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Qual é, afinal, a vontade de Deus?

Enviado por on 02/07/2017 – 15:03
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Dando continuidade a publicação dos capítulos do livro “Kardec (em Espírito) corrige ‘O Livro dos Espíritos'”.

Deus possui a suprema bondade. Por isso, nunca castiga ninguém. Porém, ele tem a obrigação de me corrigir, pois só assim eu conquistarei a perfeita felicidade. Entendendo isso, aceito com tranquilidade as dificuldades e não sofro, pois sei que elas existem para corrigir meu comportamento e nunca para me castigar.

CAPÍTULO 27
(leia os capítulos anteriores)

317. Você fala de Deus como o cara mais legal do Universo. Qual é, então, a vontade de Deus?

a) Tanto as igrejas quanto o Espiritismo fazem muita confusão a esse respeito;

b) Quando na realidade a vontade de Deus é única: querer sempre o nosso bem e felicidade.

c) Pelos atributos da Onisciência, da Onipotência, da Sabedoria e de outros, todos supremos.

d) E um que nunca falamos que é o da Suprema Boa Vontade, que é um dos mais importantes atributos que temos que aprender a usar;

e) Pois só temos Boa Vontade, quando queremos fazer o bem: fato que não depende de nossa condição evolutiva;

f) Pela Boa Vontade Deus nos dá a condição de nunca fazer o mal, por mais primários que sejamos.

318. Só isso?

Sim. É através dessa única vontade que ele constrói toda sua infinita criação.

319. O que varia então?

São os meios que Deus usa para fazer tudo acontecer.

320. Mas se ele faz com que aconteça, como fica nossa liberdade?

Ela é determinada pela Lei do Livre Arbítrio.

321. E o que diz essa lei?

a) Ela diz que somos livres para agir, mas que nossa responsabilidade pelos nossos atos aumenta, de acordo com o conhecimento que temos daquilo que fazemos;

b) Isso porque quanto maior nosso conhecimento, maior consciência do que estamos fazendo;

c) Também para que nossa responsabilidade seja do mesmo tamanho de nossa consciência;

d) Entenda-se aqui consciência como saber o que está fazendo.

322. Quer dizer que quando éramos primários, tínhamos menos liberdade do que agora?

a) Claro. Não se dá a uma criança as mesmas responsabilidades de um adulto;

b) Deus sempre olha para a nossa verdadeira realidade, ou seja, que quando somos primários, somos Egos crianças;

c) Coisa que já não somos mais. Já somos Egos jovens.

323. E como Deus controla isso?

Colocando-nos sempre em meios apropriados ao nosso estágio evolutivo.

324. E o que muda com o nosso maior nível de consciência?

a) Os meios que ela usa para nos avaliar e corrigir:

b) Quando éramos Espíritos crianças, os meios eram mais suaves;

c) Agora eles são mais rigorosos e disciplinadores, para atender nossas necessidades de Espíritos jovens.

325. Por quê?

a) Se já somos espíritos jovens, é porque temos bem mais consciência do que fazemos;

b) E com isso aumenta nossa capacidade de fazer o “mal” e até barbáries;

c) Aumentando automaticamente nossa responsabilidade pelos nossos atos;

d) Por isso o rigor e a disciplina de nossa consciência.

326. Desculpe! Mas porque isso?

a) Por querer nosso bem e felicidade, Deus faz com que nossa evolução se faça sempre com o mínimo de dor e sofrimento, como vimos;

b) E a dor só é necessária, quando insistimos em usar “mal” o nosso livre-arbítrio.

327. Dá para explicar melhor o Livre Arbítrio e Deus não nos criar perfeitos?

a) Existe uma grande diferença entre ter vontade própria e ter uma vontade que alguém nos dá;

b) Um programa de computador (software) determina o que o computador deve fazer;

c) Logo ele é a vontade do computador;

d) Mas quem deu (programou) esta vontade do computador foi o programador;

e) Então a vontade do computador é a do programador e não dele;

f) E para Deus nos criar perfeitos ele teria que programar nossa vontade;

g) Portanto a vontade de todos nós seria de Deus, e não nossa;

h) Seríamos todos iguais e não teríamos o que fazer para sempre.

328. E com a vontade própria?

a) Nós a construímos com nosso esforço e trabalho;

b) Com isso construímos também nossa individualidade, e passamos a ser alguém;

c) Mas isso só é possível se tivermos a liberdade de ser o que quisermos ser;

d) Isso é ter vontade própria;

e) Isso prova que Deus jamais seria um ditador, o que combina com todos os seus atributos;

f) E também foi ensinado por Jesus, quando o Mestre explica a parábola do joio e do trigo: o Pai deixa que o joio cresça junto do trigo para que possamos exercitar nossa vontade no bem, em respeito à nossa própria supremacia como criaturas.

g) Em um planeta de Expiação e Prova, o joio seria os que estão em expiação e o trigo em prova.

329. Para Deus, o que é liberdade?

a) Para ser justo, Deus tem que nos tratar da mesma forma;

b) Assim a sua vontade de nos fazer o bem e que sejamos felizes, vale para todos;

c) E isso cria o verdadeiro conceito de liberdade: que ela só existe quando praticada com responsabilidade;

d) E responsabilidade significa o pleno respeito pelo direito de todos;

e) Portanto só temos o completo direito à felicidade quando usamos nossa liberdade com pleno respeito aos direitos de todos;

f) E isso só é plenamente possível com a prática da Caridade;

g) Liberdade sem Caridade é uma maneira ditatorial de agirmos, sendo irresponsáveis e desrespeitando os direitos dos outros. Seria a anarquia.

330. Mas não seríamos livres se fôssemos criados já perfeitos?

a) Os fatos da vida nos mostram que só somos felizes de verdade, quando trabalhamos para o bem de todos, e não só o nosso;

b) Logo a felicidade é consequência de nosso trabalho no bem de todos, sempre dentro de nossas possibilidades;

c) E quanto mais evoluímos, maior nossa capacidade de trabalho e de sermos felizes;

d) Mas se Deus nos tivesse criado perfeitos, como poderíamos ser felizes, sem ter o que fazer?

e) Não teríamos o que fazer por toda eternidade, e seria o eterno tédio;

f) Compreende porque Deus não nos criou perfeitos e nos deu o livre-arbítrio? Além é claro de outras razões já explicadas.

331. E as principais consequências disso?

a) Sempre que usamos nosso livre arbítrio para o bem, estamos desenvolvendo nossa vontade e evoluindo;

b) Isso porque todo aprendizado do bem dura para sempre, e serve de base para fazermos um bem maior. Lembremos da parábola dos talentos;

c) Quando usamos o livre-arbítrio para o “mal”, nos fixamos nele e deixamos de desenvolver nossa vontade (ideia fixa);

d) Ficamos estacionados em nossa evolução;

e) Mas temos que evoluir obrigatoriamente.

f) Porém só evoluímos quando fazemos o bem, pois só ele é eterno;

g) Então temos que corrigir o “mal”, pela prática do bem;

h) Mais uma vez, só sofrer não adianta. É preciso fazer o bem.

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332. Então porque respeitar a vontade de Deus, se ele não a impõe a nós?

a) É exatamente aí que está o segredo;

b) Por não impor sua vontade a nós, mesmo sabendo que ela é sempre a melhor, Deus mostra o quanto ele nos respeita;

c) O quanto ele respeita nossa liberdade, pois só assim Deus não se torna o supremo tirano;

d) Mas se Deus tem o amor supremo e nos criou para nos amar e nos fazer felizes, fica claro que essa será sempre a sua vontade;

e) Deus tem a suprema capacidade de fazer isso; ele realmente pode e faz;

f) E se sua vontade é que sejamos felizes e ele esquece de si mesmo, pois é dotado da suprema Humildade e da suprema Caridade;

g) Isso significa que, se aceitarmos livremente a sua vontade em relação a nós, nunca sofreremos.

333. Mas eu sofro! E mesmo as pessoas mais devotadas que conheço também sofrem! Como entender que vou parar de sofrer ao aceitar a vontade de Deus?

a) Se você entender que Deus só é capaz de fazer coisas boas, fica fácil aceitar;

b) Sentir dor é uma coisa, sofrer é outra, bem diferente;

c) Deus sempre respeita nosso livre-arbítrio, para que possamos construir nossa própria felicidade;

d) Mas, da mesma forma que Deus quer que você seja feliz, ele também tem o mesmo desejo para com todos seus outros filhos;

e) É por isso então que surge a Caridade, capaz de regular nossa relação com tudo ao nosso redor pelo “amar ao próximo como a si mesmo”;

f) Porém, se eu esqueço da Caridade e só penso no meu livre-arbítrio, posso cometer ações egoístas e que prejudiquem outras pessoas;

g) Que pensar de um pai que deixa o filho fazer o que quiser, sem lhe orientar sobre o que é certo?

h) Que pensaríamos de Deus, se ele, que é nosso Paizão celestial, deixasse que usássemos “mal” para sempre o nosso livre-arbítrio?

i) Deus, dessa forma, teria criado os demônios, aqueles seres mitológicos que se dedicariam sempre ao “mal”;

j) Mas além do livre-arbítrio e da Caridade, há outra lei que é a da evolução, e como vimos, todos nós um dia seremos perfeitos;

k) E para chegar lá, é preciso entender os próprios erros e corrigi-los, praticando o bem;

l) Corrigir erros sempre dá trabalho, mas nunca traz sofrimento;

m) Porém, se insisto no erro com meu orgulho ou meu egoísmo, pode ser que seja necessário algum tipo de dor para me fazer acordar;

n) É como a dor que você sente ao aproximar a mão do fogo. Tal dor existe para alertar sobre o erro, e não para causar sofrimento;

o) E proteger é um gesto de amor, nunca um castigo;

p) Portanto, aceitar a vontade de Deus e mudar de comportamento nada tem a ver com imposição, mas com a livre compreensão de que ela será sempre a melhor para nós.

q) Aqui também é importante saber que um dia teremos poderes semelhantes aos de Deus, que nos trará uma felicidade que sequer conseguimos imaginar.

r) Se isto não é importante, o que será?

s) Mas tal compreensão só é possível quando entendemos o Deus Amor. Por isso é importante mudar nossa noção sobre Deus.

t) Ainda, entendendo o tamanho do amor do Criador por nós, fica bem mais fácil amarmos nossos irmãos tão criaturas do Pai quanto nós.

334. Então quando Jesus nos diz que devemos aceitar a vontade de Deus, ele (Jesus) não está querendo nos obrigar a aceitá-la?

a) É claro que não!

b) Pois obedecendo ou não a vontade de Deus, nós fatalmente chegaremos à perfeição;

c) Mais rápido ou mais devagar, com ou sem dor, mas chegaremos;

d) Deus criou suas leis que nos farão chegar à perfeição exatamente para respeitar nossa liberdade;

e) Daí a necessidade da dor e até dos choques dolorosos, em função de nossas “maldades”;

f) Fazendo isso Jesus apenas está nos ensinando o melhor caminho para a felicidade.

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