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O risco dos sincretismos dentro da Doutrina Espírita

Enviado por on 25/11/2015 – 14:30
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Perdoar a nós mesmos exige mostrar para nossa consciência que deixamos de ver o “mal” como “mal”. E só conseguimos fazer isso quando praticamos o bem, pois assim apagamos a noção do “mal” de nossas mentes, passando a pensar como Deus, que nunca pensa em castigo ou punição. O sincretismo (ou mistura) do Espiritismo com o Catolicismo, porém, mantém a visão do Deus que castiga, pune, humilha e outras coisas.Isso foi necessário enquanto estávamos no Ciclo de Expiação e Provas, mas agora, no Mundo de Regeneração, é preciso que em nosso coração só haja a boa vontade para a prática do bem —e com a antiga ideia aterradora de Deus isso não será possível.

CAPÍTULO 13
(leia os capítulos anteriores)

111. O que é sincretismo?
É o processo em que duas ou mais religiões se misturam e acabam formando outra religião.

112. Por que isso acontece?
Basicamente por dois motivos:
a) O radicalismo das religiões; e
b) O não radicalismo de boa parte dos adeptos de tais religiões.

113. E quando todos os adeptos também são radicais?
Aí não haverá sincretismo (mistura).

114. Explique o radicalismo religioso.
a) Atitude radical é quando você acha que só seu modo de pensar é correto e tudo o mais está errado;
b) O radicalismo religioso é o comportamento que uma religião tem em achar que só ela está correta;
c) E, portanto, só se chega a Deus através dela.

115. Mas o ecumenismo não diz que todas as religiões deveriam se respeitar?
a) Sim. Mas você pode fingir que respeita, e intimamente menosprezar o outro por pensar diferente;
b) Ecumenismo não significa concordar com o outro: você pode pensar da sua maneira, e deixar o outro pensar da forma dele;
c) Mas menosprezar, ainda que intimamente, é o falso ecumenismo;
d) Esse falso respeito mantém a separação religiosa, ou o sectarismo.

116. E como seria o verdadeiro ecumenismo?
a) É aquele que, além do respeito, sabe que todos os caminhos levam a Deus;
b) Que você do seu jeito está certo e que o outro, do jeito dele, também está;
c) Inclusive o ateísmo.

117. Ateísmo! Levando a Deus?
a) Sim! A maioria dos ateus não crê em Deus por causa da maneira ultrapassada que as religiões ensinam como ele é;
b) Se você prestar atenção, verá que a maioria dos ateus são os que mais se preocupam com o bem estar social;
c) Mesmo sem saber, eles praticam o mais importante dos ensinos de Jesus, que é a Caridade Social;
d) E não vamos esquecer que foram eles que começaram a acabar, através das Ciências, com nossas visões erradas sobre nossa realidade.

118. O que é praticar a Caridade Social?
a) É você ser honesto, ético, pacífico, não ficar querendo levar vantagem em tudo;
b) É conhecer bem seus direitos e respeitar integralmente os mesmos direitos nos outros;
c) É jamais querer privilégios, mas ter suas necessidades satisfeitas com seu esforço pessoal, desde que possível;
d) É você não dirigir alcoolizado, pondo sua vida e a dos outros em risco;
e) Se tiver carro, mantê-lo em ordem, evitando, assim, acidentes;
f) É compreender que, se não tem condições de manter seu carro em ordem, é melhor não ter carro;
g) É não jogar lixo na rua, gerando enchentes e epidemias;
h) É entender que as leis existem para manter o equilíbrio social e, por isso, respeitar tais leis;
i) É saber que não precisa sequer das leis para respeitar os direitos de seus funcionários;
j) É você, como funcionário, saber que tem que cumprir com suas obrigações com a empresa, etc.

119. Nossa! Mas não é difícil fazer tudo isso?
A situação social do mundo mostra que difícil é não fazer.

120. Você falou em sincretismo, mas não deu nenhum exemplo.
Vamos dar dois exemplos:
a) O Catolicismo, que é a mistura do Cristianismo com a Mitologia Romana;
b) A Umbanda, que foi a mistura das religiões africanas com o Catolicismo.

121. Por que isso aconteceu?
a) No início do Cristianismo, toda cultura religiosa no mundo era mitológica;
b) Durante mais de dois séculos, os seguidores de Jesus, pelo exemplo da renúncia, demonstraram a grandiosidade do Evangelho, levando o povo a aceitá-lo;
c) Como a cultura popular por milênios foi mitológica, ficou fácil misturar Cristianismo e Mitologia;
d) E por tal sincretismo, surgiu a Igreja Católica Romana;
e) No Brasil, os escravos negros, por sua humildade e espírito de renúncia, fizeram o mesmo que os primeiros cristãos;
f) Gerando uma profunda simpatia do povo por seus cultos;
g) Criando o sincretismo Católico-Africano, a Umbanda.

122. E quais as consequências da criação da Umbanda?
a) Os cultos africanos são espiritualistas;
b) Aceitam a sobrevivência do Espírito após a morte, sua contínua atuação no mundo espiritual e a interação dos Espíritos com os encarnados;
c) Pela verdadeira humildade da cultura africana de então, eles conquistaram uma profunda simpatia de todos os brasileiros de boa vontade;
d) Abriram caminho para a formação de uma nova cultura de época (animismo cultural) no Brasil: o Animismo Espiritualista;
e) Isso aconteceu graças ao espírito fraterno desses brasileiros de boa vontade, em função da cultura da grande maioria dos católicos, que sempre foram de boa vontade;
f) Foi esta mistura e este espírito de época que geraram as condições para que a Doutrina Espírita se desenvolvesse plenamente no Brasil;
g) Principalmente devido à cultura católica de Chico Xavier.

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123. Você quer dizer que o Chico Xavier teve influência católica?
a) Sim, e muita. Todas as obras psicografadas pelo Chico têm uma forte influência do modo católico de ver Deus;
b) O Deus que julga, o Deus que castiga, o Deus que manda para o umbral e as trevas, o Deus que corrige mais pelo sofrimento que pelo amor, os obsessores substituindo os “demônios” para nos perturbar etc.
c) Quem ler a obra “Brasil, Coração do Mundo Pátria do Evangelho”, do autor espiritual Humberto de Campos, verá que tanto Jesus como Ismael, o anjo protetor do Brasil, choram com a situação do país de então. O coração de Jesus chega a sangrar de dor etc.
d) Não fica parecendo que nosso Mestre está ainda crucificado, como nas Igrejas Católicas? Como poderia chorar Ismael, em seu altíssimo grau de evolução? Onde ficaria o grau de compreensão que tais Espíritos já possuem?
e) Jesus, um Ego (Espírito propriamente dito) de altíssimo grau de perfeição, gênio cósmico, que criou e formou a Terra, planejou e comanda toda a evolução de nosso planeta, pode chorar por alguma coisa?
f) Dentro do planejamento evolutivo que fez para a Terra, Jesus sabia que tudo isso aconteceria, e quais todos os bens que todos estes fatos causariam;
g) Se, por hipótese, Jesus pudesse chorar, seria apenas de felicidade, pois como Espírito perfeito que é, ele não pode ficar triste;
h) Da mesma maneira que Deus, o Mestre sabe exatamente quais as causas, consequências e os resultados sempre benéficos que tudo isso causaria.

124. Então há um processo de sincretismo entre Catolicismo e Espiritismo no Brasil?
Exatamente:
a) Esse sincretismo, conforme já explicamos, começou na França, na Codificação, com Kardec;
b) E se completou no Brasil com Chico Xavier (reencarnação de Kardec, por sinal);
c) Se você notar o comportamento de boa parte dos Espíritas ao condenar a Umbanda, por exemplo, verá que essa atitude tem muito mais a ver com o clero Católico que com o comportamento não-dogmático da Revelação Espírita;
d) O animismo cultural brasileiro foi formado pela fusão entre a cultura europeia, a cultura africana e a cultura do índio brasileiro;
e) Tanto os africanos quanto os índios tinham uma multimilenária cultura espiritualista, o que equilibrou a cultura europeia sectária, fazendo prevalecer o espiritualismo sobre a cultura dogmática do velho mundo;
f) Eis a razão de ter sido o Espiritismo assimilado com tanta facilidade no Brasil e seus conceitos espiritualistas serem simpáticos à maioria de sua população;
g) E também uma prova da incrível capacidade de planejamento de Jesus. Quem quiser conhecer mais detalhes deste processo, ler “Brasil, Coração do Mundo Pátria do Evangelho”, de Humberto de Campos (Espírito).

125. Mas a Umbanda não aconteceu exatamente pelo espírito fraterno e liberal dos católicos?
a) Por parte da maioria dos católicos que eram fraternos e liberais, mas não dos católicos radicais;
b) Se você prestar atenção, verá que tanto a partir dos anos 50 do século passado, como até agora, existem muito mais católicos que aceitaram os postulados espíritas, que espíritas de fato;
c) Tudo por influência das culturas espiritualistas dos africanos e índios;
d) E se a maioria dos Católicos brasileiros eram, como ainda são, liberais e não-dogmáticos, a nós parece ser uma interferência de Jesus em trazer para reencarnar no Brasil espíritos já liberais;
e) O espírito tolerante e o “jeitinho” fraterno do brasileiro nos levam a pensar nisso.

126. É! É verdade…
a) Como vimos sobre o ecumenismo, há um falso respeito entre as pessoas sectárias;
b) E quando o espírita “respeita” a Umbanda, mas a classifica como primitiva e inferior a ele, está sendo sectário e achando que é melhor;
c) Com isso, confunde conhecimento com sabedoria, já que ninguém é melhor que ninguém;
d) Devemos sempre lembrar que estar em situação de maior sabedoria, não torna ninguém superior;
e) A figura de Jesus lavando os pés dos discípulos na última ceia é o exemplo mais forte que podemos usar para lembrar disso;
f) Mesmo que esteja numa situação aparentemente superior, vamos lembrar que se nos sentimos superiores, faltamos com a humildade;
g) E se não temos humildade, não somos realmente superiores.

127. E Deus, como fica nessa situação?
a) Só vamos entender Deus, sabendo que ele é o ser supremo;
b) Portanto Deus está no grau máximo de sabedoria, que só atingiremos ao nos divinizarmos;
c) Sendo supremo, ele também tem, em grau supremo, todas as virtudes;
d) Dentre elas a Humildade (sim, Deus é humilde!);
e) Logo, ninguém é mais humilde que Deus;
f) Muito embora sob nosso ponto de vista, ele seja superior a tudo;
g) Mas sendo Deus dotado da suprema Humildade, ele não pode se sentir superior a ninguém, e como vimos, por causa de nosso atributo da Supremacia, ele não pode ser superior a ninguém;
h) A humildade de Deus dá a ele a suprema compreensão;
i) Isentando o Pai de olhar qualquer atitude como maldosa;
j) Mas se na visão do Pai o “mal” não existe, esta é a única realidade;
k) Então o “mal” passa a ser apenas uma visão relativa de nossa falta de compreensão;
l) Daí Deus jamais poder julgar ou condenar, mas apenas corrigir;
m) E isto é de fundamental importância para compreender o início do conceito do Deus Amor de Jesus, trazido nesta Quinta Fase que conclui a Revelação Espírita.

128. Mas se Deus não castiga, então por que nos castigamos?
a) Você só faz o “mal” quando tem consciência de que o que está fazendo é errado;
b) E isso cria em sua mente uma realidade relativa da existência do “mal”;
c) Então, para você, ele passa a existir;
d) Tanto quando você faz o “mal”, como quando o fazem para você;
e) Mas se isso está em sua mente, está também em sua consciência, que julgará seus atos de acordo com a sua visão dos fatos;
f) Por isso, Jesus disse que seríamos julgados exatamente como julgássemos;
g) De acordo com a multimilenar cultura anímica da Mitologia, todo “mal” deve ser castigado;
h) Daí nos castigarmos, ou criarmos mecanismos de compensação.

129. Nossa! Como escapar desta?
a) Jesus há dois mil anos, deixou a receita: o perdão incondicional!
b) E quando falamos em perdão, não estamos falando em perdoar os outros somente;
c) Estamos falando também em perdoar a nós mesmos.

130. Ué! Mas não fazemos isso?
a) Perdoar a nós mesmos exige mostrar para nossa consciência que deixamos de ver o “mal” como “mal”;
b) É preciso ficar claro para ela que não temos mais a noção daquele “mal”;
c) E só conseguimos fazer isso quando praticamos o bem, pois assim apagamos a noção do “mal” de nossas mentes, passando a pensar como Deus;
d) Assim nos perdoaremos incondicionalmente, bem como aos outros;
e) Então não haverá mais motivo para castigo, e só o bem, única realidade que Deus criou, prevalecerá.

131. Mas isso muda completamente nossa visão de Deus, de nosso comportamento e de mundo!
a) Sim! Esta é a nova realidade que o Espírito da Verdade e Kardec trazem para o plano físico, juntamente com Jesus no plano espiritual;
b) Eis a Quinta Fase da Revelação Espírita, pois só com ela será possível estabelecer em definitivo o Ciclo de Regeneração em nosso planeta, e preparar a Quarta Revelação: o Deus Amor.

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132. Então o risco do sincretismo espírita é manter aquela visão antiga de mundo, é isso?
a) Manter a visão do Deus que castiga, pune, humilha e outras coisas, é engessar a Revelação Espírita, impedindo que ela faça realmente o que deve;
b) O sincretismo Católico-Espírita foi necessário, mas já não é mais;
c) Para estarmos com Deus, é preciso que em nosso coração só haja a boa vontade para a prática do bem, e com a antiga ideia aterradora de Deus isso não será possível;
d) Tudo isso foi útil para aprendermos o que não fazer no ciclo de Expiação e Provas;
e) Mas já estamos em totais condições de deixar de aprender pelo “mal” para aprender pelo bem, apreendendo o que de fato fazer.
f) E o que fazer será sempre fazer o bem.

133. Entendo isso quando penso em autopunição. Mas se eu pensar que o “mal” não existe, como ver o agressor e perdoá-lo?
Para responder esta questão, pedimos orientação ao Espírito da Verdade, que nos disse:
a) O agressor é sempre um severo professor que nos ensina o que não fazer;
b) De acordo com os atributos da bondade, do amor, da justiça, da sabedoria, da onisciência, da onipotência e da providência de Deus, um agressor só surgirá em nosso caminho se:
— Estivermos precisando aprender o que não fazer;
— For sempre a maneira mais rápida de aprendermos;
— For, seguramente, a forma que nos causará menos incômodo.
c) Sob o ponto de vista não-imediatista, este será o início de um aprendizado para o próprio agressor sobre o que não fazer, já que seus atos trarão consequências;
d) Eis porque, dentro da verdade absoluta, não existe o “mal”, mas apenas diferentes modos de aprender. Como:
— Pelo amor, através da prática da Caridade, sem precisar passar por dores ou sofrer e sem fazer o “mal”;
— Pelo despertar com o efeito da dor, se formos, de alguma maneira, agressores, fixando o que não fazer. É claro se insistirmos em não fazer o bem.
e) É preciso entender ainda que mesmo não querendo, o “inimigo” será sempre alguém a nos ensinar o que não fazer, é claro, desde que o inimigo esteja errado;
f) Ele merece nosso amor e compreensão, pois se complicou para nos ensinar algo;
g) Eis porque também não devemos nem sequer pensar em perdão, mas em compreender e ajudar dentro do possível;
h) Por fim, considere que jamais conseguiremos agredir a Deus. Por isso ele jamais terá que nos perdoar.

134. Mas pensar assim não nos incentivaria a praticar o “mal”?
a) Eis o maior motivo do freio do medo durante o Ciclo de Regeneração;
b) A pouca evolução coletiva na Terra impedia a compreensão das verdades do Deus Amor, dadas pelos seus atributos;
c) Enquanto não pudéssemos compreender tais verdades, por medo dos castigos, controlávamos nossas “maldades” com a visão mitológica de Deus;
d) Porém, quando o Ciclo de Regeneração for completamente instalado, essas verdades estarão presentes, eliminando a necessidade do freio do medo;
e) Verdades estas que Jesus está trazendo com a Quarta Revelação do Deus Amor.

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