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Como a mitologia das igrejas nos afasta de Deus, de Jesus e da realidade

Enviado por on 16/09/2015 – 13:53
Reprodução/Franco Zeffirelli

Jesus é um Espírito perfeito de grande evolução. A mitologia nos faz acreditar que ele é um personagem distante, mas a fé racional nos ajuda a entender que Espíritos perfeitos são os que têm maior capacidade para se irradiar e estar onde quiserem.

Neste capítulo 10 do livro “Kardec (em Espírito) corrige ‘O Livro dos Espíritos’“, vamos ver que a própria vida de Jesus é prova de que o Mestre não é distante, inalcançável, muito menos alguém que se esquiva de ajudar quem tem problemas, defeitos ou vícios —ele não disse que “os sãos não precisam de médico”?

CAPÍTULO 10
(leia os capítulos anteriores)

68. Você vive falando de Mitologia. Mas isso não é coisa lá da Grécia Antiga, dos templos de Atenas e dos deuses do Olimpo?
a) Os mitos gregos foram os que com mais força chegaram até nossa civilização ocidental;
b) Mas os gregos estão longe de terem “criado” os deuses. Antes deles, existiram os mitos sumérios, egípcios, celtas, persas, hindus, chineses…
c) A mitologia pode ser compreendida como um conjunto de símbolos criados por uma sociedade para representar sua realidade e, também, perpetuar sua cultura.

69. É como se você contasse histórias para ensinar algo a alguém?
Exatamente. E precisava ser assim nas civilizações antigas, já que eram raros os livros, e não existiam rádio, TV ou computador.

70. Mas espere: Jesus mesmo não contava histórias para nos falar sobre o Reino dos Céus?
a) Sim, Jesus usou muito este recurso: eram as chamadas “parábolas”;
b) Ao contar uma história, Jesus criava um paralelo entre uma situação do dia-a-dia e como é a realidade do Espírito;
c) Com perfeita pedagogia, Jesus usou nossa visão material do mundo para abrir nossos olhos à vida espiritual;
d) Pois Jesus sabia que o coração do homem tem sede de encontrar a paz e conhecer a verdade;
e) Mas quando as igrejas misturaram a mitologia ao cristianismo, criaram uma grande confusão (deslocamento) para manter seu poder material;
f) Isso confundiu nosso entendimento em relação à vida espiritual, mantendo-nos mais apegados às histórias, aos mitos, como a Santíssima Trindade, e aos rituais, como o batismo;
g) A partir daí, e por séculos até agora, a humanidade passou a dar a César (e à Igreja) o que deveria ser de Deus;
h) E isso criou o grande vazio que hoje habita o coração de muitos;
i) O que condiz com a previsão de Jesus: “e por se multiplicar a iniquidade, resfriar-se-á a caridade da maior parte dos homens” (Mateus 24:12).

71. Então a culpa é da Igreja?
a) A verdadeira responsabilidade por isto é da mitificação de Deus e de Jesus;
b) Essa confusão nos faz enxergá-los como personagens de histórias, e não como seres reais.

72. Jesus e Deus como personagens de histórias? Como assim?
a) Sim, personagens. Mais precisamente como heróis;
b) E o mito do herói é um dos preferidos de Hollywood e, antes do cinema, da própria literatura;
c) O herói é alguém que venceu barreiras e atingiu um objetivo;
d) É alguém que, a partir do mundo comum, conseguiu atingir um nível superior de existência;
e) No mundo dos livros, da TV e do cinema, é alguém que faz coisas que eu mesmo gostaria de fazer, mas não consigo: vide os super-heróis dos gibis e do cinema;
f) Na mitologia moderna, a do materialismo e do deus-sucesso, o herói precisa ser alguém distante, inalcançável;
g) Este herói distante cria uma sensação de vazio que o materialismo quer preencher com o consumo;
h) Ao envolver o cristianismo na mitologia, a Igreja fez exatamente isso com Deus e com Jesus;
i) A mitologia nos faz pensar que Deus e Jesus estão distantes de nós;
j) Daí vem as ideias de que o mundo está perdido, que a Terra é um vale de lágrimas e tantas outras coisas que nada têm a ver com o Deus Amor.

73. Ué, mas Jesus é muito evoluído, não é? Ele não está realmente distante de nós?
a) Claro que Jesus é muito evoluído, ele é um Espírito perfeito de grande evolução!
b) Mas a fé racional nos ajuda a entender que Espíritos perfeitos são os que têm maior capacidade para se irradiar e estar onde quiserem;
c) E a própria vida de Jesus é prova de que o Mestre não é distante, nem inalcançável;
d) Pelo contrário, Jesus fez questão de nascer entre nós para se fazer presente;
e) Nasceu do ventre de uma mulher, como todos nós;
f) Foi criança e aprendeu um ofício com seu pai;
g) Disse que éramos Deuses e não sabíamos;
h) Disse também que, um dia, poderíamos fazer tudo o que ele fazia, e até mais;
i) Curava doentes, resgatava homens e mulheres perdidos no erro, deu a vida por amor a nós;
j) Como é possível achar que alguém assim está distante de nós?
k) Como ter medo ou ficar com vergonha de alguém assim?

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74. Agora você falou uma verdade! No fundo, no fundo, eu tenho vergonha de Jesus e de Deus! Eu sou imperfeito demais. Tenho vícios de que até gosto, e não consigo largar.
a) Ora, mas eles são perfeitos e conseguem nos entender;
b) O deus terror, humanizado e tirano, criado pela mitologia, é dele que devemos ter medo;
c) Mas o verdadeiro Deus é o Deus Amor que Jesus nos ensinou, e a Revelação Espírita veio restaurar;
d) Jesus é seu mensageiro perfeito, nosso “irmão mais velho” e experiente;
e) Para fazer entender o que devemos esperar de Jesus e de todos os seus mensageiros, tomamos a liberdade de reproduzir a mensagem Espíritos da Luz, de Emmanuel, ditada para Chico Xavier no livro “Seara dos Médiuns”:

“Parafraseando a luminosa definição do apóstolo Paulo, em torno da caridade, no capítulo treze da primeira epístola aos Coríntios, ousaremos aplicar os mesmos conceitos aos Espíritos benevolentes e sábios que nos tutelam a evolução.
Ainda que falássemos a linguagem das trevas e não possuíssemos leve raio de entendimento – não passaríamos para eles de pobres irmãos necessitados de luz.
Ainda que nos demorássemos na vocação do crime, caindo em todas as faltas e retendo todos os vícios, a ponto de arrojar-nos, por tempo indeterminado, nos últimos despenhadeiros do mal, para nosso próprio infortúnio – não seríamos para eles senão criaturas infelizes, carecentes de amor.
Ainda que dissipássemos todas as nossas forças no terreno da culpa e dedicássemos a vida ao exercício da crueldade, sem a mínima noção do próprio dever – isso seria para eles tão somente motivo a maior compaixão.
Os Espíritos da Luz são pacientes.
Em todas as manifestações são benignos.
Não invejam.
Não se orgulham.
Não mostram leviandade.
Não se ensoberbecem.
Não se portam de maneira inconveniente.
Não se irritam.
Não são interesseiros.
Não guardam desconfiança.
Não folgam com a injustiça, mas rejubilam-se com a verdade.
Tudo suportam.
Tudo creem.
Tudo esperam.
A caridade deles nunca falha, enquanto que para nós, um dia, as revelações gradativas terão fim, os fenômenos cessarão e as provas terminarão, por desnecessárias.
Por agora, de nós mesmos, conhecemos em parte e em parte imaginamos; entretanto, eles, os emissários do Eterno Bem, acompanham-nos com devotamento perfeito, sabendo que, em matéria de espiritualidade superior, quase sempre ainda somos crianças, falamos como crianças, pensamos quais crianças e ajuizamos infantilmente.
Estão certos, porém, de que mais tarde, quando nos despojarmos das deficiências humanas, abandonare-mos, então, tudo o que vem a ser pueril.
Verificaremos, assim, a grandeza deles, como a víssemos retratada em espelho, confrontando a estreiteza de nosso egoísmo com a imensurabilidade do amor com que nos assistem.
Conforte-nos, pois, reconhecer que, se ainda demonstramos fé vacilante, esperança imperfeita e caridade caprichosa, temos, junto de nós, a caridade dos mensageiros do Senhor, que é sempre maior, por não esmorecer em tempo algum “.

75. Quer dizer então que Jesus está perto de mim?
a) Jesus acompanha e auxilia a evolução de todos os Espíritos que habitam a Terra (encarnados e desencarnados);
b) Só existe um ser no Universo que está mais perto de nós do que ele: Deus.

76. Nossa! E eu sempre achei que precisava fazer um esforço tremendo para ter Deus e Jesus perto de mim…
a) Viu só como a mitologia nos fez “mal” por todo este tempo?
b) Para estar perto deles você só precisa de uma coisa: boa vontade.

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