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Kardec (em Espírito) corrige “O Livro dos Espíritos”

Enviado por on 05/05/2015 – 07:17 2 Comentários
CC/Shared Gupta

Começamos hoje a publicar aqui no Blog dos Espíritos o estudo da Codificação Espírita sob a óptica dos Atributos de Deus. O resultado deste trabalho, que se estendeu por mais de cinco anos e contou com a participação de um grupo de médiuns dirigidos pelo autor, Rosino Caporice, está no livro Kardec (em Espírito) corrige “O Livro dos Espíritos”. São 36 capítulos com temas variados, desde as influências de época na obra de Kardec, passando pelo sincretismo da mitologia com o próprio Espiritismo e pela nova visão do Deus Amor —o Pai que Jesus nos trouxe e que a Revelação Espírita deve restabelecer.

O estudo será publicado semanalmente aqui no Blog, capítulo a capítulo, mas o livro pode ser adquirido na íntegra, em formato brochura (375 págs.) no site Clube dos Autores —basta clicar na capa do livro, acima.

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Iniciamos o estudo citando Allan Kardec em “A Gênese”, no item II, Autoridade da Doutrina Espírita, trecho da Codificação que acreditamos ser a pedra angular deste trabalho.

♦ ♦ ♦

“Deus é, pois a suprema e soberana inteligência; único, eterno, imutável, imaterial, onipotente, soberanamente justo e bom, infinito em todas as suas per-feições e não pode deixar de ser assim.

Tal é o eixo sobre o qual repousa o edifício universal; é o farol do qual os raios se estendem sobre o univer-so inteiro, o único que pode guiar o homem em sua pesquisa da verdade; ao segui-lo, não se extraviará nunca; e se tem (o homem) se desencaminhado com tanta frequência é por não ter seguido o caminho que lhe é indicado.

Tal é também o critério infalível de todas as doutrinas filosóficas e religiosas; para julgá-las, o homem tem um padrão rigorosamente exato nos atributos de Deus, e ele pode afirmar a si mesmo, com certeza, que toda teoria, todo princípio, todo dogma, toda crença, toda prática, que esteja em contradição com um só desses atributos, que tenda não só a anulá-los, mas simplesmente a enfraquecê-los, não pode estar com a verdade. (Grifo nosso)

Em filosofia, em psicologia, em moral, em religião, nada há de verdadeiro, se não estiver conforme as qualidades essenciais da divindade.”

Não é por acaso que iniciamos esta obra com uma citação de Allan Kardec em “A Gênese”, no item II, Autoridade da Doutrina Espírita. Poucas linhas que explicam muito, marca da genialidade do codificador do Espiritismo. Estas palavras são um critério perfeito, não só do que seja Fé Racional, mas também para avaliar toda e qualquer atividade do ser humano, seja de ordem particular ou social.

Alertando-nos de forma mais completa, diz ainda Kardec na introdução de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”:

“Os Espíritos Superiores procedem, nas suas revelações, com extrema prudência. Só abordam grandes questões da doutrina de maneira gradual, à medida que a inteligência se torna apta a compreender as verdades de uma ordem mais elevada, e que as circunstâncias são propícias para a emissão de uma ideia nova. Eis porque, desde o começo, eles não disseram tudo, e nem o disseram até agora, não cedendo jamais à impaciência de pessoas muito apressadas, que desejam colher os frutos antes de maduros. Seria, pois, inútil, querer antecipar o tempo marcado pela Providência para cada coisa, porque então os Espíritos verdadeiramente sérios recusam-se positivamente a ajudar.”

Os esforços promovidos por Kardec e continuados por Chico Xavier iniciaram a tradução do mundo espiritual para nossos olhos materiais. Com o alvorecer do Mundo de Regeneração em 18 de abril de 2010, no entanto, é chegada a hora de preparar a humanidade deste novo ciclo para o próximo degrau de compreensão, que poderemos atingir de maneira bastante simples, usando para tanto o próprio critério deixado pelo codificador: os Atributos de Deus.

Uma leitura cuidadosa de “O Livro dos Espíritos” e de todas as outras obras da Codificação Espírita faz saltar aos olhos diversas colocações de Kardec e também dos Espíritos que contrariam os mesmos Atributos de Deus traçados em “A Gênese”. Nas obras fundamentais do Espiritismo, Deus castiga, julga, testa seus filhos, humilha-os e os faz sofrer, entre tantas outras coisas. Isso sem falar em certas colocações desairosas de Espíritos considerados superiores, que também afrontam tais atributos.

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No item 5 da conclusão de “O Livro dos Espíritos”, Kardec afirma que o desenvolvimento das ideias espíritas apresentam três períodos distintos: “O primeiro é o da curiosidade provocada pela estranheza dos fenômenos; o segundo é o do raciocínio e da filosofia; o terceiro, o da aplicação e das consequências. O período da curiosidade já passou… O segundo período já começou e o terceiro o seguirá inevitavelmente.”

Já na Revista Espírita de 1863, mês de Dezembro, no final do artigo “Período de Luta”, Kardec desmembra melhor esses períodos —de forma quase profética— não em três, mas em seis fases, a saber:
1) O período da curiosidade;
2) O período filosófico;
3) Período da luta, iniciado com o auto-de-fé de Barcelona, em 9 de Outubro de 1860;
4) O período religioso, que ocorreu no Brasil, através de vários médiuns, com a atuação principal de Francisco Cândido Xavier (Kardec reencarnado);
5) Período intermediário, que está ocorrendo agora, sob a orientação do Espírito da Verdade e de Allan Kardec, desencarnado novamente, que os mesmos chamaram de Período Consolador;
6) O último período, o da regeneração social, que será aplicação social desses ensinos, após terminar o período de transição pelo qual passamos, que segundo Kardec e o Espírito da Verdade, será devidamente aplicado, pelo segundo, então, reencarnado.

Associando este cenário de evolução de ideias à afirmação de Kardec no Evangelho sobre a maneira gradual como os Espíritos Superiores apresentam os conhecimentos, é possível compreender que foi necessário um período de transição para que, agora, todo aspecto Consolador da Doutrina Espírita pudesse ser revelado.

Isso só será possível se encararmos a Codificação sob o prisma dos Atributos de Deus, proposto pelo próprio Kardec em “A Gênese”, por onde iniciamos esta obra. Colocações que afrontem estes atributos estão, portanto, erradas, e de acordo com o postulado da Fé Racional devem ser corrigidas.

Para a cultura da época de Kardec, como entenderemos adiante, a luz de uma revelação mais completa cegaria ao invés de esclarecer.

Na atualidade, temos visto parte dos espíritas criar o mito da infalibilidade de Kardec e da Codificação, não aceitando críticas em relação a ela. Atitude perigosa, pois gera fanatismo e contraria frontalmente a Fé Racional, uma grande conquista do Espiritismo.

Porém, como veremos nesta obra, existem erros na Codificação Espírita.

Ou ficamos com a orientação de Kardec, analisando sua obra de acordo com os Atributos de Deus corrigindo os erros, ou ficamos com o mito. Preferimos atender o princípio da Fé Racional e a orientação de Kardec, e corrigirmos os erros, dentro de nossas possibilidades.

“O Livro dos Espíritos” vem em nosso auxílio para justificar esta visão:

“581. Os homens que são os faróis do gênero humano, que o esclarecem pelo seu gênio, têm certamente uma missão. Mas no seu número há os que se enganam e que, ao lado de grandes verdades, difundem grandes erros. Como devemos considerar a sua missão?

“(…) É necessário (…) tomar em conta as circunstâncias: os homens de gênio devem falar segundo o tempo, e um ensino que parece errôneo ou pueril para uma época avançada, poderia ser suficiente para o seu século.”

De forma alguma podemos admitir que Allan Kardec estivesse abaixo da tarefa que empreendeu. Ainda aí, como veremos, Deus prova sua suprema sabedoria, ao se utilizar de nossos contextos para facilitar nossa compreensão sobre sua Verdade Eterna. E os Espíritos de Deus confirmam a colocação de Kardec: Cada coisa deve vir a seu tempo. Como o Mundo de Regeneração não mais aceitará a visão mitológica de Deus é preciso compreender sua visão real e consoladora.

Apenas pedimos a você, caro leitor, que tenha paciência de ler e analisar o conteúdo deste trabalho antes de fazer qualquer crítica. Seus comentários serão muito bem-vindos, bem como sugestões e perguntas, aqui pelo Blog dos Espíritos (www.blogdosespiritos.com.br).

Apesar desta obra não ser mediúnica, muitos pontos foram orientados e conferidos pelos dois queridos amigos espirituais, já citados, que sempre nos demonstraram elevada sabedoria e grande espírito de Caridade em suas comunicações.

A eles tributamos o verdadeiro valor espiritual desta obra.

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