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Como a mitologia surgiu e depois deturpou o Evangelho

Enviado por on 18/08/2015 – 23:38
CC/Eduardo M.

Os avanços da Ciência e a fé racional trazida pelo Espiritismo não permitem mais uma visão mitológica do mundo. Ao contrário, manter a mitologia arraigada ao Evangelho de Jesus gera um processo de descrença generalizada em nossa época. No capítulo 8 do livro “Kardec (em Espírito) corrige O Livro dos Espíritos“, que continuamos publicando nesta semana, vemos como a mitologia surgiu, sua utilidade no início da civilização e também os riscos da Mitologia Cristã.

CAPÍTULO 8
(leia os capítulos anteriores)

44. O que é mitologia?
É o estudo dos mitos.

45. E o que é um mito?
a) Mito é uma história que tenta explicar sentimentos e temas que preocupam o ser humano;
b) Eles surgiram com as mais antigas civilizações perpetuando-se com a tradição de contar histórias;
c) Os mitos que mais conhecemos hoje são os da civilização grega;
d) Há mitos para representar os mais variados sentimentos. Um deles é o mito do herói, alguém que consideramos mais capaz e, portanto, superior a nós.

46. Só não entendo o que os mitos têm a ver com Espiritismo…
a) Ora, sabe-se que os gregos, mais de cinco séculos antes de Cristo, já tinham ótimas noções da existência do Espírito, como o próprio Kardec nos apresentou ;
b) Um paralelo simples nos faz entender que a intuição da existência dos Espíritos protetores levou as pessoas da época a vê-los como “deuses” e também como mitos;
c) E todos os Espíritos eram vistos desta forma, não só os protetores, mas também os que gostavam de nos assustar.

47. Qual a consequência disso?
a) Pelas leis espirituais hoje bem compreendidas pelo Espiritismo, os homens bons atraiam bons Espíritos, e os homens ainda apegados à matéria atraiam Espíritos semelhantes;
b) Com isso, se os gregos e as grandes civilizações do passado deram à luz a filosofia e às ciências, assistiram também ao desenvolvimento dos oráculos e ao nascimento da magia negra;
c) Foi aí que a mediunidade deixou de ser simplesmente intuitiva para começar a se transformar em mais uma ferramenta do homem encarnado. (Ver Evolução em Dois Mundos de André Luiz, capítulo 17, Mediunidade e Corpo Espiritual).

48. Quer dizer então que a mediunidade existia desde as civilizações do passado?
a) Não exatamente a mediunidade, mas seu princípio: o chamado mediunismo;
b) Aos poucos, desde o primarismo , nossa capacidade de raciocinar foi se desenvolvendo;
c) Também aos poucos, fomos percebendo nossa diferença quando encarnados e desencarnados; algo que o homem primário não percebia;
d) Aí os prepostos de Jesus prepararam o sistema nervoso de alguns de nós para dar-nos a capacidade mediúnica e podermos nos comunicar com os “deuses” (vide “Evolução em Dois Mundos”);
e) Com isso nós fomos aprendendo cada vez mais a diferenciar o plano físico do espiritual.

49. Eu já li esse termo “mediunismo” em um livro de Herculano Pires. Dá para explicar?
a) Assim como a astrologia deu origem à astronomia, o mediunismo deu origem à mediunidade;
b) O mediunismo é uma maneira primária, mítica e mística de se comunicar com os desencarnados;
c) Ela se presta a qualquer forma de comunicação, não se preocupando se é boa ou não.

50. Entendi! É por isso que as boas comunicações só ocorrem nos centros espíritas, depois de muitos anos de estudo e vários cursos, certo?
a) Opa! Olha aí outro mito: Kardec produziu as principais obras da Codificação em casa; Chico também trabalhava em casa;
b) Precisamos de estudo e preparo para tudo na vida, e continuamente. Mas, como veremos aqui, os espíritas acabaram criando diversos mitos, entre eles os ritos de iniciação mediúnica;
c) A mediunidade ao alcance de todos surgiu com Jesus, na transfiguração do monte Tabor;
d) Ali o Mestre mostrou a naturalidade da mediunidade e, pelo “dai de graça o que de graça recebestes”, que ela só deve ser usada para a prática do bem, dentro da mais absoluta Caridade;
e) A mediunidade foi largamente praticada pelos apóstolos e discípulos, sob o nome de dom da profecia; o Pentecostes é o maior exemplo disso na Bíblia;
f) Quem diz que a Bíblia proíbe a mediunidade usa normalmente o Velho Testamento, e o que Moisés lá proibiu não foi o uso da mediunidade (que ele sempre praticou), mas do mediunismo;
g) Como grande iniciado que era Moisés sabia muito bem dos riscos do mediunismo entre o povo judeu, que acabava de sair de trezentos anos de escravidão;
h) Prova de que os judeus se comunicavam com Espíritos está em João Evangelista, que alerta os primeiros cristãos para verem se os Espíritos são de Deus (1 João 4:1), ou seja, estamos praticando a mediunidade ou o mediunismo?
i) O Evangelho de João não só confirma a prática da mediunidade, mas também o cuidado em saber com quem nos comunicamos (olha aí o princípio da fé racional!);
j) Daí o hábito de chamar os bons Espíritos de santos, o que deu origem, com o surgimento da Santíssima Trindade , ao Espírito Santo;
k) Tendo sido proibida pela Igreja na Idade Média, a mediunidade foi restabelecida em sua plenitude pelo Espiritismo, com todas as provas científicas de sua realidade.

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51. E o que o mediunismo tem a ver com o surgimento da Mitologia?
a) Em todo processo da evolução espiritual, se a maioria segue o caminho do bem, existem os que se desviam desse caminho por causa do livre-arbítrio;
b) Tanto no plano físico quanto no espiritual, existiam os que praticavam o “mal”;
c) Com isso passou a existir o uso do mediunismo para a prática do “mal”;
d) É o que hoje chamaríamos de “magia negra” (veja também “Evolução em Dois Mundos”);
e) Nessa mesma época, chegaram por aqui os Espíritos exilados do planeta de uma estrela de Capela;
f) Como eles eram dotados de um maior desenvolvimento intelectual, foi possível estabelecer comunicações de teor mais elevado, surgindo os iniciados das antigas doutrinas;
g) Pelo seu melhor conhecimento da realidade espiritual, inclusive do Deus único, desenvolveram suas doutrinas secretas (veja “A Caminho da Luz”, de Emmanuel);
h) Mas os iniciados sabiam também da incapacidade do povo em geral em entender tudo isso;
i) Respeitando isso, eles criaram a Mitologia, cujo freio veio contrabalançar a magia negra de então.

52. Quer dizer que a Mitologia surgiu para ensinar a prática do bem?
Com certeza, e não só para isso, mas também para unificar o aprendizado espiritual, que era totalmente disperso naquela época.

53. Então porque você diz que agora precisamos acabar com a Mitologia?
a) Porque com o desenvolvimento de nossa inteligência, a Mitologia está longe de nos esclarecer sobre as verdades de Deus e do Universo;
b) A manutenção da Mitologia frente ao avanço da Ciência tem gerado a incredulidade generalizada;
c) E ainda há os mal-intencionados, que enganam as pessoas ao invés de esclarecê-las;
d) E por que manter a Mitologia se temos o Evangelho de Jesus revivido pelo Espírito da Verdade, com a fé racional como base, e agora a Quarta Revelação, também com Jesus?

54. Mas as Igrejas Cristãs não ensinam o Evangelho?
a) Infelizmente não. O que elas continuam ensinando é Mitologia pura;
b) E o que se tornou a Mitologia Cristã continua gerando a incredulidade, impedindo a evolução moral das pessoas, com todas as consequências disso;
c) Confirme procurando em uma Bíblia de tradução atual a palavra Caridade no Novo Testamento: você não vai achá-la;
d) Até no Hino à Caridade de Paulo (Coríntios I, 13:1-13), a palavra Caridade foi substituída por amor;
e) Veja como isso nos afasta de Jesus: o amor pode ser contemplativo, mas a Caridade me leva a ajudar o outro ativamente;
f) Essas e outras alterações foram feitas, como já dissemos, para justificar a salvação pela fé e tornar as igrejas negócios bastante lucrativos;
g) Só que as Igrejas não perceberam que isso, com o tempo, gera mais incredulidade do que traz fiéis;
h) Afinal, como acreditar em um Deus que sabe menos que nós, como vemos na Bíblia?

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