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É preciso ser “santo” para se comunicar com bons Espíritos?

Enviado por on 17/11/2015 – 14:00
D. Sharon Pruitt/CC

Criou-se um mito dentro do Espiritismo de que é preciso “ser santo” para conseguir contato com Espíritos superiores. Só que os próprios Espíritos disseram a Kardec que não é assim que a mediunidade funciona. Quer entender como?

CAPÍTULO 12
(leia os capítulos anteriores)

90. A situação moral do médium impede a possibilidade de comunicação de um Espírito superior? Em outras palavras: eu preciso ser “santo” para comunicar um mentor espiritual?
a) Os próprios Espíritos superiores dizem a Kardec que não. O “Livro dos Médiuns” nos ensina, em conformidade com o que dissemos até agora, que a chave para nos comunicarmos com os Espíritos superiores é a boa vontade.
b) Vejamos no capítulo 20 de “O Livro dos Médiuns”, item 226, pergunta 1:

-O desenvolvimento da mediunidade se processa na razão do desenvolvimento moral do médium?
— Não. A faculdade propriamente dita é orgânica e, portanto, independe da moral”.

c) Ainda no meio da resposta da pergunta 5 deste mesmo item, eis o que dizem a Kardec: “Um médium é um instrumento que, como indivíduo, importa muito pouco”. Na sequência, na pergunta 8, questiona Kardec:

É absolutamente impossível receber boas comunicações por um médium imperfeito?
— Um médium imperfeito pode às vezes obter boas coisas, porque, se tem uma boa faculdade, os bons Espíritos podem servir-se dele (…)”

d) Vamos entender alguma coisa destas respostas:
— Esse “imperfeito” só pode referir-se às nossas condições de imperfeição moral, e não ao fato de não termos atingido a perfeição pela evolução;
— Se assim não fosse, o contato mediúnico só seria possível com os Espíritos inferiores e, assim mesmo, inferiores a cada médium que fosse receber a comunicação;
— Mas a própria Codificação é uma prova de que a mediunidade é amplamente possível com os Espíritos superiores, mesmo com nossas muitas imperfeições morais, inclusive com Espíritos puros como Jesus e o Espírito da Verdade, que se comunicaram com Kardec pelos médiuns que trabalhavam com ele.
e) Voltando ao capítulo 20 de O Livro dos Médiuns, item 226, na pergunta 11 Kardec questiona:

Quais as condições necessárias para que a palavra dos Espíritos superiores nos chegue sem qualquer alteração?
— Desejar o bem e repelir o egoísmo e o orgulho: ambos são necessários.”

f) “Desejar o bem” confirma a necessidade da boa vontade. E que maior sinal de boa vontade pode existir que “repelir o orgulho e o egoísmo”? Note que os Espíritos não dizem ser isento de orgulho e egoísmo. Preste agora atenção na resposta da pergunta 12:

Se a palavra dos Espíritos superiores só nos chega pura em condições difíceis, isso não é um obstáculo à propagação da verdade?
— Não, porque a luz sempre chega ao que a deseja receber. “

g) Aquele “que a deseja receber” não é aquele que tem a sincera boa vontade de se melhorar?
h) Fica explícito nesta resposta que os Espíritos elevados, seja qual for a sua categoria, jamais encontrariam dificuldade em trazer a luz a quem realmente deseja: “a luz sempre chega”.

91. Mas, como fica o problema da sintonia entre o médium e o Espírito comunicante?
Não há problema. Basta não confundir afinidade com sintonia.

92. E são coisas diferentes?
a) Muito. Vejamos primeiro o que é afinidade;
b) De maneira bem simples, são afins todas as pessoas que têm semelhantes tendências e gostos;
c) Semelhantes, porque é impossível termos atitudes iguais;
d) Duas pessoas que gostam de música são afins porque gostam de música;
e) Mas se uma gosta de música clássica e outra de rock, elas não estão em sintonia, porque fixam suas atenções em ideias diferentes, ou tipos diferentes de música.

93. Explique então a sintonia!
a) Para haver sintonia, é preciso que se deseje a mesma coisa;
b) E também que se tenha a mesma intenção;
c) Duas pessoas que gostam de música clássica têm afinidade por música;
d) E estão em sintonia, porque gostam do mesmo tipo de música.

94. Então para ter afinidade não é preciso ser igual?
a) Claro que não. Basta apenas gostar de coisas semelhantes, e ter a mesma intenção;
b) A completa sintonia só existe na perfeição;
c) Você pode ter afinidade em música, e não ter pelo time de futebol;
d) Pode haver afinidade e sintonia, em torcer pelo mesmo time de futebol, e nada quanto à música;
e) Esse é o grande erro que se comete: achar que para ter sintonia é preciso ser semelhante em tudo;
f) Se assim fosse, ninguém poderia ajudar ninguém, e na perfeição todos os Espíritos seriam iguais;
g) Para Jesus vir até nós e nos orientar, seria preciso que tivéssemos todos sintonia com o Mestre;
h) Não haveria nenhum sentido em orar, pois seria necessário que tivéssemos completa sintonia com Deus para podermos ser ajudados por ele. Já pensou?

95. Isto é sintonia?
Sim, isto é sintonia.

96. E o que a boa vontade tem a ver com tudo isso?
a) Tudo, desde que ela seja totalmente sincera e não seja provocada pelo orgulho e egoísmo, como disseram os Espíritos a Kardec em “O Livro dos Médiuns”.
b) Só a boa vontade pode criar a sintonia com o bem, já que ter boa vontade será sempre querer o bem, que é o que os bons espíritos sempre querem.

97. Como…?
Ora, pense comigo:
a) Se o Espírito é realmente superior, ele quer somente fazer o bem;
b) E para fazer o bem, é preciso ter boa vontade;
c) Se o bem que, como desencarnado, ele deseja fazer, é para nós encarnados, ele precisará de um encarnado para fazer uma mensagem ou benefício chegar até nós.

98. Mas, se ele for muito, muito evoluído, ele encontrará alguma dificuldade em conseguir um médium (é claro considerando que existam médiuns disponíveis)?
De acordo com as respostas dadas pelos Espíritos superiores a Kardec em “O Livro dos Médiuns”, poderiam até encontrar alguma dificuldade, mas nada insuperável.

99. Eu pergunto: como?
Basta encontrar alguém com boa vontade e segurança em recebê-lo.

100. E se ele não encontrar?
Ele superaria o problema, identificando-se com um nome desconhecido ou usando sua ascendência moral.

101. Mas se o Espírito perfeito não revela o próprio nome, ele não está mentindo?
a) Claro que não. Ele faz isso por ser necessário esclarecer;
b) Para evitar mentir, ele pode inclusive omitir seu nome na comunicação;
c) Como a atitude mítica dos médiuns impede de que ele seja aceito com seu nome conhecido, ele cumpre com sua obrigação dessa maneira;
d) Onde está a mentira, se o que importa é o conteúdo moral e evangélico da orientação?
e) É preciso nunca esquecer que o que importa não é o nome, e sim o conteúdo.

102. E se, apesar da boa vontade, o médium for pouco esclarecido moralmente?
a) É aí que está toda a beleza da verdadeira mediunidade com Jesus:
b) Independentemente de sua condição, com sua boa vontade humilde e sincera, o médium cria instantaneamente uma afinidade e também sintonia com o Espírito superior;
c) Isso porque, ainda que somente no pequeno instante da preparação e da comunicação, ambos entram em sintonia pelo desejo sincero de fazer o bem.

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103. Só isso é suficiente?
Se a boa vontade do médium for humilde e caridosa, mesmo que apenas naquele instante, sim.

104. A afinidade fica fácil compreender, por causa da boa vontade. Mas a sintonia, não.
Vamos entender com um exemplo:
a) Todo equipamento de rádio tem uma peça chamada “dial” (pronuncia-se daial, sintonizador);
b) É por meio desta peça que sintonizamos a rádio que queremos ouvir;
c) Se você prestar atenção, verá que o sinal vem sempre da estação transmissora de rádio para o aparelho, e nunca ao contrário;
d) Se não fosse assim, todos os defeitos dos aparelhos de rádios interfeririam na estação transmissora;
e) Os Espíritos superiores são como estações de rádio: eles têm uma estação transmissora tão bem regulada pela Caridade que conseguem sempre sintonizar qualquer médium que tenha a necessária boa vontade, independente da condição moral deste médium;
f) Por sua ascendência moral, os Espíritos superiores também conseguem impedir que qualquer desequilíbrio do médium os atinja, da mesma forma que um problema em um aparelho de rádio não interfere na qualidade do sinal da estação;
g) Com isso, a única coisa que um médium precisa é da humildade, e da caridosa e honesta boa vontade. Repetimos: mesmo que somente naquele instante.

105. E os Espíritos superiores fazem isso?
a) Muito mais do que pensamos – lembremos Emmanuel;
b) Mas por causa dos mitos que criamos em torno deles, acabam dando nomes desconhecidos, ou às vezes nem nomes dão;
c) Só assim conseguem ser recebidos sem passar por mistificadores, pois sem os nomes que mitificamos (quer dizer, envolvemos em mitos), são aceitos pelo conteúdo do que passam;
d) Eis porque o nosso Chico dizia: “o telefone sempre toca de lá para cá”.

106. Mas se o sinal não volta como eles nos ouvem?
a) Simples: quem precisa de intermediários para ouvi-los somos nós: daí a necessidade dos médiuns;
b) Eles, ao contrário, não precisam de intermediários, pois podem nos ouvir diretamente;
c) Assim o sinal, via médium, só vem de lá para cá, afetando somente o médium;
d) Como o Espírito é superior, a interferência sobre o médium será sempre agradável;
e) E esta é uma maneira segura de saber que tipo de Espírito está se comunicando: treinar a sensibilidade vibratória para sentir que tipo de vibração está nos envolvendo, pois um Espírito inferior pode mistificar quase tudo, mas nunca a vibração;
f) Daí também a conveniência de trabalhar com outro(s) médium(ns) com tal treinamento, para também fazer a verificação;
g) Lembrando também que todo bom trabalho espiritual deve sempre ter os principais médiuns: os médiuns de sustentação, que também podem treinar tal sensibilidade.

107. Será que eu poderia fazer uma pergunta um tanto…?
Olha o mito! Qualquer pergunta, desde que feita com respeito e educação, é sempre uma oportunidade de esclarecimento.

108. E os Espíritos puros ou perfeitos? Do jeito que você falou nada impede que eles se comuniquem também… Mas isso está me parecendo improvável.
a) Veja o que a mania de “santificar” as coisas faz conosco: perdemos a capacidade de raciocinar e analisá-las como são;
b) Se os Espíritos superiores conseguem facilmente se isolar de qualquer desequilíbrio de um médium, os Espíritos perfeitos, com mais razão o conseguem;
c) E isso com perfeição, pois obviamente, eles são perfeitos;
d) Eles têm a capacidade perfeita de se irradiar e interagir com tudo aquilo com que operam;
e) Fazem o bem com perfeição, podendo receber somente o retorno do bem;
f) Sua “estação transmissora” ou “dial moral” são perfeitos: portanto, capazes de realizar qualquer sintonia, com o mais elevado ou o mais primário;
g) Sua vibração é tal que torna impossível qualquer retorno infeliz;
h) Imagine como seria com Deus se assim não fosse, já que ele envolve em seu oceano de amor toda a sua criação, desde os mais primários, até os mais sublimes.
i) Vamos lembrar que nós mesmos temos a prova desta possibilidade, pois o Espírito da Verdade, que já é perfeito, nos respondeu perguntas que fizemos, como descrito acima.

109. Então Espíritos perfeitos podem se comunicar mediunicamente?
a) Com muito mais facilidade que os não-perfeitos: basta que não os tratemos como mitos;
b) É claro que também só o fazem para coisas muito úteis.

110. Mas você não acha que isso poderia criar uma “cascata” de mistificações?
a) Se esquecermos a fé racional, sim;
b) Porém se entendermos que de Espíritos perfeitos só podem vir coisas sublimes e de interesse geral;
c) Se tivermos todo o cuidado de analisar tudo com o maior critério, deixando de lado qualquer resquício de vaidade e egoísmo;
d) Se pedirmos para que eles venham até nós somente para coisas muito importantes;
e) Se procurarmos ainda com muita seriedade treinar nossa percepção vibratória;
f) E sempre usarmos os Atributos de Deus na análise;
g) Teremos sim a chance de receber comunicações de Espíritos perfeitos;
h) Lembrando sempre que a maior importância é o conteúdo da comunicação, e não o nome dado, buscando, se possível, a ajuda de pessoas mais experientes.
i) Eis o porquê de não termos tido nenhuma dificuldade em receber orientações do Espírito da Verdade neste trabalho.

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