosos, que nada teriam a fazer, a não ser ficar louvando a Deus. Poderia Deus ser tão vaidoso?

    f)     Como, de toda eternidade, o Pai trabalha incessantemente, para sermos Deuses Filhos, perfeitamente semelhantes ao Deus Pai, temos que aprender, também, a trabalhar como ele;

    g)   E tem mais: para ser supremo, e poder ser Deus, ele tem que ser único; só que para que seja assim, além de termos vontade própria que nos diferencie da dele, nos tornando também únicos, temos que ter a nossa própria capacidade criativa;

    h)   Porém, criar significa fazer coisas novas, diferentes das de Deus, ou seja, também criarmos coisas diferentes das de Deus, mas também perfeitas, quando na perfeição e na divinização;

    i)     Seria multiplicar o tédio ao infinito, pois além do Pai, todos nós ficaríamos por toda eternidade fazendo a mesma coisa.

    j)     Só o processo de evolução pode gerar infinitas e diferentes coisas a fazer, tanto para Deus, quanto para nós;

    k)   Para evoluir é preciso aprender e só aprende quem não sabe;

     

    1. Mas na perfeição, também não se evolui?

    a)   Sim, até a chegada à divinização, quando não evoluiremos mais, pois todos, nessas condições, terão o conhecimento perfeitamente semelhante ao de Deus;

    b)   Na perfeição não saber não significa imperfeição, mas ter muito a aprender e evoluir até a divinização;

    c)    Aqui, entra o grande problema: em sua condição de supremacia absoluta, Deus tem que fazer sempre o melhor para nós;

    d)   Ele teria, com isso, que nos criar já divinos. E, não teríamos o que evoluir, voltando ao tédio;

    e)    Uma vida eterna de tédio significaria a eterna infelicidade, e nunca seria o melhor para nós;

    f)     Tem mais: criando-nos perfeitos, nossa vontade não seria semelhante, mas igual à de Deus;

    g)   E não seríamos Deuses Filhos, mas deuses iguais ao Pai;

    h)   Deus deixaria de ser único e nós também;

    i)     Seria impossível imaginar o tamanho do tédio.

     

  5. Mas se ele nos criasse apenas perfeitos e não divinos? Nós teríamos o que aprender e evoluir e não sofreríamos.
  6. a)   É verdade. Porém como vimos no item 3, nesse caso nossa vontade seria igual à de Deus e não desenvolvida por nós;

    b)   Pois nós já saberíamos, com perfeição como fazer tudo e só teríamos que aprender o que fazer;

    c)    Ou seja, nos criando já perfeitos, nossa vontade seria a de Deus e não a nossa —novamente;

    d)   Para termos vontade própria, é preciso aprender não só como fazer, mas também o que fazer.

     

    Deus já nos ensina a sempre fazer o certo em todo processo evolutivo antes do Reino Humano. Então, só nos basta querer fazer o certo.

     

  7. O que você quer dizer com isso?

A própria natureza nos mostra que só existe o grande pela união dos pequenos.

Tanto o nosso mundo, quanto nosso imenso Universo são feitos da união de miríades de pequeninas partículas de matéria.

A própria existência do espaço e do tempo é efeito da existência relativa de fenômenos materiais.

Seja de matéria do plano físico, etérico, astrais ou mental, são todos fenômenos materiais.

Já os fenômenos que ocorrem com o Espírito propriamente dito, que para não gerar confusão, nós chamamos de Ego, estes por serem gerados do fluido cósmico inteligente, nada têm de material;

Não gerando, assim, efeitos de espaço e tempo em si mesmos;

Sofrendo, porém, os efeitos de tais fenômenos, quando em interação com eles. Deus e nós, quando divinizados, só agiremos sobre as diversas formas de matéria pela ação mental, e nunca por interação.

Sendo então o Ego inteligência pura, só ele pode ser imortal, e na realidade, só ele evolui.

Por mais longo que um fenômeno material possa ser, ele sempre terá um começo e um fim.

Levando-se em consideração que a evolução é um fenômeno irreversível, ou seja, não diminui nunca:

Só o Ego por ser imortal pode evoluir, pois manterá seu estado de evolução por toda eternidade.

Assim a matéria só pode se aperfeiçoar, e nunca evoluir, uma vez que ao terminar o fenômeno material tal “evolução” desaparecerá.

Porém, como em tudo na criação divina, no momento de nossa criação, também somos criados com a capacidade muito pequena de interagir com a matéria.

Lembremos que por sermos imateriais não ocupamos espaço e nem sofremos a ação do tempo.

Assim, começa o Ego sua existência e evolução na forma de “pequenina” mônada, que chamaremos Mônada Primordial.

Nossos orientadores da espiritualidade nos dizem, que tais mônadas começam a evoluir, aprendendo a agir sobre a matéria mental;

Pois é a primeira transformação, e a mais sutil pela qual o fluido cósmico material pode passar.

Depois agem sobre as matérias astrais, a etérica e finalmente, a física.

Continuam a evoluir, ainda como mônadas, no reino microscópico, vegetal, animal, proto-humano, para só então se tornarem Egos humanos.

Não existe um momento fatal em que a mônada deixa de ser mônada, para se tornar um Ego humano.

Isto vai acontecendo gradualmente na fase proto-humana.

Informam-nos ainda nossos orientadores espirituais, que o Ego já é um Ego completo, assim que criado como mônada primordial.

Assim, é incorreto dizer princípio de Ego (ou princípio espiritual).

Dizem ainda que no momento de nossa criação, são colocados em nós todos os atributos de Deus, menos o da eternidade, de sermos incriados e causa primária.

Que tais atributos, por serem iguais aos de Deus, têm que ser perfeitos.

Logo, a Mônada Primordial já tem em si um enorme conjunto de ferramentas perfeitas, que tem que aprender a usar durante a evolução, até atingir a divinização, quando não mais evoluirá.

E não devemos nos preocupar com o volume de ferramentas, pois tanto elas (virtudes), quanto as Mônadas Primordiais são imateriais e não sofrem a influência nem do espaço e nem do tempo.

Durante a perfeição, até a divinização, é que ocorre nosso maior aprendizado, pois já não poderemos mais errar.

Na divinização, em semelhança com Deus, não mais evoluiremos, seremos imutáveis e teremos todo o conhecimento que o Pai tem.

Você não falou como Deus nos prepara para não errarmos!

Comecei a falar, quando falo dos atributos (virtudes) perfeitos como ferramentas;

Mas, em nossa evolução até o reino humano, o fazemos desenvolvendo nossa inteligência instintiva, e a partir da fase animal começamos a desenvolver nossa inteligência emocional e racional.

A Inteligência Instintiva é uma forma automática de aprendermos orientada por leis perfeitas.

São os Instintos se desenvolvendo, desde a Mônada Primordial, até se finalizar no Proto-Humano.

Todos os trabalhos que somos levados a executar com a formação de campos de força para a construção de partículas muito pequenas, desde as mais etéreas, no plano mental, até a agregação mais densa do Fluido Cósmico Material no plano etérico e físico, evoluímos como mônadas, sem vitalizar tais materiais;

Começando a fazê-lo aqui na Terra nos reinos microscópicos, até chegarmos ao humano, formando vidas cada vez mais complexas, tudo isso pelo automatismo perfeito do instinto.

A vida microscópica se unindo aos trilhões, sob o comando dos Egos, para dar forma aos inúmeros corpos inanimados e animados de vida;

Comando esse que opera automaticamente.

Isso explica por que a partir do reino animal, quando começamos a desenvolver nossa inteligência emocional e racional, precisamos passar por processos corretivos de doenças:

É para gravar em definitivo em nossas mentes embrionárias o automatismo correto que evitará que erremos no futuro, apesar de não termos ainda o livre-arbítrio.

Apesar de acharmos, os vegetais não ficam doentes, apenas servem de alimento, dentro do processo natural.

Informam-nos, ainda, nossos orientadores espirituais, que tal processo apesar de doloroso, não causa sofrimento nos animais, pois a aceitação deles é instintiva, e eles sequer têm a noção de sofrimento.

Ainda, em nosso caso, o que nos causa o sofrimento é nossa revolta com a dor que é o remédio que nos cura, por causa do orgulho e do egoísmo.

Assim, jamais sofreríamos se não anulássemos nossos instintos pela revolta.

Os vegetais, já assenhoreados desses conhecimentos, aprendem a desenvolver o conhecimento da produção de materiais que possam sustentar outras vidas, e ainda a formação de cores e beleza estética que enfeitam os mundos, entre outras coisas.

Tudo isso com o perfeito instinto de doação à natureza.

Em seguida vemos os animais formando vidas ainda mais complexas, num majestoso espetáculo de evolução, definindo de vez o aprendizado com hercúleo esforço na preservação e manutenção da vida.

Entre os insetos, como a abelha e a formiga, vemos o aprendizado de uma perfeita forma de organização social, onde todos trabalham pela preservação da vida de todos, mesmo a custo da própria vida.

Aprendemos, assim, a como nos doar pelo bem estar social, e também, como viver em sociedade.

O mesmo ocorrendo entre os animais superiores, para que este sentido de preservação da vida seja tão forte, que só mesmo uma grande distorção de nosso livre-arbítrio nos faça agir pela destruição da vida.

E tudo isto, é complementado no reino proto-humano, quando por longos períodos de tempo aprendemos a cuidar zelosamente de vidas inferiores.

Esta é a tela enorme da perfeição evolutiva que Deus nos mostra diariamente pela apresentação da ação da Natureza, e que nos negamos a tomar qualquer tipo de conhecimento.

Ensinando-nos desde a Mônada Primordial a como agir sempre certo nos trabalhos que nos farão evoluir, para só então no reino humano nos ir dando o livre-arbítrio e a responsabilidade de nossos atos.

Negar esta MAJESTOSA realidade, que prova a inimaginável SABEDORIA de alguém que organiza tudo isso, DEUS, é mais que cegueira: é a total paralisia de um aprendizado evolutivo de bilhões de anos.

Veja meu caro, o quanto temos que deixar de lado para fazermos um único mal.

Repetimos: bilhões de anos de mecanismos evolutivos, a nos ensinar como fazer o certo.

Qual o tamanho de orgulho e de egoísmo temos que desenvolver em nós para nos tornarmos PARALÍTICOS da CARIDADE e do AMOR?

Que força O ORGULHO e o EGOÍSMO têm que ter, para vencer um aprendizado que levou bilhões de anos para se fixar em nossas mentes? Como dizer que nosso Pai não nos prepara, com conhecimentos e ferramentas, para que nunca venhamos a errar?

É por tudo isso que podemos afirmar que os planetas de Expiação são as exceções na Criação Divina, e nunca a regra.

E as outras formas de inteligência, como ficam?

Falando ainda de nós humanos temos:

A inteligência emocional que nos leva a usar bem nosso conhecimento;

A inteligência racional, que nos leva a aprender e fixar para sempre o conhecimento.

O uso de ambas para o bem nos leva a sermos gradativamente sábios.

Aqui entra a força da inteligência instintiva, que se permitimos e aceitarmos seus reflexos em nosso comportamento, nunca faremos o mal, indo aos poucos a transformando em INTELIGÊNCIA REFLEXIVA, que nos levará a acelerar em muito nossa sabedoria.

Como você vê, adquirir doenças morais é responsabilidade somente nossa, pelo mau uso do livre-arbítrio.

Fazer o que temos feito aqui na Terra por tanto tempo, nos mostra a que ponto chegamos com a distorção de todo esse aprendizado evolutivo:

Transformamo-nos em bárbaros, passando a fazer coisas que nem os animais fazem. Eis o que fizemos conosco usando a nossa já desenvolvida inteligência na prática do mal.

Não é demais dizer que Deus fez a Criação errada, por nos criar seres livres? Até onde vai a nossa irresponsabilidade e preguiça?

Por que fugir ao esforço necessário à nossa cura, já que, como vimos, somos doentes morais, que se não fosse nossa imortalidade, seríamos terminais?

Mas nosso Pai sempre irá nos curar, sem ferir nossa liberdade, e sem jamais nos condenar para sempre.

Por tudo o que vimos, jamais deveríamos sofrer, mesmo tendo que tomar o remédio da dor para nos curar com rapidez.

Sofrer e demorar em nossa cura é responsabilidade apenas nossa, jamais de Deus ou de alguém mais.

 

Rosino Caporice


[1] Nossos orientadores da espiritualidade têm nos informado que o Espírito não para de evoluir quando atinge a perfeição (estado também chamado por Allan Kardec de Espírito puro). A perfeição não significa deter todos os conhecimentos, porém, apenas os necessários para não mais cometer erros. Pelos ensinamentos de Jesus, somos levados a acreditar que a perfeição indica o pleno domínio das virtudes da Caridade e da Humildade.

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