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A influência cultural dos Espíritos comunicantes

Enviado por on 08/12/2015 – 14:01
Lisa Verhas/CC

Além da influência do animismo dos médiuns na Codificação Espírita, os próprios Espíritos que se comunicam têm sua cultura, sua história e seu alcance da verdade —que a nós só será pleno na Perfeição.

CAPÍTULO 14
(leia os capítulos anteriores)

Em uma conversa aberta e franca com o Espírito da Verdade, pudemos entender que esta influência existiu até mesmo na obra de Chico Xavier. E que ela ajudou, até agora, a estabelecer um “freio do medo”, espécie de barreira cultural que impediu muita gente de fazer coisa errada e complicar a própria evolução.

Conforme conversávamos com o Espírito da Verdade, surgiu a compreensão de que o freio do medo foi necessário para conter nossa insistência no “mal” durante todo o Ciclo de Expiação e Provas. Ficou evidente também que o mesmo mecanismo foi aplicado também para os planos espirituais mais próximos da Crosta. No livro “Obreiros da Vida Eterna”, de André Luiz, psicografado por Chico Xavier, edição da FEB, lemos o seguinte trecho, no capítulo 3 (O Sublime Visitante):

“Os emissários da Providência não devem semear a Luz sem proveito; constituir-nos-ia falta grave receber, em vão, a Graça Divina. Colocando-se ao nosso encontro, os mensageiros do Pai exercitam o sacrifício e a abnegação. Sofrem os choques vibratórios de nossos planos mais baixos, retomam a forma que abandonaram, desde muito, fazendo-se humildes como nós, e, para que nos façamos tão elevados quanto eles, dignam-se ignorar-nos as fraquezas, a fim de que nos tornemos partícipes de suas gloriosas experiências…”

135. Recorremos ao Espírito da Verdade para que, se possível, pudesse nos esclarecer sobre algumas afirmações no texto. Inicialmente ele nos explicou o seguinte:
a) Lembremos que o livro em pauta foi escrito em 1946, no final da maior convulsão da história da humanidade até então: a segunda guerra mundial;
b) Mesmo nos planos espirituais próximos da Crosta, a Doutrina Espírita era pouco conhecida;
c) Além disso, como hoje, a própria Doutrina Espírita ensinava que Deus nos julga e castiga;
d) E também como hoje, todas as religiões, de uma forma ou de outra, mantinham os ensinos sobre Deus de acordo com as ideias da Mitologia;
e) Isso mantinha no plano físico e planos espirituais próximos à Crosta, como o Astral Básico, onde está Nosso Lar, a visão mítica e mística de Deus e da vida;
f) Como o governador da Terra, Jesus tem que olhar as necessidades da condição evolutiva, tanto coletiva, como individual, de todos seus habitantes: encarnados e desencarnados;
g) Jesus cria sempre as condições ideais de evolução para todos, para que se faça cumprir as leis da Mínima Dor e do Livre-Arbítrio, individual e coletivo;
h) Com isso, todas as condições evolutivas que Jesus criou e cria para a Terra têm que possuir o máximo de benefícios para o mínimo de custos;
i) Assim, a manutenção do freio do medo, tanto no plano físico, como no umbral, nas trevas, até o plano de vibrações como em Nosso Lar, fez-se necessária.

136. Você quer dizer que mesmo entre os Espíritos relativamente esclarecidos, como os que vivem em Nosso Lar, a ideia de punição e castigo ainda traz maior benefício do que custo?
a) Se assim não fosse, Jesus não o faria;
b) Não há como negar que as condições existenciais das cidades do nível vibratório de Nosso Lar são melhores que as do plano físico;
c) Em relação ao umbral e as trevas, então, não há o que dizer;
d) Mas da totalidade dos habitantes destas cidades, só os administradores e alguns orientadores não precisavam mais do freio do medo;
e) O restante da população de cidades como Nosso Lar está um tanto quanto distante da vivência da Caridade e com erros razoáveis a corrigir;
f) Ainda, a imensa maioria dos habitantes dessas regiões viam as coisas dentro do conceito mitológico de suas religiões, incluindo aí os espíritas;
g) Não nos esqueçamos do pouco conhecimento do Espiritismo nessa época.

137. Mas como ver os Espíritos, como André Luiz, Humberto de Campos e outros, que através de Chico Xavier, nos trouxeram tantas informações da espiritualidade?
a) Como a maioria dos habitantes dessas regiões espirituais: Espíritos em convalescença;
b) Eles se dedicam com afinco ao aprendizado das coisas do Espírito, conquistando muitos e importantes conhecimentos;
c) Eles tiveram condições de trazer conhecimentos ao plano físico, quando devidamente orientados;
d) E apesar de prepará-los bem para suas próximas reencarnações, não os exime de trabalhar para por esses conhecimentos em prática, durante tais encarnações;
e) Vamos recordar Emmanuel, que esclarece bem isso no capítulo 12 de “A Caminho da Luz”, A vinda de Jesus:

“As próprias esferas mais próximas da Terra, que pela força das circunstâncias se acercam mais das controvérsias dos homens que do sincero aprendizado dos espíritos estudiosos e desprendidos do orbe, refletem as opiniões contraditórias da Humanidade (…)”

138. Ora, então estaríamos fazendo destes Espíritos mitos infalíveis, como se o que dizem devesse ser aceito sem reservas?
a) Sem dúvida alguma, e isso, aliás, os incomoda muito, pois todos têm plena consciência de suas realidades;
b) Tudo tem que ser analisado e avaliado dentro da mais pura lógica, sempre dentro dos Atributos de Deus e dos parâmetros da Fé Racional;
c) Incluindo as explicações que estou dando;
d) Pois também é necessário nunca esquecer o maior ou menor equilíbrio anímico do médium.

139. Mesmo de Chico Xavier?
a) Chico teve excepcional mediunidade, além de grande bagagem de conhecimentos que trazia de outras encarnações, incluindo como Kardec;
b) Isso o dotava de excelente condição anímica, reforçada por sua atitude evangélica de vida e de sua humildade;
c) Chico não era perfeito e podia sim cometer pequenos erros em suas traduções sobre o que os Espíritos comunicavam; muito pouco, mas podia;
d) Porém, a maioria das “meias verdades” vinha mesmo dos Espíritos.

140. Meias verdades?!
a) Sim. Toda revelação deve respeitar as condições do custo-benefício;
b) E, portanto, calibrar muito bem a intensidade da luz que traz;
c) Foi por isso que, juntamente com Jesus, dividimos a Revelação Espírita em seis partes;
d) Até a terceira com Kardec, encarnado na França; a quarta também com Kardec, só que encarnado no Brasil como Chico Xavier e a quinta e última, como revelação, com Kardec desencarnado;
e) Já a sexta fase, que não mais será de revelação, mas de aplicação social prática da Caridade, será feita por mim, o Espírito da Verdade, e por muitos outros Espíritos redimidos;
f) Sempre sob nossa orientação e dos Espíritos que compõem a falange Consoladora.

141. Então podemos concluir que o nível vibratório de Nosso Lar não é superior?
a) Até a perfeição toda superioridade de planos é relativa;
b) Vamos falar em superioridade apenas de nível vibratório, já que vimos que não existe superioridade ou inferioridade;
c) Em relação às trevas, ao umbral e à crosta, o nível vibratório de Nosso Lar é superior;
d) Ele serve como plano de preparação às reencarnações e de transição para planos mais elevados;
e) Os bilhões de Espíritos que habitam desde as trevas, até o nível vibratório de Nosso Lar ainda têm muito que corrigir e aprender em relação ao bem;
f) Incluindo-se, entre eles, a maioria dos que já conquistaram, nesse nível vibratório, a condição de orientadores.

142. Mas até agora não falamos sobre o trecho do livro “Obreiros da Vida Eterna”, de André Luiz (Espírito), que você citou no início do capítulo. Podemos analisar?
Com certeza! Vamos lá:
a) Como ser supremo, Deus usufrui da suprema felicidade;
b) A irradiação de seu supremo amor alcança o maior dos infinitos, criando uma espécie de oceano de amor, onde toda sua infinita criação está imersa;
c) Como diz Kardec em “A Gênese”, isto nos dá uma imperfeita ideia de como Deus detecta nossos pensamentos e atos;
d) Desta forma, tudo sempre é detectado por Deus: o que é bom, e o que, em nossa conceituação, é ruim também;
e) Mesmo assim, a suprema felicidade de Deus permanece sempre intacta;
f) Isto significa que é impossível abalar a suprema felicidade de Deus;
g) Da mesma forma, quando um Espírito atinge a perfeição, é impossível abalar tal felicidade, já que ela se torna perene e inabalável, como a de Deus;
h) Os Espíritos perfeitos ou mesmo próximos da perfeição também são dotados da capacidade de prever o futuro;
i) Isso dá a eles a capacidade de saber com exatidão, antes de fazer, quais as consequências de tudo o que farão;
j) Portanto, fica fácil compreender que Espíritos de tal envergadura evolutiva nunca fazem algo inútil. Se o fizessem não seriam dotados de tal evolução.

143. Mas “semear a luz em vão”, como diz o trecho, não seria fazer algo de inútil?
Seria.

144. Então o Sublime Visitante sabia perfeitamente o que estava fazendo, e quais as consequências de tudo?
Com a mais absoluta certeza.

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145. Ora, então é incorreto dizer que: “Os emissários da Providência não devem semear a luz em vão?”
a) Sim, se olharmos para o fato com uma visão absoluta da verdade, ou seja, da verdade completa;
b) Os que ali estavam ainda se orientavam pelo freio do medo, que lhes dava apenas uma visão relativa da verdade, ou seja, da verdade incompleta;
c) Por causa dessa visão incompleta da verdade, cabia a Cornélio preveni-los da necessidade do máximo aproveitamento da oportunidade;
d) Mas o Sublime Visitante sabia com antecedência como tudo seria.

146. O mesmo podemos pensar sobre “exercitar o sacrifício e a abnegação”?
Sim.

147. E sobre “sofrem os choques vibratórios de nossos planos mais baixos”? Se Deus não sofre, os Espíritos próximos da perfeição, ou perfeitos, sofreriam?
a) Nesse caso só a verdade absoluta explica;
b) Os Espíritos menos evoluídos não podem interagir com os planos de vibrações superiores;
c) Porém, os mais evoluídos podem interagir com todos os planos que lhe são inferiores, sem que com isso sofram nenhum choque vibratório;
d) Isso porque para fazer cumprir os planos de Deus, eles têm que interagir com os planos inferiores constantemente;
e) Se fosse como diz o livro, tais Espíritos estariam sofrendo constantemente tais choques.

148. Podemos entender então que ainda existem planos espirituais que precisam do freio do medo?
a) Até a entrada de nosso planeta no Ciclo de Regeneração, em Abril de 2010, sim; a partir de então não mais;
b) Eis o porquê da atual ação de Jesus no plano espiritual;
c) Enquanto planeta de Expiação e Provas, o medo foi o meio de frear para o mínimo nossas tendências em fazer o “mal”, sem comprometer nosso livre-arbítrio.

149. Dá para explicar como?
a) Se entendermos que todas as ideias de castigo não nos foram ensinadas por Deus, mas deduzidas por nossa maneira errônea de entender as coisas;
b) E que isso foi feito através dos médiuns de antigamente, que estruturaram a Mitologia, que como vimos representava a cultura social daquela época e existia em função da capacidade de compreensão de então;
c) E, ainda, tudo isso tinha que ser respeitado em função da Lei do Livre-Arbítrio.

150. Continuo sem entender por que o freio do medo foi necessário…
a) Deus nos criou para sermos felizes;
b) Logo, é de nossa essência não gostar de sermos infelizes, por termos o atributo da felicidade;
c) A Mitologia nos trouxe de forma clara a existência de seres superiores: os deuses e depois Deus;
d) Contudo, pelo livre-arbítrio, Deus não pode nos impor um comportamento;
e) Foi necessário que nós mesmos elaborássemos os meios de respeitar o convívio social, sempre de acordo com nossa visão de mundo;
f) E para isso, usamos nossa maneira primária de imaginar como seria a vontade, primeiro desses seres, e depois desse ser superior;
g) Mas a civilização da época ainda tinha pouca compreensão da fraternidade humana;
h) Logo o inimigo era alguém a ser combatido e aniquilado, fato que poderia gerar morticínio sem controle;
i) Surgiu então a necessidade de criar códigos de convivência social, como o Código de Hamurabi, sintetizado por Moisés nos Dez Mandamentos para trazer ao conhecimento popular o Deus único;
j) Estes códigos refletiam a mentalidade coletiva da época, ainda próxima dos instintos animais;
k) Daí as noções mais primárias e limitadas da Lei de Causa e Efeito: você será feliz quando fizer o bem, e infeliz quando fizer o mal;
l) E como em nossa essência está o inquebrantável desejo de ser feliz, gerou-se o freio do medo, pois ninguém gosta de sofrer;
m) Vamos notar que o freio do medo persiste até hoje, através dos ensinos das religiões, inclusive no aspecto religioso da Doutrina Espírita, embora com características mais amenas;
n) Resultando, até agora, benefícios muito maiores que custos.

151. E toda a Idade Média e o desgaste que foi fazer a ciência evoluir depois disso? Os benefícios foram mesmo maiores?
a) Isso é avaliar os resultados de forma imediatista;
b) Ou seja, só considerando os resultados logo após o ocorrido.

152. Mas não é assim?
a) Dentro do imediatismo sim;
b) Mas se avaliarmos o resultado completo ao longo do tempo, ou seja, de forma não imediatista, veremos que não.

153. Explique, por favor!

Com o passar do tempo e aguardando os verdadeiros resultados daquilo que nos fizeram, veremos que o que consideramos um “mal” teve as seguintes consequências:
a) Deu-me a chance de efetuar um auto-reajuste, aprendendo a corrigir “males” que fiz;
b) Ao mesmo tempo me ensinou o que não fazer para mim e a meu próximo;
c) Isto é o que chamamos ponto de vista absoluto e não-imediatista, pois sabendo aguardar as reais consequências daquilo que me fizeram, verei que tudo sempre resultará em bem;
d) O “mal” só existe sob o ponto de vista relativo e imediatista;
e) Só faço o “mal” para mim mesmo, pois terei que efetuar meu auto-reajuste para aprender o que não fazer;
f) Ainda, moralmente, evoluir é sempre melhorar, fazendo cada vez mais o bem, ou seja, cada vez com mais correção;
g) Mas quando faço o certo, gero harmonia, e gerar harmonia é gerar bem-estar e felicidade;
h) Confirmando novamente que, de acordo com a verdade, que só pode ser absoluta, o “mal” não existe;
i) Sendo apenas consequência de nossa visão imediatista e incompleta da verdade;
j) Como a visão do Deus Mítico (o do freio do medo).

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