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A deturpação mitológica do Evangelho e o materialismo

Enviado por on 26/08/2015 – 13:03
CC/Daniel Silliman

Somente depois do ano 325, com o começo da interferência da política de Roma no Cristianismo, é que a Mitologia greco-romana começou a lançar seus tentáculos sobre a Doutrina do Cristo. No capítulo 9 da obra “Kardec (em Espírito) corrige ‘O Livro dos Espíritos’“, vamos entender como a Igreja incorporou a Mitologia Romana ao Cristianismo e acabou por estimular o materialismo, o orgulho e o egoísmo.

CAPÍTULO 9
(leia os capítulos anteriores)

55. Dá para explicar como?
a) Vamos antes entender que Jesus, em todos os seus ensinamentos, sempre diferenciou bem a vida espiritual da vida material;
b) Exemplos não faltam no Evangelho: quando falou que João Batista era a reencarnação de Elias (Mateus, 17:10-13 e Marcos, 9: 11-13);
c) Ou ainda em outras passagens, quando Jesus também deixa claro o “nascer de novo”, que erradamente foi traduzido por ressurreição, em Mateus (14:2), Marcos (6:14-15) e Lucas (9:7-9);
d) E a mais contundente passagem com Nicodemos em João (3:1-12);
e) E ainda outra passagem contundente, que iremos transcrever, de Mateus (11:12-15), que conferimos com nossa Bíblia Católica, Edições Paulinas, de 1978, e com nosso Evangelho dos Gideões Internacionais, de 1999:

“Desde os tempos de João Batista até agora, o Reino dos Céus é tomado pela força, e os que fazem violência, são os que o arrebatam. E se vós quereis bem compreender, ele mesmo é o Elias que há de vir. O que tem ouvidos de ouvir, ouça.”

Quando Jesus diz “Desde os tempos de João Batista até agora (…)”, ele está se referindo a João Batista em sua reencarnação como Elias, já que Jesus e João Batista eram primos e contemporâneos. E quando diz “(…) ele mesmo é o Elias que há de vir”, Jesus está prevendo a vinda de João Batista como o Espírito da Verdade. Tenhamos “ouvidos de ouvir”.

56. Mas não foi dito que Elias teria sido arrebatado em um carro de fogo? E se assim foi, ele não poderia voltar com o corpo de Elias, que, também segundo se diz, teria se tornado incorruptível?
a) Só imaginando que todos esses enganos mitológicos fossem possíveis;
b) Isso não aconteceu, pois foi Jesus quem afirmou ter sido João Batista o Elias que haveria de vir;
c) E entre ficar com Jesus ou qualquer outra afirmação, sem dúvidas ficamos com Jesus;
d) Tanto Elias como Jesus foram Espíritos encarnados de grande elevação;
e) Quando se apresentavam em sua forma espiritual, eram possuidores de intenso brilho, como Jesus mostrou na sua transfiguração no monte Tabor, juntamente com Moisés e Elias, que também brilhavam;
f) Da mesma forma que viram Elias materializado subindo aos planos elevados, viram o mesmo acontecer com Jesus;
g) Por isso a Igreja Católica aproveitou para gerar a confusão que Jesus ressuscitou em corpo de carne, e subiu aos céus com tal e inexistente, em Jesus, corpo carnal;
h) O mesmo aconteceu com Elias;
i) Tudo isto para criar a ideia mitológica da Santíssima Trindade;
j) Ainda a explicação da questão anterior, mostra que Elias voltou no novo corpo de João Batista, e não no pretenso corpo com que subiu aos céus;
k) Se o próprio Evangelho explica a complicada gestação de João Batista, fica claro que é em um novo corpo que Elias volta, e nunca em seu corpo da personalidade de Elias;
l) Maior prova que esta da reencarnação no Evangelho, impossível. E mais plena negação da ressurreição, também impossível;
m) Tenhamos olhos de ver!

57. E por que tais afirmações?
a) Na época da Mitologia, não era possível explicar à maioria das pessoas o conceito de Espírito;
b) O que se entendia era tudo o que tocava os sentidos materiais, ou seja, a vida cotidiana;
c) Assim os deuses eram pessoas como nós, apenas com mais poder;
d) Tinham até famílias e filhos com as mulheres humanas;
e) Assim, ou as pessoas morriam, ou eram arrebatadas aos céus, como disseram de Elias e Moisés e também de Jesus.

58. Mas Jesus também não subiu aos céus?
a) Hoje nós sabemos que, no espaço cósmico, não existe “em cima” ou “embaixo”;
b) Se alguém que está no Polo Sul subir aos céus, estará descendo do ponto de vista de alguém que está no Polo Norte, e vice-versa;
c) Por céus podemos entender o mundo espiritual, assim como no “Pai Nosso que está nos céus”;
d) O que Jesus fez foi voltar aos seus páramos de luz, como Espírito elevadíssimo que é;
e) O corpo de Jesus nunca ressuscitou.

59. Ora, mas você está querendo dizer que não existe ressurreição? Mas e Lázaro?
a) Lázaro também não ressuscitou. Ele estava em forte crise de catalepsia;
b) Jesus, como o construtor do corpo humano em nosso planeta, sabia muito bem disso;
c) O Mestre apenas reforçou sua energia vital e o devolveu ao estado normal;
d) Felizmente naquela época, em Israel, não se enterravam os corpos; só após a decomposição colocavam os ossos em caixas e sepultavam;
e) Se assim fosse, nem Jesus teria devolvido sua vida;
f) Veja no Evangelho, que quando um pai veio pedir a Jesus que ressuscitasse sua filha, ele disse: “Sua filha dorme”;
g) Nem Jesus e nem ninguém jamais ressuscitou o corpo morto de alguém.

60. Então, definitivamente, ressurreição não existe?
a) Definitivamente não;
b) Mesmo entre os israelitas, na época de Jesus, a ressurreição era entendida como nascer de novo, pois ainda não existia a palavra reencarnação;
c) Reencarnação é uma palavra recente.

61. Mas o que isso tem a ver com a deturpação do Evangelho?
a) Tudo, pois as autoridades da Igreja e de Roma misturaram várias ideias da Mitologia com os conceitos verdadeiros e espirituais de Jesus;
b) A Igreja deturpou o Evangelho para torná-lo aceitável ao povo acostumado com a materialidade mitológica;
c) Com isso, distorceram toda a verdade ensinada por Jesus, tornando-o também um deus.

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62. Nossa! Mas você está querendo dizer que Jesus não é Deus?
a) Não. Foi a Igreja que criou a Santíssima Trindade. Jesus nunca falou disso;
b) Primeiro Jesus nunca afirmou ser Deus. “O Pai é maior do que eu”, disse Jesus em João (14:28);
c) “A ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque só um é vosso Pai, aquele que está no céu”, disse Jesus em Mateus (23:9);
d) Se existisse a Santíssima Trindade, Jesus seria filho do Espírito Santo. Como eles são um só, então Jesus é filho dele mesmo;
e) Ora, mas Jesus chama a Deus de Pai. Se ele e o Pai são um, então Jesus é filho do Pai e Pai do filho. Então Jesus é filho e pai dele mesmo;
f) Mas se Jesus é filho dele mesmo, então ele além de filho é esposo de Nossa Senhora, pois fecundou a Ele mesmo. Dá para sentir a confusão da situação?
g) E não para aí: se os exegetas bíblicos estivessem certos quando dizem que Jesus se imolou na cruz para que o Pai se reconciliasse conosco, teríamos a incrível cena de Deus castigando a ele mesmo para voltar às boas com todos nós, pois eles seriam um só;
h) Como é possível imaginar Deus exigir tamanha crueldade como único meio de nos “perdoar” por um erro que teria sido cometido por Adão e Eva?
i) Onde estaria a Suprema Bondade de Deus? Onde estaria a Suprema Justiça?
j) Por que temos que ser perdoados por um erro que não cometemos, se Deus nunca nos julga e muito menos tem que nos perdoar?
k) Porém, basta estudar para perceber que toda mitologia tem sua trindade;
l) No Egito, ela era formada pelos deuses Osíris (pai), Isis (mãe) e Hórus (filho, deus do céu);
m) Na mitologia hindu, temos Brahma, Vishnu e Shiva, que representam a criação, a conservação e a destruição/transformação;
n) Muitos estudiosos já concluíram que a Santíssima Trindade é uma influência direta do paganismo no cristianismo.

63. Mas se Deus é único, pode ser mais que um? Único não é uma reafirmação de que é um?
a) Bem, para não discutir essas coisas, a Igreja criou o conceito de herege já nos primeiros séculos depois de Cristo;
b) Heresia era assim: ou você aceitava o que a Igreja dizia, ou era expulso, muitas vezes não só do culto, mas da própria região onde vivia;
c) Nos séculos seguintes, a repressão ao pensamento chegou a tal ponto que a Igreja criou a Inquisição, tão conhecida pelos seus desmandos e abusos;
d) Toda a interferência da Mitologia então virou dogma, e tinha que ser aceita sem reclamação.

64. E o que tudo isso tem a ver com Materialismo?
a) Quando a Mitologia representava os deuses como seres humanos como nós, a humanidade apenas começava a entender a existência do Espírito;
b) A relação das pessoas com os deuses era sempre para buscar o conforto material, saúde, vida longa, riqueza, beleza, etc.
c) Com Jesus, no entanto, estava completa a revelação do Deus Amor e da existência do Espírito;
d) Jesus provou, ao aparecer materializado aos discípulos após sua crucificação, que o Espírito não morre: o que morre é apenas o corpo material;
e) E a existência do Espírito muda completamente nosso ponto de vista sobre a vida;
f) Ao passar pelas dores do Calvário, Jesus nos mostrou que vale qualquer sacrifício para entrarmos bem na vida após a morte;
g) Como você acha que seus seguidores tiveram toda aquela coragem em passar por tudo o que passaram em seu nome?
h) Com tudo isso, Jesus criou uma nova visão de mundo, sobre por que devemos juntar tesouros nos céus, dando à vida física somente o valor transitório que ela tem;
i) O Mestre nos mostrou a imensa realidade de nossa existência, ou seja, a infinita e imortal realidade do Espírito;
j) Que nossa existência física, perto dela, é muito menos que uma gota no oceano.

65. Ora, mas se os ensinamentos de Jesus são tão sublimes, o que aconteceu?
a) Quando a Igreja distorceu os ensinos de Jesus, misturando-o com a Mitologia, forçou todo o Ocidente a continuar tendo o pensamento mitológico;
b) Ou seja: em vez de direcionar a razão e o coração para o Espírito, a Igreja fez seus seguidores voltarem a valorizar a troca material;
c) Daí a pensar que devemos buscar o sucesso a qualquer preço, pois devemos ter uma vida longa e próspera sobre a Terra, é um passo;
d) Isso gera uma hecatombe de orgulho e de egoísmo, e é a fonte de infelicidade de toda civilização;
e) A única diferença entre esse Cristianismo mitológico e o ateísmo é que os cristãos dizem acreditar em Deus, e os ateus, não;
f) Mas normalmente os ateus descreem mais nas igrejas que em Deus.

66. Ora, como assim?
a) Converse com um ateu e verá que o maior problema dele é com os dogmas e fanatismos;
b) Os ateus conseguiram eliminar a Mitologia através da racionalidade científica;
c) Com ela, eles mostraram que sabiam mais que os deuses, e cientificamente os eliminaram;
d) Mesmo sem querer, prestaram um imenso serviço ao mundo.

67. E os ateus não eliminaram a Deus também?
a) Claro que não! A razão fatalmente nos leva à existência de Deus;
b) Isso é tanto verdade que a Ciência já chegou a Deus, e por mais de um caminho;
c) O próprio Espiritismo é prova disso —inúmeros cientistas já conseguiram provar a existência do Espírito em todo o mundo;
d) Alguns cientistas que criaram aquilo que eles tanto e corretamente combateram nas religiões —os dogmas— é que insistem em negar uma verdade que, em função da própria Ciência, tornou-se axiomática, ou seja, é algo tão evidente que não se pode provar;
e) Pois se “todo efeito tem que ter uma causa”, não há como isto ser verdade sem a existência de uma Origem Eterna;
f) E tal Origem Eterna tem que ter as condições daquilo que chamamos Deus;
g) Tais cientistas substituíram o clero religioso: é o clero científico;
h) Esperemos que eles não continuem a implantar novas inquisições intelectuais, como o fizeram várias vezes no passado recente;
i) Todos querendo, por assoberbado orgulho, impor suas ideias, gerando fanatismo e preconceito.

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