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Os pequenos delitos e o despertar da consciência

Enviado por on 03/02/2014 – 22:16

Vivi no mundo à cata do sucesso e do bem estar. Durante a segunda metade do século que passou, tirei proveito de bons movimentos financeiros internacionais e da educação refinada que minha família conseguiu me dar para acumular boa fortuna e boa reputação social.

Os fins, no entanto, não justificavam os meios, como quis acreditar. Fui alguém que parecia feliz aos olhos materiais que me observavam, e perante mim mesmo julgava ter conseguido fazer aquilo que de melhor um homem poderia fazer em vida.

Não me faltaram lazeres, aquisições, presentes aos filhos, vontades feitas à mulher e aos familiares mais próximos. Julgava-me um investidor de sucesso, que fazia girar a economia. Tive diversas empresas, e empreguei alguns milhares em suas atividades.

Aos olhos daquela que tudo vê, no entanto, havia pequenos delitos que me espantaram quando perdi a vida, em um acidente de carro nos anos 80. Minha consciência despertou de tal forma envolta em dor e movimento de fuga, que não fosse a prece de alguns poucos que auxiliei de maneira prodigiosa no mundo, teria passado talvez décadas no Umbral escapando de ciladas que, depois, entendi ter eu mesmo armado para meus pés.

A aplicação do recurso exigia pequeno desvio? Ora, o que os olhos não vissem o coração não sentia. A justa administração das pessoas faria criar indisposições ou desfavorecer antigas amizades? Pais de família por vezes mais capacitados eram sutilmente descartados. A razão de tantos quantos, de forma sincera, tentavam me ajudar fazia-se ouvir em forma de conselhos diretos? Não dava o braço a torcer se tinha algum desejo pessoal ferido, e por vezes afastava de mim aqueles que poderiam ter feito um tanto menor a dificuldade que me esperava.

Recebi do Pai e daqueles que guiavam meus passos na evolução espiritual a chance de dispor de vários recursos da Criação, como forma de espalhar o trabalho, as oportunidades e o conhecimento. Mas monopolizei-os aos meus caprichos, e não tive piedade daqueles que poderiam se interpor aos meus interesses pessoais.

Ah, homens que hoje dispõem de situações de liderança no mundo! Quão enganado eu fui! Se hoje me é permitido contar a vocês um pouco de minha história, isso alivia meu coração –e desejo, profundamente, que sirva de alerta a tantos quantos se fazem escravos, hoje, do sucesso material.

Como Judas, troquei a própria consciência por um punhado de moedas. E senti o amargor do erro ao despertar para a vida espiritual em frangalhos, perseguido por uma multidão de projeções da própria consciência e, para minha maior vergonha, sustentado em preces e caridade fervorosa por aqueles pequeninos que julgava tão inferiores à minha capacidade.

Que lição para meu orgulho! Que vacina contra minha vaidade!

Hoje, quase trinta anos depois de minha passagem ao mundo espiritual, mantenho-me como um pequeno servidor de Alvorada Nova, cidade espiritual na região paulista. Busco, em meio aos milhões de espíritos que a habitam, uma nova oportunidade de encarnar para tentar corrigir o que hoje enxergo como imperfeição.

Se você tem, meu irmão, a moeda do conhecimento e algumas poucas sementes de recursos, administra-os como se fossem um empréstimo que o Pai concede para que embeleze e cresça o seu campo para o sustento do próximo. E então, quando tiver aprendido a cultivar a Caridade, estará pronto para, retornando ao mundo espiritual, encontrar os frutos que, na Terra, tiver plantado.

E que Jesus Cristo, este amigo tão incompreendido e isolado nas Igrejas do mundo, possa estar no coração de todos nós, ajudando-nos a enxergar a verdade.

Paz,

Amarílio Menezes
Mensagem psicodigitada pelo médium Francisco Madureira em São Paulo no dia 05/06/2012

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