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Boa vontade: o único mérito necessário para fazer o bem

Enviado por on 10/11/2015 – 14:10
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Tem gente que acha necessário ter mérito para fazer coisas boas e para ter contato com os Espíritos superiores. Fosse assim, Jesus não teria encarnado, nem buscado estar próximo de quem vivia no erro.

Entenda porque é preciso derrubar o mito do “mérito” para sentirmo-nos sempre capazes de recomeçar.

CAPÍTULO 11
(leia os capítulos anteriores)

77. Por que o mérito é um mito?
a) Em si, o mérito não é um mito. A maneira de vermos o mérito é que é mítica.

78. Por quê?
a) Alguns Espíritos (e espíritas) nos dizem que para realizar qualquer coisa temos que ter mérito;
b) Mas se você raciocinar comigo, verá que essa coisa de “ter mérito anterior” nos leva ao mesmo problema do olho por olho, dente por dente:
c) Para cada crime, será necessário um criminoso para o devido resgate;
d) Já parou para pensar que esse raciocínio cria uma sucessão infinita de criminosos?

79. Não entendi!
a) No caso do mérito, o que se cria é a necessidade de uma anterior sucessão infinita de méritos;
b) Pois, para cada realização, seria necessário um mérito anterior;
c) Mas como somos criaturas, temos um começo. E para nós, esse começo é no momento em que nos tornamos mônadas primárias;
d) Só quando nos tornamos humanos é que começamos a ter livre-arbítrio;
e) Assim, é impossível a sucessão infinita de méritos.

80. E o que concluir disso?
a) Pedimos orientação ao Espírito da Verdade, ao que ele nos respondeu:
b) A noção de mérito nos leva sempre à realização de algo bom;
c) Portanto, para qualquer bem que queiramos fazer, é preciso sim o mérito;
d) Se não é possível a sucessão infinita de méritos anteriores e o mérito é necessário para realizar o bem, só há uma saída: criar o mérito para cada bem a realizar;
e) E isso é perfeitamente possível: basta criar, para cada bem a realizar, o mérito da boa vontade.

81. Então, ter mérito não depende de um mérito anterior?
Nunca, disse-nos o Espírito da Verdade:

Para cada bem a realizar, basta o mérito da boa vontade

82. Quer dizer que basta a boa vontade para criarmos as condições de fazer o bem?
a) Exatamente: basta a boa vontade para que eu adquira mérito para realizar quanto bem eu quiser;
b) Por isso, quando Jesus nasceu, o “anjo” disse aos pastores: “paz na Terra entre os homens de boa vontade” (Lucas 2:14);
c) Preste atenção: simplesmente não haveria evolução espiritual se fosse necessário o mérito anterior para recomeçar;
d) Imagine os casos em que estamos com grandes “males” a corrigir e não teríamos nenhum mérito anterior. Ficaríamos estagnados, pois não teríamos nenhum mérito para recomeçar.

83. Então, todos os méritos de minhas realizações anteriores no bem, de nada me valem?
a) Mérito anterior deixa de ser mérito: ele se torna realização;
b) Como realização, obras anteriores só valem como experiência;
c) Para continuar fazendo o bem, preciso da boa intenção do agora;
d) Pois é a boa intenção que direciona minha vontade para o bem.

84. Para praticar o “mal” é preciso a “má” vontade, não?
Com certeza.

85. Como fica nossa situação nesses casos?
a) Jesus nos explica na Parábola dos Talentos, que pode ser lida em Mateus (25:14-30) ou ainda no capítulo 26 de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” (Servir a Deus e a Mamon):

“Devias logo dar o meu dinheiro aos banqueiros, e vindo eu, teria recebido com juros o que era meu. Tirai-lhe, pois, o talento, e dai-o ao que tem dez talentos. Porque a todo o que tem, dar-se-lhe-á, e terá em abundância; e ao que não tem, tirar-se-lhe-á até o que parece que tem. Ao servo inútil, lançai-o nas trevas exteriores: ali haverá choro e ranger de dentes”

b) Primeiro, é preciso levar em consideração a força das palavras, necessária na época do Mestre;
c) Jesus chama de servo mau e preguiçoso ao servo que escondeu o talento;
d) O servo tentou justificar dizendo ter medo do castigo, caso perdesse tudo;
e) Jesus nos mostra que a preguiça inverte a ação do freio do medo: ela cria o freio em fazer o bem;
f) Enquanto isso, aqueles que trabalharam com boa vontade venceram seus medos e lucraram;
g) Com isso, Jesus mostrou que, com boa vontade, seremos sempre amparados por Deus;
h) Que não é preciso ser perfeito para trabalhar na seara do Pai: bastam a boa intenção e a boa vontade, independentemente do que fizemos antes;
i) Vamos notar que tudo isto está de acordo com o esquecimento reencarnatório, que nos ajuda a avançar sem as pedras de nossos erros em reencarnações passadas;
j) Que nos possibilita, ainda, corrigir nossos erros pelo amor, sem nos lembrarmos do “mal” que possamos ter feito,
k) Ou ainda, que não precisaremos passar por tudo o que fizemos. Basta sempre fazermos todo o bem que pudermos, sem preocupação com o passado.
l) Uma das principais causas do esquecimento de nossas reencarnações passadas, é que isto evita que tenhamos que passar por tudo o que fizemos.

86. Só a boa intenção e a boa vontade…?
São as condições necessárias e suficientes para termos o amparo do amor de Deus, tendo sempre as condições de realizar o bem.

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87. Mas quando a parábola cita que ao servo que enterrou o talento será tirado até o que tem, isso não seria regressão espiritual?
a) Note que Jesus não disse que o servo “mau” tinha alguma coisa, mas que parecia ter;
b) Aqui entra o complexo de “bom moço” ou “boa moça”, que nada mais é do que o medo de enfrentar as próprias responsabilidades;
c) O complexo do “bom mocismo”, porém, é um excelente disfarce da vaidade, que se apresenta como uma falsa humildade;
d) Levando-nos a desrespeitar “humildemente” os direitos sociais do nosso próximo;
e) O que é exatamente o contrário do que dizem a Lei da Caridade e a Humildade;
f) Pensamos que já somos bons, mas na realidade ainda não somos;
g) Assim, não nos é tirado nada, já que não há como tirar o que não existe;
h) Mostra-nos ainda Jesus que, sem os princípios da Caridade e da Humildade, não é possível praticar o bem;
i) E sem o mérito, único, da boa vontade, também não há como realizar o bem;
j) Note ainda que o talento foi dado para quem já o tinha, ou seja, Deus a acrescentar todas as oportunidades de que precisamos para evoluir mais, o que mostra que não precisamos ter o mérito (talento) anterior.

88. E o ranger de dentes? Isso não é também castigo?
a) Vamos entender o “ranger de dentes” como as dificuldades que temos que enfrentar para aprender a ter “boa vontade” e coragem;
b) Daí o Ciclo de Expiação e Provas (Correção e Cura de nossas doenças morais, ou Planeta Reeducandário), em certos planetas, que são ciclos onde nosso comportamento gera reflexos dolorosos sobre nós mesmos;
c) O Ciclo de Expiação e Provas serviu para aprendermos o que não fazer;
d) Não devemos ter má vontade, mas somente boa vontade;
e) Também os processos apocalípticos, em que as reações dolorosas atingem seu auge, ensinam-nos com grande eficiência o que não fazer e por que não fazer.

89. Mas já não estamos no Ciclo de Regeneração?
a) Sim, já vivemos num Mundo de Regeneração desde 18 de abril de 2010, segundo Bezerra de Menezes e o Espírito da Verdade;
b) Até sua completa instauração, que deve ocorrer segundo Emmanuel, por volta de 2057, viveremos um período de transição, o chamado Apocalipse;
c) Neste processo final, os que insistirem em continuar com má vontade não mais continuarão na Terra, e serão exilados em outros mundos;
d) Como vemos, nosso próprio Mestre já nos avisou de tudo o que poderá acontecer se insistirmos em nos comportar como estamos fazendo;
e) Vamos, sim, ter sempre a coragem de criar o mérito da boa vontade em tudo na vida;
f) Vamos esquecer nosso passado, pois com a boa vontade sincera, o amor de Deus estará em nossos corações, ajudando-nos a melhorar e a corrigir nosso passado;
g) Trabalhando no tempo consciente do agora, pelo bem, não há porque se preocupar com o passado. Vamos nos corrigir pelo trabalho no amor;
h) É Jesus quem afirma isso na Parábola dos Talentos;
i) Ninguém precisa ser bom para ter a companhia dos Espíritos elevados. Afinal, como também nos ensinou Jesus, “os sãos não precisam de médico” (Marcos 2:17; Mateus 9:12; Lucas 5:31)
j) É preciso apenas ter o mérito da boa vontade.

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